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Split payment: governo negocia taxa por transação; entenda o impacto

01/09/2026 16:004 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se você acompanha as mudanças da Reforma Tributária, precisa ficar de olho em uma discussão que pode mexer no custo das suas transações financeiras. O governo federal aceitou pagar R$ 0,39 por transação aos bancos e instituições financeiras que vão operar o split payment, o mecanismo que vai separar automaticamente os tributos no momento do pagamento de uma venda ou serviço. A decisão ainda não está fechada, mas já dá para entender o tamanho do impacto.

O split payment é uma das principais mudanças trazidas pela Reforma Tributária do Consumo. Na prática, ele muda a forma como sua empresa recebe pelo que vende. Hoje, você recebe o valor total da venda e recolhe os impostos depois. Com o novo sistema, a parte referente a tributos como IBS e CBS será separada automaticamente e enviada direto para o Fisco, antes mesmo de cair no seu caixa. O valor restante, já líquido de impostos, é o que chega até você.

O que muda com o pagamento aos bancos

Para que esse sistema funcione, bancos, instituições de pagamento, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS vão precisar se comunicar em tempo real. Isso exige investimento pesado em tecnologia, infraestrutura e segurança por parte do setor financeiro. É justamente por isso que o governo reconhece que vai precisar remunerar essas instituições pelo trabalho de identificar, separar e encaminhar os valores dos tributos a cada operação.

O valor de R$ 0,39 por transação foi definido por um grupo de trabalho interministerial, mas ainda depende de avaliações jurídicas, orçamentárias e de conveniência antes de virar regra oficial. Segundo o Ministério da Fazenda, o relatório é técnico e serve como base para uma decisão política que ainda será tomada. Vale lembrar que as negociações começaram com valores mais altos propostos pelo setor financeiro, que foram rejeitados pelo governo.

O que está em jogo com a taxa de R$ 0,39
1,3 a 1,5 bilhãooperações por anovolume estimado de transações que passarão pelo split payment quando estiver implementado.
R$ 6 trilhõesvalor movimentadoestimativa de recursos processados anualmente pelo sistema.
R$ 507 a 585 milhõesremuneração anual aos bancosvalor estimado a ser pago às instituições financeiras por ano com a taxa de R$ 0,39.

Um detalhe importante é que o cálculo da remuneração vai descontar o chamado "float" bancário, o período (normalmente de um dia) em que o dinheiro arrecadado fica nas mãos dos bancos antes de ser repassado ao governo. Nesse intervalo, as instituições financeiras conseguem gerar receita com esses recursos, e esse ganho entra na conta para definir quanto elas receberão pelo serviço.

A Controladoria-Geral da União (CGU), que também participa do grupo de trabalho, se posicionou contra o valor de R$ 0,39. A preocupação é que, com o volume gigantesco de transações previsto, pequenas diferenças na tarifa podem representar centenas de milhões de reais a mais ou a menos por ano. Além disso, falta clareza sobre os critérios usados para chegar a esse número, o que abre espaço para questionamentos sobre se o valor realmente reflete os custos reais dos bancos ou se representa uma remuneração excessiva.

Esse custo pode chegar até a sua empresa?

Ainda não existe uma tarifa de R$ 0,39 sendo cobrada diretamente de você em cada Pix, boleto ou pagamento com cartão. O valor discutido é a remuneração que o governo pagará às instituições financeiras pelo processamento do split payment. Mas isso não significa que o custo não possa chegar até as empresas de outras formas. Especialistas ouvidos sobre o tema avaliam que, quando uma nova estrutura de infraestrutura é atribuída ao sistema financeiro, é comum que esse custo acabe sendo incorporado ao preço dos serviços, podendo alcançar lojistas e consumidores por meio das tarifas cobradas nos meios de pagamento.

Outro ponto que ainda precisa de definição é a participação do Comitê Gestor do IBS, formado por representantes de estados, Distrito Federal e municípios. Como o split payment vai recolher tanto o tributo federal (CBS) quanto o estadual e municipal (IBS), a decisão sobre a remuneração dos bancos não pode ser tomada só pela União. Até o momento, o Comitê Gestor não se manifestou sobre o valor proposto.

Prazos que você precisa acompanhar

O governo pretende fechar a definição sobre a remuneração dos bancos até o fim deste ano. A partir de 2027, o split payment começa a ser oferecido de forma gradual e opcional para operações relacionadas à CBS. A obrigatoriedade nas transações entre empresas só deve valer depois que a estrutura estiver disponível para todos os meios de pagamento, o que a Receita Federal estima que aconteça a partir de 2028.

Por enquanto, essa discussão sobre a remuneração dos bancos não cria nenhuma obrigação imediata para sua empresa. Mas vale acompanhar de perto, porque o resultado dessa negociação pode influenciar diretamente as tarifas que você paga hoje em transações financeiras e, mais adiante, o custo efetivo de operar dentro do novo sistema de recolhimento de tributos. Fique atento às próximas etapas e, se tiver dúvidas sobre como a Reforma Tributária vai impactar seu fluxo de caixa, converse com seu contador para se antecipar às mudanças.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.