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Split payment 2027: como vai funcionar e o que sua empresa deve fazer

24/09/2026 06:584 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

A partir de 2027, as empresas poderão optar por usar o split payment, novo mecanismo de recolhimento de tributos previsto na Reforma Tributária. A adesão será facultativa nesse primeiro momento, sem data definida para se tornar obrigatória. Mesmo assim, o tema já merece atenção porque envolve uma mudança direta na forma como o dinheiro das vendas chega ao caixa da empresa.

O que muda com o split payment

Hoje, quando uma venda é feita, o fornecedor recebe o valor total e depois recolhe os tributos devidos. Com o split payment, essa lógica muda: no momento do pagamento, uma parte do valor já é destinada diretamente ao Fisco, e o restante vai para o fornecedor. Ou seja, a separação entre o que é tributo e o que é receita da empresa passa a acontecer na hora da transação, não depois.

É importante destacar que, em 2027, essa forma de pagamento será opcional. Ainda não há confirmação sobre quando ela passará a ser obrigatória, nem se isso ocorrerá já em 2028. Por isso, vale separar bem as duas informações: a facultatividade em 2027 é certa; a obrigatoriedade futura, não.

Por que isso afeta o caixa da sua empresa

O principal impacto prático está no fluxo financeiro. Se parte do valor da venda passa a ser destinada diretamente ao Fisco no momento do pagamento, o montante que efetivamente entra no caixa da empresa pode ser menor do que o recebido hoje, exigindo ajustes nas projeções financeiras. Esse efeito tende a ser mais sensível em negócios com margens apertadas, alto volume de vendas ou muitas vendas a prazo.

Isso significa que será preciso reavaliar pontos como quanto da receita fica disponível de imediato para pagar despesas e fornecedores, como o mecanismo vai se comportar em vendas parceladas, e se haverá necessidade de buscar mais capital de giro para manter a operação funcionando normalmente.

Split payment: o que já está definido
2027início facultativoEmpresas poderão optar por usar o mecanismo.
2028obrigatoriedade indefinidaFisco ainda não confirma se a exigência começa nesse ano.

Não é só uma questão financeira

O split payment também exige mudanças operacionais que vão além do financeiro. Para funcionar, o mecanismo depende da integração entre o documento fiscal, o pagamento e o recolhimento do tributo, o que envolve sistemas de emissão de notas, meios de pagamento e ferramentas de conciliação trabalhando de forma coordenada. Por isso, a preparação não pode ficar restrita à área tributária: financeiro, fiscal, contábil, tecnologia e até a área comercial precisam entender os efeitos da mudança.

Entre os pontos que merecem avaliação estão a capacidade dos sistemas de identificar corretamente os valores de tributos, integrar dados fiscais e financeiros, conciliar pagamentos com documentos fiscais e lidar com diferentes formas de recebimento.

Como começar a se preparar

O fato de o mecanismo ser opcional em 2027 não significa que o assunto possa esperar. Esse período inicial é uma boa oportunidade para testar processos e identificar problemas antes de uma eventual obrigatoriedade.

O que fazer
01
Mapeie o fluxo de recebimentos

Entenda como o dinheiro entra no caixa hoje para comparar com o cenário do novo modelo.

02
Simule os impactos financeiros

Projete cenários para avaliar efeitos sobre caixa, margem e capital de giro.

03
Revise sistemas e ferramentas

Analise em conjunto ERP, sistemas fiscais, meios de pagamento e conciliação.

04
Acompanhe as regulamentações

Como a obrigatoriedade ainda não tem data, é essencial monitorar as próximas normas.

O split payment faz parte de uma transformação maior trazida pela Reforma Tributária, com a chegada do IBS e da CBS. Mais do que mudar a forma de apurar tributos, o novo sistema altera a relação entre faturamento, tributação e fluxo de caixa. Por isso, o planejamento tributário da empresa precisa passar a dialogar com o planejamento financeiro, respondendo não só quanto será pago de tributo, mas também quando esse valor sai do caixa e como isso afeta a operação.

Ainda que a obrigatoriedade não tenha data marcada, o momento é propício para antecipar análises sobre caixa, capital de giro, sistemas e processos internos. Empresas que começarem a testar e ajustar suas rotinas agora terão mais tempo para corrigir problemas antes que o split payment deixe de ser uma opção e passe a ser regra.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.