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Por que a economia brasileira desacelera mesmo com emprego recorde

29/10/2026 17:004 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

O Brasil vive uma situação curiosa: o desemprego está no menor patamar da série histórica, há recorde de pessoas ocupadas e a renda cresce perto de 4% ao ano. Mesmo assim, a economia perde força. O consumo das famílias, que subiu 5,1% em 2024, deve crescer apenas 1% neste ano, e as projeções indicam expansão do PIB de 1,8% em 2026 e de só 1,3% em 2027. Para você, empresário, esse descompasso é um sinal de alerta: o mercado consumidor não vai se expandir com a mesma força dos últimos anos, e entender os motivos ajuda a planejar melhor o próximo ciclo do seu negócio.

O que está travando o crescimento

Durante anos, o país cresceu estimulando o consumo com crédito farto, programas de transferência de renda, aumentos do salário mínimo e gastos públicos. Esse modelo funcionou, mas está chegando ao limite por três motivos. O primeiro é o endividamento das famílias: hoje elas comprometem 28,9% da renda com dívidas, ante cerca de 22% antes da pandemia, e oito em cada dez lares estão endividados. Com o crédito pessoal custando 60% ao ano, boa parte da população simplesmente não tem mais fôlego para continuar consumindo no mesmo ritmo.

O segundo motivo é o custo do dinheiro. A Selic, que ficou em 15% por quase um ano, está agora em 13,75%, mas o juro real segue perto de 9%, um dos mais altos do mundo. Com a inflação deste ano projetada para fechar acima do teto da meta, qualquer novo estímulo à demanda tende a pressionar ainda mais os preços em vez de gerar crescimento duradouro, o que dificulta a tão esperada queda dos juros.

O terceiro ponto é fiscal. A dívida bruta do governo chegou a 82,9% do PIB em agosto, quatro pontos percentuais acima do fim do ano passado, e os juros sozinhos explicam 6,5 pontos dessa alta. Com 91,7% das despesas obrigatórias já comprometidas para 2027, o risco é entrar num ciclo difícil de quebrar: mais gastos mantêm os juros elevados, a dívida fica mais cara, e isso exige um prêmio de risco ainda maior dos investidores. A reação do mercado após as eleições já deu uma mostra do preço que essa dinâmica pode cobrar.

Os números do descompasso
28,9%renda comprometida com dívidasante cerca de 22% antes da pandemia.
82,9% do PIBdívida bruta em agosto4 pontos acima do fim de 2024.
0,3% a.a.ganho de produtividadenos últimos seis anos, segundo a FGV Ibre.

O problema de fundo: produtividade baixa

Além desses limites de curto prazo, existe uma questão estrutural: o Brasil produz pouco por hora trabalhada e investe menos do que precisaria para mudar esse quadro. A taxa de investimento foi de 16,1% do PIB no segundo trimestre, enquanto a poupança nacional ficou em apenas 14,4%, ou seja, o país investe pouco porque também poupa pouco. Segundo o Observatório da Produtividade da FGV Ibre, a produtividade do trabalho cresceu apenas 0,8% ao ano entre 1996 e 2025, e só 0,3% ao ano nos últimos seis anos.

Por muito tempo, o crescimento veio principalmente da entrada de mais trabalhadores no mercado. Com o desemprego agora no menor nível e o bônus demográfico perdendo força, essa estratégia está se esgotando. Daqui para frente, o aumento da renda vai depender cada vez mais da capacidade de produzir mais com os recursos que já existem, algo que afeta diretamente a competitividade da sua empresa e o poder de compra dos seus clientes.

Caminhos possíveis e o que observar

A boa notícia é que o Brasil já mostrou que consegue crescer apoiado em produtividade: nos anos 2000, a economia avançou 3,5% ao ano, e quase metade desse crescimento veio de ganhos de eficiência, o dobro do ritmo esperado hoje. O governo reeleito terá uma decisão importante logo no início do mandato: manter o modelo de estímulo à demanda, com risco de inflação e juros persistentemente altos, ou priorizar medidas que fortaleçam a capacidade produtiva do país, como credibilidade fiscal, implementação eficiente da Reforma Tributária (com a CBS entrando em vigor em janeiro), Reforma Administrativa, simplificação regulatória, segurança jurídica e mais abertura comercial, incluindo o acordo entre Mercosul e União Europeia, já em aplicação provisória desde maio.

Para o seu negócio, o recado prático é que o Brasil tem um mercado consumidor de R$ 8,6 trilhões, mas o crescimento sustentável desse consumo não virá de mais crédito ou mais gastos públicos, e sim de uma economia mais produtiva, com juros estruturalmente menores e trabalhadores mais bem remunerados. Acompanhar esses sinais de mudança na política econômica, especialmente os relacionados à Reforma Tributária e à agenda fiscal, ajuda você a antecipar cenários de custo, crédito e demanda para planejar investimentos com mais segurança.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.