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Terras raras no Brasil: por que o Japão fechou acordo com mineradora

08/09/2026 11:394 min de leituraAtualizado há 13 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Uma mineradora canadense com projetos no Brasil acaba de firmar um acordo com o governo japonês que pode abrir uma nova rota comercial para minerais estratégicos brasileiros. A Aclara Resources fechou uma parceria com a Jogmec, agência japonesa responsável por garantir o abastecimento de recursos minerais para a indústria do país, para explorar depósitos de terras raras em território brasileiro. O negócio prevê financiamento de até US$ 4,5 milhões e, mais importante, cria caminho para que parte dessa produção seja vendida ao Japão no futuro.

Embora o valor do acordo pareça modesto, o movimento tem peso estratégico. As terras raras são minerais essenciais para a fabricação de ímãs usados em carros elétricos, turbinas eólicas e uma série de equipamentos eletrônicos. Hoje, a China domina praticamente toda a cadeia produtiva desse setor no mundo, o que preocupa países como o Japão, que dependem dessas matérias-primas para suas indústrias de tecnologia e não querem ficar reféns de um único fornecedor.

O que muda com o acordo

Na prática, a Jogmec vai financiar até US$ 3 milhões em trabalhos de exploração de terras raras pesadas em argilas no Brasil, ao longo de três anos. Se algumas condições forem atendidas, esse valor pode subir para até US$ 4,5 milhões, com um ano a mais de prazo. Além do financiamento, a agência japonesa poderá comprar 30% de um dos projetos de exploração da Aclara no país, desde que cumpra os aportes combinados. Isso significa que, se tudo avançar conforme o planejado, o Japão passa a ter participação direta em um projeto de mineração brasileiro.

Outro ponto importante é o direito de preferência: a Jogmec poderá comprar uma fatia da produção equivalente à sua participação, mais um adicional de 10% da produção futura do empreendimento. Ou seja, o acordo não é apenas sobre pesquisa geológica, mas também sobre garantir ao Japão acesso prioritário ao minério que for extraído mais adiante. As negociações comerciais, no entanto, precisarão seguir condições de mercado, e o Japão ainda pode repassar sua participação a outra empresa ou consórcio japonês.

Vale destacar que o principal ativo da Aclara no Brasil, o Projeto Carina, em Nova Roma (GO), não faz parte desse acordo e continuará totalmente sob controle da empresa canadense. Carina é um projeto de grande porte, com investimento estimado em R$ 2,8 bilhões, previsão de início das operações em 2028 e vida útil de 18 anos. A parceria com os japoneses mirará outras áreas de exploração da Aclara no país, ainda não especificadas pela empresa.

Por que isso importa para o Brasil

Para empresários e gestores de setores ligados à mineração, tecnologia e energia, esse tipo de acordo sinaliza um movimento maior: o Brasil está entrando no radar de países que buscam alternativas à China no fornecimento de minerais críticos. Segundo dados da Agência Internacional de Energia citados no material, a China responde por cerca de 60% da extração mundial de terras raras usadas em ímãs, mais de 90% do refino e quase 95% da fabricação dos ímãs permanentes. Diante dessa concentração, países como o Japão estão dispostos a investir em novos fornecedores, e o Brasil aparece como opção com potencial geológico reconhecido.

O acordo em números
US$ 3 milhõesfinanciamento inicialpara exploração ao longo de três anos.
US$ 4,5 milhõesvalor total possívelse condições adicionais forem cumpridas, com mais um ano de prazo.
30%participação japonesafatia que a Jogmec pode adquirir em um dos projetos da Aclara.

Esse tipo de investimento estrangeiro em exploração mineral tende a gerar efeitos indiretos para a economia local, como geração de empregos técnicos, movimentação de fornecedores de serviços de mineração e possível atração de outros investidores internacionais interessados no mesmo tipo de recurso. Para negócios que atuam na cadeia de mineração, logística ou serviços técnicos em Goiás e regiões próximas, o avanço desses projetos pode representar novas oportunidades de contrato nos próximos anos.

Por enquanto, o acordo está em fase inicial e concentrado em atividades de exploração, sem garantia de que a extração comercial de fato avance. Ainda assim, o CEO da Aclara, Ramón Barúa, destacou que a entrada da agência japonesa funciona como uma validação independente da qualidade dos ativos da empresa no Brasil, o que pode facilitar a atração de outros parceiros e financiamentos futuros para o setor.

Para quem acompanha o setor de mineração ou tem negócios relacionados a metais críticos, energia limpa ou exportação, vale ficar atento aos próximos passos desse acordo: qual projeto será escolhido pela Jogmec para a participação de 30%, os resultados das pesquisas de exploração e eventuais novos parceiros internacionais que possam surgir a partir dessa movimentação. O Brasil começa a se posicionar como alternativa relevante em uma disputa geopolítica por minerais estratégicos, e isso pode abrir portas para empresas brasileiras da cadeia de fornecimento nos próximos anos.

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