Selic deve continuar alta: o que isso muda para o crédito da sua empresa
03/11/2026 13:353 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você esperava uma redução rápida nos juros para facilitar empréstimos e investimentos da sua empresa, é melhor recalcular as expectativas. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou forte reação no mercado financeiro, com desvalorização do real e alta no índice de ações, deixando o Banco Central em posição delicada: equilibrar o controle da inflação com o custo já elevado do crédito no país. A maioria dos analistas consultados pela Reuters apostava na manutenção da Selic em 13,75% ao ano, patamar que pode persistir até 2027, segundo projeções do mercado.
O que muda
Na prática, a expectativa de juros mais baixos no curto prazo perdeu força. O motivo principal é a incerteza sobre como o novo governo vai conduzir as contas públicas nos próximos quatro anos. Investidores querem entender se Lula conseguirá manter os gastos sociais prometidos sem comprometer o equilíbrio fiscal. Enquanto essa dúvida não for respondida com mais clareza, o Banco Central tende a manter uma postura cautelosa, evitando cortes na taxa básica de juros.
O real perdeu 8,5% de valor frente ao dólar na semana da eleição, enquanto a Bovespa subiu cerca de 18%, um movimento que mostra a volatilidade e a divisão de expectativas entre os investidores. Um real mais fraco encarece produtos importados, o que pode pressionar os preços no mercado interno e dificultar ainda mais o trabalho do Banco Central de controlar a inflação.
Quem é afetado
Esse cenário afeta diretamente empresários que dependem de crédito para capital de giro, expansão ou renegociação de dívidas. Com juros altos por mais tempo, o custo do dinheiro continua pesado no caixa das empresas, especialmente para pequenos e médios negócios que não têm acesso a linhas de financiamento mais baratas. Também afeta famílias endividadas, já que o comprometimento da renda com pagamentos de dívidas atingiu recorde, o que tende a reduzir o consumo e, por consequência, as vendas de muitos negócios.
Setores que dependem de importação também sentem o impacto do real mais fraco, com aumento de custos em insumos e produtos vindos do exterior. Já quem exporta pode encontrar algum alívio no câmbio mais desvalorizado, mas o cenário geral de incerteza fiscal tende a limitar esse benefício, já que a confiança do mercado é frágil.
Como se preparar
Diante desse quadro, o mais prudente é não contar com uma queda rápida dos juros para os próximos planos financeiros do seu negócio. Revisar o orçamento, evitar endividamento desnecessário e buscar negociar condições de crédito com antecedência são medidas que ajudam a atravessar esse período de juros elevados com menos impacto no caixa.
Vale também acompanhar de perto as sinalizações do governo sobre política fiscal e as decisões do Banco Central, já que qualquer mudança nesse equilíbrio pode alterar rapidamente o cenário de crédito e câmbio. Para empresas que lidam com importação ou exportação, monitorar a variação do dólar se torna ainda mais importante para ajustar preços e margens com segurança.
Por fim, manter a saúde financeira da empresa em dia, com controle rigoroso de custos e planejamento tributário adequado, é uma forma de reduzir a dependência de crédito caro e ganhar mais estabilidade diante de um cenário econômico que ainda deve levar tempo para se definir com clareza.
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