Safra de milho 2025/26 bate recorde: entenda o que isso significa
03/08/2026 12:433 min de leituraAtualizado há 30 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A produção total de milho no Brasil na temporada 2025/26 deve fechar em 142,8 milhões de toneladas, um novo recorde histórico para o país. O número representa um crescimento de pouco mais de 1% em relação ao ciclo anterior e foi revisado para cima pela consultoria AgRural, principalmente por conta de uma melhora na expectativa de produtividade da segunda safra na região centro-sul.
Para quem trabalha com agronegócio, insumos, logística de grãos ou financia produtores rurais, esse dado importa porque sinaliza oferta robusta de matéria-prima para setores como ração animal, produção de etanol de milho e exportação. Mais milho disponível tende a influenciar preços, margens de negociação e planejamento de estoque ao longo da cadeia.
O que explica a revisão para cima
Segundo o analista da AgRural Adriano Gomes, o ajuste positivo veio de uma melhora na produtividade média em vários estados, com destaque para São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso, maior produtor nacional do cereal, mesmo as áreas de plantio mais tardio apresentaram boas médias na fase final da colheita, o que puxou a estimativa do estado para cima.
Apesar dessa melhora, a segunda safra, conhecida como "safrinha", deve ficar um pouco abaixo do recorde histórico registrado no ano passado. A projeção atual é de 110,5 milhões de toneladas, contra 113,2 milhões de toneladas em 2025. Ainda assim, o bom desempenho da safra de verão foi suficiente para garantir que a produção total do país batesse um novo recorde.
No centro-sul, especificamente, a estimativa da segunda safra subiu de 99,1 milhões de toneladas para 101,3 milhões de toneladas na revisão mais recente. O ritmo da colheita também avançou: até a última quinta-feira antes da publicação dos dados, 69% da área cultivada com a safrinha já tinha sido colhida na região, um salto em relação aos 60% da semana anterior, embora ainda abaixo dos 81% registrados no mesmo período do ano passado.
Impacto na demanda interna e nas exportações
Uma produção maior de milho ajuda o Brasil a suprir a demanda crescente da indústria de etanol de milho, segmento que vem ganhando espaço no país e que compete pela matéria-prima com outros usos, como ração animal e exportação. Para negócios ligados a essa cadeia, a notícia é positiva: mais oferta tende a reduzir pressões de escassez e ajudar na previsibilidade de custos.
Já no mercado externo, o cenário é mais desafiador. Segundo Gomes, a demanda internacional tem buscado milho de origens mais competitivas em preço, especialmente Estados Unidos e Argentina, o que dificulta o avanço das exportações brasileiras. Para que o Brasil exporte mais do que exportou em 2025, o analista pondera que seria necessário ver os preços em Chicago e o câmbio em níveis mais altos. Ele reconhece que ganhos recentes nos preços nos EUA têm favorecido um pouco a paridade de exportação brasileira, mas resume o cenário como de competição pesada no mercado global.
Para empresários e gestores que dependem do mercado de grãos, seja como fornecedores, compradores ou financiadores, o recado prático é: espere abundância de milho no mercado interno, o que pode favorecer negociações de compra e contratos de fornecimento, mas não conte com um cenário fácil de exportação no curto prazo. Acompanhar a cotação em Chicago e a variação cambial continua sendo fundamental para quem toma decisões de comercialização ou hedge nesse período.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
