Quem são as bilionárias brasileiras que construíram a própria fortuna
03/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 21 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um novo levantamento da Forbes sobre os bilionários brasileiros trouxe um recorte que merece atenção de quem acompanha o mundo dos negócios: das mulheres com fortuna de R$ 1 bilhão ou mais no país, apenas sete construíram esse patrimônio sozinhas, criando ou expandindo suas próprias empresas. São as chamadas "self-made", termo usado para diferenciar quem gerou riqueza própria de quem herdou fortuna da família.
Ao todo, essas sete empresárias somam uma fortuna de R$ 39,1 bilhões. O grupo reúne perfis bem diferentes entre si: de uma engenheira de 30 anos que fundou uma plataforma de apostas nos Estados Unidos até nomes já conhecidos do mercado brasileiro, como a cofundadora do Nubank e a presidente do Palmeiras e da Crefisa.
Quem são as sete bilionárias self-made
O nome que mais chama atenção nesta edição da lista é o de Luana Lopes Lara, de 30 anos, engenheira formada pelo MIT e ex-bailarina clássica. Ela é cofundadora da Kalshi, plataforma de mercado de predições nos Estados Unidos, e aparece como a segunda mulher mais rica do Brasil na lista geral, atrás apenas de Vicky Safra. Luana também é considerada a bilionária self-made mais jovem do mundo, um marco relevante para quem acompanha o crescimento de novos modelos de negócio ligados à tecnologia.
Outro nome de destaque é Cristina Helena Junqueira, cofundadora do Nubank. Ela entrou para a lista de bilionárias depois da abertura de capital da fintech na Bolsa de Nova York, em dezembro de 2021. Com cerca de 2,9% das ações da instituição, Cristina se tornou a primeira mulher a construir fortuna bilionária a partir de uma fintech no Brasil, um sinal de como o setor financeiro digital vem gerando riqueza em ritmo acelerado.
Márcia Pascoal Marçal dos Santos é sócia e esposa do empresário Marcos Molina, dividindo com ele as ações da holding que controla a Marfrig, hoje fundida com a BRF sob o nome MBRF. Além da participação conjunta, Márcia tem uma fatia própria na empresa, e passou a integrar a lista de bilionários separadamente à medida que o valor de mercado da companhia cresceu a partir de 2020.
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, construiu sua fortuna ao lado do marido José Roberto Lamacchia na Crefisa, financeira especializada em crédito pessoal para negativados. O casal também é sócio da Faculdade das Américas (FAM), fundada em 1998, e investe pesado no futebol, área em que Leila ganhou ainda mais visibilidade pública.
Trajetórias que atravessam gerações
Dulce Pugliese de Godoy Bueno fundou a rede de assistência de saúde Amil em 1972, junto com o então marido Edson de Godoy Bueno, que morreu em 2017. Depois do divórcio, ela deixou a gestão do dia a dia da empresa, mas manteve uma participação acionária relevante, o que a mantém entre as maiores fortunas femininas do país.
Julia Dora Koranyi Arduini, junto com o marido Riccardo Arduini, foi controladora da operadora ferroviária América Latina Logística (ALL), fundada em 1999. A empresa se fundiu em 2015 com a Rumo, do grupo Cosan, formando a Rumo Logística, hoje dona da maior malha ferroviária do país. Julia mantém um perfil discreto, mesmo com a relevância do negócio que ajudou a construir.
Por fim, Luiza Helena Trajano é a principal acionista do Magazine Luiza, ao lado dos filhos Frederico, Ana Luiza e Luciana. Ela comandou a presidência da rede entre 1991 e 2015, quando passou o cargo para Frederico e assumiu a presidência do conselho de administração. Sobrinha dos fundadores da empresa, criada em 1957 em Franca (SP) como a loja "A Cristaleira", Luiza é hoje um dos nomes mais conhecidos do varejo brasileiro.
Para quem gerencia um negócio, esses casos mostram um caminho comum apesar das diferenças de setor e geração: crescimento sustentado, participação societária consistente e, em muitos casos, a capacidade de transformar uma empresa familiar ou uma startup em um ativo de peso no mercado. É um retrato de como decisões de gestão e estrutura societária, tomadas ao longo dos anos, se traduzem em resultado financeiro concreto.
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