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Split payment: como o novo pagamento de IBS e CBS afeta seu caixa

17/08/2026 06:454 min de leituraAtualizado há 16 dias

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Um dos mecanismos criados pela Reforma Tributária, conhecido como split payment, promete mudar a forma como o dinheiro entra no caixa da sua empresa. Na prática, ele faz com que a parte do IBS e da CBS embutida em cada venda seja separada automaticamente e enviada direto para o Fisco no momento em que o pagamento é liquidado, seja por Pix, boleto, cartão ou outros meios. Você, empresário, passa a receber apenas o valor líquido da venda, sem aquele intervalo de tempo que hoje existe entre receber o dinheiro e pagar os tributos depois.

O que muda no seu dia a dia

Hoje, quando uma venda é feita, o valor total costuma cair na conta da empresa, e só depois os tributos são calculados e pagos. Esse intervalo, mesmo que curto, funciona como um respiro financeiro: muitos negócios usam esse dinheiro para pagar fornecedores, repor estoque, cobrir salários e contas do dia a dia antes de recolher os impostos. Com o split payment, esse respiro desaparece, porque o valor referente a IBS e CBS é retido e destinado ao Fisco já na hora do pagamento, antes mesmo de o dinheiro chegar até você.

Para dar uma ideia prática, imagine uma venda de R$ 1 mil na qual R$ 280 correspondam aos tributos (esse número é apenas um exemplo ilustrativo, não uma alíquota real). Nesse caso, o sistema de pagamento separaria os R$ 280 e destinaria essa parte ao Fisco, enquanto você receberia apenas R$ 720. É esse tipo de retenção automática que preocupa quem depende do fluxo de caixa das vendas para tocar a operação.

Impacto estimado nas grandes varejistas
R$ 12 biem tributos afetadosestimativa da Peers Consulting para as dez maiores varejistas de capital aberto do país.
40%do total de tributos pagosesse valor representaria cerca de 40% dos R$ 30 bilhões em tributos recolhidos por essas empresas.

Quem sente mais o impacto

A preocupação não é exclusiva das grandes redes de varejo. A Fecomercio de São Paulo já alertou que a redução da liquidez disponível tende a pesar principalmente sobre empresas de menor porte, que costumam ter menos margem para absorver mudanças bruscas no caixa. Com menos dinheiro disponível para financiar a operação do dia a dia, a avaliação é de que muitos negócios podem precisar recorrer a crédito bancário para cobrir capital de giro, o que representa um custo adicional que hoje não existe da mesma forma.

Por outro lado, o mecanismo também traz um ponto positivo: a expectativa é de que os créditos tributários a que sua empresa tem direito sejam liberados mais rapidamente. Hoje, esse processo pode levar meses, porque o Fisco precisa cruzar informações e confirmar se os fornecedores recolheram corretamente os tributos. Com o recolhimento acontecendo direto na liquidação do pagamento, essa verificação tende a ser mais ágil, o que pode compensar parte do aperto de caixa gerado pela retenção antecipada.

Prazos e como sua empresa pode se preparar

A implementação não será de uma vez só. A legislação prevê que o split payment entre em vigor de forma gradual, em pelo menos duas etapas. Na primeira fase, o uso pode ser facultativo e restrito a determinadas operações e formas de pagamento, conforme regulamentação conjunta da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. Só depois, em uma etapa posterior, o mecanismo deve alcançar o conjunto mais amplo de operações e arranjos de pagamento previstos nas regras.

Esse período de transição é a oportunidade para revisar como sua empresa administra o caixa. Vale reavaliar previsões financeiras considerando que uma parte do valor das vendas não estará mais disponível de imediato, negociar prazos com fornecedores e bancos, e verificar se os sistemas de faturamento e emissão de documentos fiscais estão preparados para se integrar aos meios de pagamento, já que essa integração tecnológica é uma exigência do novo modelo.

O split payment é mais um capítulo da Reforma Tributária que exige planejamento antecipado, e não apenas atenção às obrigações fiscais. Conversar com o setor contábil e financeiro do seu negócio desde já ajuda a entender o tamanho do impacto no seu caso específico e a montar uma estratégia de capital de giro compatível com a nova realidade de recebimento de recursos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.