Tokenização de ativos: como funciona e por que interessa às empresas
03/08/2026 18:003 min de leituraAtualizado há 30 dias
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Empresas latino-americanas enfrentam há décadas um obstáculo conhecido: captar recursos custa caro. Com taxas médias de financiamento que chegam a 17% e um setor bancário concentrado, muitos negócios da região optam por estratégias defensivas de tesouraria em vez de investir no crescimento. Um levantamento recente da Bitfinex Securities, plataforma regulada para emissão de valores mobiliários tokenizados, mostra que a tokenização de ativos já se apresenta como resposta prática a esse cenário, conectando ativos locais a fluxos de capital global.
Na prática, a tokenização transforma bens do mundo real, como imóveis, infraestrutura energética, dívida corporativa, participações societárias e até fluxos futuros de receita, em tokens digitais registrados em blockchain. Isso significa que ativos que antes ficavam "parados" no balanço da empresa passam a ter liquidez e podem ser negociados diretamente com investidores institucionais e de varejo em qualquer lugar do mundo.
O que muda para as empresas
Segundo Fabián Delgado, gerente de desenvolvimento de negócios da Bitfinex para a Colômbia e América Latina, a tokenização representa a maior transformação nos mercados de capitais desde o surgimento da linha de produção. Para ele, não se trata apenas de uma novidade tecnológica, mas de uma nova infraestrutura financeira capaz de eliminar barreiras que historicamente deixaram pequenos investidores de fora e impuseram custos desproporcionais aos emissores.
Na prática, isso se traduz em três frentes de ganho para quem gerencia um negócio. A primeira é a possibilidade de liberar valor de ativos que hoje não geram retorno imediato, usando bens reais e receitas futuras como base para captar recursos diretamente no mercado global, sem depender exclusivamente de bancos locais. A segunda é a redução de custos: estruturas tradicionais de subscrição, com taxas elevadas, podem ser substituídas por emissões tokenizadas mais simples e vinculadas a resultado. A terceira é o acesso a uma base de investidores muito maior, que vai além das fronteiras do país e alcança capital institucional e de varejo internacional por meio de plataformas digitais reguladas.
Quem já está colhendo resultados
O relatório aponta que empresas e instituições em diversos países da América Latina já utilizam a tokenização como vantagem competitiva, tanto para captar recursos quanto para melhorar a gestão de tesouraria. Isso indica que a tecnologia deixou de ser apenas uma promessa e já opera no dia a dia de negócios que buscam alternativas mais eficientes de financiamento.
Para gestores e empresários, o ponto prático é este: se sua empresa possui ativos com potencial de geração de receita, como um imóvel comercial, um contrato de fornecimento de energia ou recebíveis futuros, esses bens podem, em tese, ser convertidos em tokens e oferecidos a investidores fora do circuito bancário tradicional. Isso amplia as opções de captação e pode reduzir a dependência de linhas de crédito caras.
Como se preparar
Antes de considerar a tokenização como caminho de captação, vale entender que a operação depende de plataformas reguladas, como a própria Bitfinex Securities, e de estrutura jurídica adequada para a emissão dos tokens. Empresários interessados devem avaliar quais ativos do negócio têm fluxo de caixa previsível ou valor de mercado reconhecido, já que esses são os mais indicados para conversão em tokens digitais.
O movimento ainda está em consolidação na região, mas os casos já observados sugerem que a tendência deve ganhar espaço nos próximos anos. Para quem administra uma empresa e sente o peso dos juros altos e do acesso restrito ao crédito, acompanhar essa evolução pode significar encontrar, mais adiante, uma via alternativa e mais barata de financiamento, com acesso direto a investidores de outros mercados.
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