Mercado imobiliário dos EUA: por que casas populares caem mais que as de luxo
07/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O mercado de imóveis nos Estados Unidos está mostrando um comportamento curioso: as casas mais baratas estão ficando ainda mais baratas, enquanto os imóveis de luxo seguem resistindo à queda de preços. O resultado é uma distância cada vez maior entre o valor típico de uma casa comum e o valor que aparece quando se soma tudo e se calcula uma média geral do mercado. Para você que acompanha tendências econômicas ou tem negócios ligados a imóveis, construção ou investimentos internacionais, entender essa divisão ajuda a enxergar para onde o mercado está caminhando.
O que está acontecendo
Existem duas formas comuns de calcular o "preço típico" de uma casa: a média (soma de todos os valores dividida pela quantidade de imóveis) e a mediana (o valor que fica exatamente no meio, quando se organiza todos os preços do menor para o maior). Quando o mercado é equilibrado, esses dois números ficam próximos. Mas quando um grupo pequeno de imóveis muito caros puxa a média para cima, a diferença entre média e mediana aumenta, e é exatamente isso que vem acontecendo nos Estados Unidos.
Nos anos 1960 e 1970, média e mediana caminhavam praticamente juntas. A partir de 1978, começaram a se separar. Em 1980, o preço médio de uma casa era cerca de 16,3% maior que o mediano. Já em meados de 2026, essa diferença subiu para 22,4%. Ou seja, o topo do mercado, os imóveis de luxo, está cada vez mais distante da realidade da maioria dos compradores.
Onde a queda de preços é mais forte
Desde o final de 2022, tanto o preço médio quanto o mediano vêm caindo, mas em ritmos diferentes. O preço mediano, que reflete melhor a realidade das casas mais comuns, caiu 6,3% em 15 trimestres. Já o preço médio, mais influenciado pelos imóveis de alto padrão, caiu apenas 3,5% em 14 trimestres. Na prática, isso significa que as casas mais simples estão perdendo valor bem mais rápido do que as mansões e imóveis de luxo, que seguem sustentando seus preços elevados.
Esse fenômeno tem nome: os economistas chamam de "economia em K", quando parte do mercado sobe enquanto outra parte cai, formando dois caminhos opostos, como as pernas da letra K. No caso dos imóveis, isso significa que quem busca uma casa de padrão intermediário ou popular pode encontrar oportunidades melhores de preço, enquanto o mercado de luxo continua caro e resistente a ajustes.
O que isso significa na prática
Se você pensa em comprar um imóvel nos Estados Unidos, ou acompanha esse mercado por interesse profissional ou de investimento, vale prestar atenção nas categorias mais simples de imóveis, que estão com queda de preço mais consistente. Segundo a tendência observada, no ritmo atual, esses imóveis podem cair para menos de US$ 400 mil em menos de dois anos. Já o segmento de alto padrão segue mais protegido, sustentado por compradores com maior poder aquisitivo, e tende a continuar mais caro e mais difícil de acessar.
Vale lembrar que esses números são médias nacionais. Preços variam muito de região para região, e quem tem flexibilidade para escolher onde morar ou investir pode encontrar mercados com valores bem mais baixos que a média do país. De todo modo, o movimento mostra um recado importante: o mercado imobiliário não é uniforme, e entender essa divisão ajuda a tomar decisões mais informadas, seja para comprar, vender ou simplesmente acompanhar tendências econômicas que também podem repercutir em outros mercados globais.
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