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Trabalhador descartável: o que é e como identificar na sua empresa

27/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 7 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Você já parou para pensar se as pessoas da sua equipe enxergam um futuro real dentro da sua empresa, ou se elas apenas cumprem tarefas do dia a dia sem qualquer perspectiva de crescimento? Um estudo do economista Paul Osterman, do MIT, chama atenção para um fenômeno batizado de "trabalhador descartável": profissionais que até têm vínculo formal de emprego, mas que a empresa não pretende desenvolver, treinar ou promover. Esse conceito importa para você, gestor ou empresário, porque afeta diretamente engajamento, produtividade e retenção de talentos no seu negócio.

O que caracteriza um trabalhador descartável

Segundo a pesquisa, existem três grupos nessa situação: prestadores de serviços, freelancers e o que Osterman chama de "funcionários marginais". Esse último grupo é o mais surpreendente, porque não se trata de terceirizados ou trabalhadores de aplicativos. São pessoas com carteira assinada, cargo fixo, que trabalham lado a lado com o restante do time, mas que a empresa simplesmente não planeja desenvolver. Isso pode acontecer tanto com funções de baixa qualificação quanto com profissionais qualificados, como professores universitários ou advogados contratados por escritórios.

O ponto central não é o desempenho da pessoa, mas a relação que a empresa estabelece com ela. Um funcionário pode ser competente e dedicado, mas se a empresa não o inclui em treinamentos, promoções ou planejamento de carreira, ele se torna, na prática, dispensável a qualquer momento.

Por que isso deve preocupar o empresário

Do ponto de vista do caixa, manter uma equipe mais flexível, com menos compromissos de longo prazo, pode parecer vantajoso: menos custo com treinamento, benefícios e planos de carreira. Mas a pesquisa mostra um efeito colateral importante: funcionários que percebem que não serão desenvolvidos tendem a se engajar menos com os resultados da empresa e a fazer apenas o mínimo necessário. Ou seja, a economia de curto prazo pode custar caro em produtividade e comprometimento no médio prazo.

A inteligência artificial entra nessa equação como um fator que pode piorar o quadro. Como muitas empresas ainda não sabem exatamente quais funções e habilidades vão precisar no futuro, a tendência é evitar investimentos de longo prazo em pessoas e recorrer a contratações mais fáceis de ajustar conforme a necessidade. O resultado prático é que o afastamento profissional pode acontecer antes mesmo de qualquer corte de vagas: as pessoas continuam empregadas, mas cada vez mais desconectadas de um plano de carreira real.

Sinais de alerta na sua equipe
01
Mais tarefas, sem avanço

O funcionário acumula responsabilidades, mas não tem caminho claro de crescimento.

02
Treinamento só para alguns

Ele fica de fora de cursos, certificações, mentorias e projetos de destaque.

03
Nenhuma conversa sobre futuro

As avaliações falam só do presente, sem discutir onde ele estará em 1, 3 ou 5 anos.

04
Fora das decisões

Ele não participa de conversas estratégicas nem da construção de relações internas importantes.

O que fazer na prática

Se você identificou esses padrões na sua equipe, o primeiro passo é reconhecer que reter talento vai além de pagar salário em dia. É preciso mostrar, com ações concretas, que a empresa está disposta a investir no crescimento das pessoas: incluir mais colaboradores em treinamentos, abrir espaço em decisões estratégicas e tratar avaliações de desempenho também como conversas sobre carreira futura, não só sobre entregas passadas.

Vale lembrar que a tecnologia está tornando tarefas repetitivas mais baratas de automatizar, o que aumenta o valor de habilidades genuinamente humanas, como julgamento, comunicação, empatia e pensamento crítico. Empresas que conseguem identificar e desenvolver essas capacidades na equipe tendem a sair na frente, tanto em retenção de talentos quanto em capacidade de adaptação frente às mudanças que a IA já está trazendo para o mercado de trabalho.

No fim das contas, investir no desenvolvimento da equipe deixou de ser apenas uma questão de clima organizacional: é também uma estratégia de sobrevivência para o negócio. Empresas que tratam seus funcionários como descartáveis correm o risco de perder engajamento justamente no momento em que mais precisam de comprometimento para enfrentar as transformações trazidas pela tecnologia.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.