Google financia usina solar para energia 24h em data centers: o que isso significa
03/09/2026 05:024 min de leituraAtualizado há 21 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você já deve ter notado como o assunto energia tem ganhado peso nas notícias sobre tecnologia. Um exemplo recente: o Google vai ser o principal comprador de eletricidade de uma usina solar de US$ 350 milhões que está sendo construída nos Estados Unidos, sobre uma antiga mina a céu aberto na Virgínia Ocidental. O diferencial do projeto é que ele combina painéis solares com dois tipos de bateria para conseguir entregar energia limpa 24 horas por dia, algo que a energia solar tradicional não consegue fazer sozinha, já que só gera eletricidade durante o dia.
O que muda
A usina, batizada de Mammoth Solar e construída pela empresa MN8 Energy, vai ter 86 megawatts de energia solar, além de baterias de lítio para armazenar energia de curto prazo e baterias de zinco, fabricadas pela Eos Energy, capazes de fornecer eletricidade por pelo menos 10 horas durante a noite. Isso resolve um dos maiores problemas da energia solar: ela para de gerar eletricidade quando o sol se põe. Com esse sistema misto de baterias, a ideia é manter o fornecimento constante, sem depender de outras fontes de energia durante a noite.
O projeto vai se conectar à principal rede elétrica da Costa Leste dos EUA quando for totalmente concluído, em 2030. O Google já garantiu contrato de compra de energia por 20 anos, o que dá à MN8 Energy segurança financeira para construir a usina e, ao mesmo tempo, garante ao Google um fornecimento de energia limpa e previsível para seus data centers no longo prazo.
Por que isso interessa ao seu negócio
Mesmo que você não tenha data center nem lide diretamente com energia solar, esse movimento tem relação direta com um problema que afeta empresas de todos os portes: o custo e a disponibilidade de energia elétrica. Nos Estados Unidos, o crescimento da demanda por eletricidade, puxado justamente pelos data centers que sustentam serviços de internet e inteligência artificial, está pressionando as redes elétricas e gerando resistência da população. Uma pesquisa da Gallup mostrou que 70% dos americanos se opõem à construção dessas instalações perto de suas casas, citando aumento nas tarifas de energia, consumo de água e poluição sonora como principais motivos.
Diante desse cenário, grandes empresas de tecnologia estão investindo pesado em energia limpa não só por questão ambiental, mas por conveniência e economia. Segundo o CEO da MN8, Jon Yoder, instalar novas turbinas a gás para gerar energia leva cerca de sete anos nos Estados Unidos, enquanto projetos de energia solar e baterias enfrentam menos entraves na cadeia de suprimentos. Isso torna a energia renovável, hoje, a opção mais rápida para atender à demanda crescente por eletricidade.
Outro ponto interessante do projeto é o reaproveitamento de área degradada: a usina está sendo construída em uma antiga mina de carvão a céu aberto, que estava abandonada. Segundo Yoder, o projeto conseguiu transformar um terreno improdutivo em uma área que volta a gerar valor econômico. Esse tipo de solução pode servir de inspiração para empresas brasileiras que também lidam com terrenos ociosos ou áreas industriais desativadas: energia solar tem sido uma alternativa cada vez mais viável para reaproveitar esses espaços.
Vale destacar ainda que esse movimento de investimento em energia limpa por parte das big techs ocorre mesmo após o governo dos Estados Unidos reduzir incentivos federais para energias renováveis. Ou seja, a decisão de investir em solar e baterias não está sendo motivada apenas por benefícios fiscais, mas por uma lógica de negócio: rapidez de instalação, previsibilidade de custo e estabilidade de fornecimento no longo prazo.
Para gestores brasileiros, o caso mostra uma tendência que já começa a chegar por aqui: a busca por fontes de energia mais previsíveis e independentes da rede elétrica tradicional, especialmente para negócios que dependem de operação contínua, como comércio, indústria e serviços de tecnologia. Acompanhar esse tipo de movimento pode ajudar na hora de planejar investimentos futuros em eficiência energética ou geração própria de energia, temas que também têm reflexo direto na gestão contábil e tributária do seu negócio.
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