Selic em 13,75%: o que muda para pequenos negócios
18/09/2026 15:303 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
O Banco Central cortou a taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% ao ano. Foi a quinta redução seguida desde março, e o movimento acontece junto com outros sinais positivos na economia: a inflação está recuando, o desemprego está no menor nível em 14 anos e o PIB brasileiro cresceu de forma expressiva no segundo trimestre. Para quem administra uma micro ou pequena empresa, esse conjunto de fatores muda o ambiente de negócios e pede atenção redobrada em pontos como custos, preços, crédito e estoque.
Diante desse cenário, o Sebrae reuniu orientações práticas para ajudar pequenos negócios a se posicionarem melhor. A lógica é simples: juros mais baixos tendem a colocar mais dinheiro circulando na economia, o que pode se refletir em mais vendas, mais empregos e mais renda para as famílias. Mas aproveitar esse momento exige planejamento, não apenas esperar que as coisas melhorem por conta própria.
Custos e margens merecem uma nova conta
Com a queda de preços de itens como energia, alimentos e combustíveis, pode valer a pena revisar contratos com fornecedores. Se o seu custo de insumo caiu, existe espaço para recompor a margem de lucro sem precisar aumentar o preço final para o cliente. Isso significa que vale sentar e recalcular: quanto você está pagando hoje por matéria-prima, energia e outros itens essenciais, e quanto isso pode ser renegociado para melhorar o resultado do seu negócio.
Esse é também um bom momento para repensar a comunicação com o consumidor. Como o orçamento das famílias tem sido beneficiado pela queda de preços, mensagens que reforcem vantagem para o cliente, como preço justo e mais benefício pelo mesmo valor, podem ajudar a recuperar consumidores que reduziram as compras durante os meses de inflação mais alta. Reconquistar esse público pode ser parte central do planejamento comercial dos próximos meses.
Crédito e estoque pedem cautela
Por outro lado, o Sebrae chama atenção para um ponto sensível: a inadimplência está em 7,6%, e isso deve pesar na hora de conceder crédito diretamente ao cliente, seja em vendas fiadas, parcelamentos ou carnês. A recomendação é adotar critérios mais rígidos, principalmente para consumidores com histórico de atraso ou que já estejam com a renda muito comprometida. Vender a prazo sem esse cuidado pode comprometer o caixa da empresa quando os pagamentos não chegam como planejado.
O planejamento de estoque também entra na lista de cuidados, especialmente com a Black Friday e o Natal se aproximando. A orientação é trabalhar com estoques enxutos, ajustados ao nível real de consumo das famílias, evitando comprar em excesso e comprometer o capital de giro da empresa. Priorizar produtos com maior giro e melhores margens é uma forma de reduzir riscos nesse período de maior movimento comercial.
Para quem cuida da parte contábil e financeira dos pequenos negócios, esse cenário reforça a importância de acompanhar de perto como cada decisão, seja renegociar um contrato, ajustar preços, conceder crédito ou comprar estoque, afeta o fluxo de caixa e a rentabilidade da empresa. As orientações do Sebrae servem como um bom ponto de partida para essa avaliação junto aos empresários.
Na prática, o momento pede menos improviso e mais planejamento: revisar contratos, repensar a comunicação de preços, apertar os critérios de crédito e ajustar o estoque são passos concretos que podem fazer diferença no resultado do seu negócio nos próximos meses.
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