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Stan Kroenke e os Angels: o que o negócio ensina sobre investir em ativos escassos

06/09/2026 14:414 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Você não precisa torcer para nenhum time americano para tirar uma lição valiosa do caso Stan Kroenke. O bilionário, dono de franquias como Los Angeles Rams, Denver Nuggets, Colorado Avalanche, Colorado Rapids e Arsenal FC, acaba de fechar a compra do Los Angeles Angels, da MLB, avaliado em cerca de US$ 4 bilhões. Com esse movimento, ele se torna a primeira pessoa a controlar times nas cinco principais ligas esportivas masculinas da América do Norte. Mas o que chama atenção para quem pensa em negócios não é o glamour do esporte, e sim a estratégia por trás dos números.

Uma fortuna construída na paciência

Kroenke pagou, ao longo de três décadas, cerca de US$ 2,4 bilhões pelas seis equipes que hoje possui (sem contar os Angels). Corrigido pela inflação, esse valor equivale a aproximadamente US$ 3,8 bilhões. Hoje, esse mesmo conjunto de ativos vale cerca de US$ 22 bilhões, já descontadas as dívidas. É um retorno que poucos setores conseguem entregar, e ele não veio de uma jogada única e arriscada, e sim de décadas de aportes recorrentes em um mercado que se provou estruturalmente escasso: existem apenas 154 equipes nas cinco principais ligas esportivas masculinas dos Estados Unidos.

Essa escassez é justamente o que sustenta a valorização. Nos últimos dez anos, as franquias da MLB mais que dobraram de valor em média, e as demais quatro ligas viram suas equipes valorizarem pelo menos três vezes. O motivo não é só sentimentalismo de torcedor: entram no cálculo o aumento das receitas com direitos de transmissão, a modernização de estádios e a demanda crescente de investidores por esse tipo de ativo, que não pode simplesmente ser criado em maior quantidade.

O salto de valor no portfólio de Kroenke
US$ 2,4 biinvestidos ao longo de 30 anosvalor pago pelas seis franquias antes dos Angels.
US$ 22 bivalor atual do portfólioestimativa já descontando dívidas.
US$ 27,6 bipatrimônio líquido estimadoa maior parte vem hoje dos times, não do setor imobiliário.

Gestão que privilegia resultado, não popularidade

Um ponto que interessa a qualquer gestor: Kroenke nunca foi unanimidade entre os torcedores. Ele enfrentou protestos de torcedores do Arsenal, que organizaram o movimento "Kroenke Out" em 2021, e ainda é malvisto em St. Louis por ter transferido os Rams para a Califórnia em 2016. Mesmo assim, sob sua gestão, os Rams saltaram da 28ª posição em receita da NFL para a terceira colocação da liga, faturando cerca de US$ 764 milhões em 2024 e gerando lucro operacional de US$ 244 milhões na mesma temporada. A lição aqui é direta: decisões impopulares no curto prazo podem sustentar ganhos consistentes no longo prazo, desde que acompanhadas de investimento real em estrutura e desempenho.

Essa combinação de resultado financeiro com desempenho esportivo não é coincidência. Os Rams venceram o Super Bowl em 2022, o Avalanche conquistou a Stanley Cup no mesmo ano, os Nuggets levaram o título da NBA em 2023, e o Arsenal foi campeão da Premier League em maio, depois de 22 anos sem o título. Ativos bem geridos, com investimento contínuo em infraestrutura e operação, tendem a performar tanto no campo quanto no balanço.

Imóveis como base de tudo

Antes de virar dono de times, Kroenke fez fortuna no mercado imobiliário, tornando-se o maior proprietário privado de terras dos Estados Unidos, com cerca de 2,7 milhões de acres de fazendas e 60 milhões de pés quadrados de imóveis comerciais. Essa experiência se repete em sua estratégia esportiva: ele controla o SoFi Stadium, dos Rams, o Emirates Stadium, do Arsenal, e a Ball Arena, casa de Nuggets e Avalanche. Segundo Marc Ganis, presidente da consultoria Sportscorp, "onde quer que você veja Stan se envolvendo com esportes, deve sempre pensar que existe um componente imobiliário". Para quem administra um negócio, é um lembrete de que diversificar dentro de uma mesma competência central, e não simplesmente pulverizar investimentos, costuma multiplicar resultados.

No fim das contas, o caso Kroenke mostra que fortunas bilionárias raramente nascem de sorte isolada. Nascem de entrar cedo em mercados com oferta limitada, de manter disciplina mesmo sob crítica pública, e de aplicar o mesmo conhecimento de negócio em diferentes frentes. Para o empresário brasileiro, a régua de comparação pode ser bem menor, mas o princípio vale igual: ativo escasso, gestão consistente e paciência para colher no longo prazo formam uma combinação difícil de perder.

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