Split Payment: o que muda na emissão de notas fiscais eletrônicas
25/08/2026 14:493 min de leituraAtualizado há 8 dias
Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
O governo deu mais um passo para colocar em prática o Split Payment, o novo modelo de recolhimento automático de tributos criado pela Reforma Tributária. Uma atualização técnica publicada pela Secretaria da Fazenda ajusta a forma como diversos documentos fiscais eletrônicos vão registrar as informações de pagamento das transações. Se sua empresa emite notas fiscais de transporte, energia, comunicação ou atua em setores como gás e agronegócio, essa mudança vai afetar diretamente os sistemas que você usa no dia a dia.
Na prática, o Split Payment significa que o imposto deixa de ser pago depois, por guia, e passa a ser retido automaticamente no momento em que o dinheiro entra: seja no Pix, no cartão ou em outra forma de pagamento. O sistema financeiro, envolvendo bancos, maquininhas e arranjos de pagamento, separa a parte do IBS e da CBS na hora e envia esse valor direto para o Fisco. Sua empresa recebe apenas o valor líquido da venda, já sem o imposto embutido.
O que muda
A novidade da atualização é a padronização da forma como o meio de pagamento é identificado dentro dos documentos fiscais. Até agora, essa codificação unificada, que indica se o cliente pagou via Pix, cartão ou boleto, já existia na Nota Fiscal Eletrônica tradicional (NFe). Com a mudança, o mesmo padrão passa a valer também para outros documentos, como o Conhecimento de Transporte (CTe), a Nota Fiscal de Energia Elétrica (NF3e) e a Nota Fiscal de Comunicação (NFCom), além de documentos usados por transporte de passageiros, gás e agronegócio (BPe, NFAg e NFGas).
Essa padronização é o que vai permitir que o sistema de Split Payment funcione de forma integrada: o Fisco, os bancos e as empresas passam a falar a mesma linguagem na hora de identificar como cada venda foi paga. Sem essa uniformização, seria muito mais difícil garantir que o valor certo do imposto fosse separado automaticamente em cada tipo de operação.
Quem é afetado
Essa mudança atinge principalmente empresas de setores específicos: transportadoras que emitem CTe, distribuidoras de energia que usam NF3e, empresas de telecomunicações com NFCom, além de negócios ligados a transporte de passageiros, distribuição de gás e agronegócio. Se sua empresa está em algum desses segmentos, o time responsável pela emissão de notas fiscais (interno ou terceirizado) precisa garantir que o sistema utilizado esteja atualizado para seguir a nova tabela de identificação de meios de pagamento.
Como funciona hoje
- Empresa recebe o valor total da venda
- Imposto é calculado e pago depois, por guia
- Cada documento fiscal pode registrar o pagamento de forma diferente
Como vai funcionar com o Split Payment
- Imposto é separado automaticamente no momento do pagamento
- Empresa recebe apenas o valor líquido, já sem o tributo
- Todos os documentos fiscais usam a mesma tabela de identificação de pagamento
Mesmo que sua empresa não emita diretamente esses documentos, vale ficar atento: a lógica que está sendo construída agora, de integração entre nota fiscal, sistema de pagamento e Fisco, é a mesma que vai se espalhar para outros tipos de documento fiscal ao longo da implementação da Reforma Tributária. Entender como isso funciona desde já ajuda a evitar surpresas quando chegar a vez do seu setor.
Como se preparar
A adequação segue diretrizes técnicas conjuntas entre os órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo sistema financeiro, com o objetivo de garantir que todos operem sob a mesma linguagem. Isso significa que a responsabilidade de ajuste recai principalmente sobre os sistemas de emissão de notas fiscais, que precisam estar preparados para usar corretamente a tabela nacional de meios de pagamento.
Se sua empresa usa um sistema próprio de emissão de documentos fiscais, é importante conversar com o fornecedor de software para confirmar que ele já está adaptando a ferramenta a essas novas regras. Quem terceiriza essa parte com um escritório de contabilidade deve manter o diálogo constante, já que a implementação do Split Payment será gradual e trará novos ajustes técnicos como este ao longo do processo de Reforma Tributária.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
