Safra recorde de milho na Argentina pode afetar preços no Brasil
12/08/2026 19:402 min de leituraAtualizado há 21 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A Argentina caminha para fechar a safra de milho 2025/26 com um volume recorde de 70,5 milhões de toneladas, número acima da estimativa anterior de 68 milhões de toneladas. O ajuste para cima, divulgado pela Bolsa de Cereais de Rosário, reflete o aumento da área plantada com a cultura no país vizinho, um dos maiores concorrentes do Brasil no comércio internacional de grãos.
Para quem administra negócios ligados ao agronegócio, seja produção, comercialização, logística ou insumos, esse tipo de informação importa porque a Argentina é o terceiro maior exportador mundial de milho. Um aumento na oferta argentina tende a pressionar os preços globais do grão, o que afeta diretamente a rentabilidade de quem produz ou comercializa milho no Brasil.
O que está por trás do número recorde
Apesar da colheita já avançada, com 75% da área plantada colhida, o ritmo dos trabalhos ficou abaixo do observado no ano passado. A Bolsa de Cereais de Rosário atribuiu o atraso a um mês de julho chuvoso e quente, condição que dificultou as atividades no campo. Ainda assim, a ampliação da área plantada foi suficiente para elevar a projeção total de produção.
Esse tipo de oscilação é comum no setor agrícola e mostra como fatores climáticos podem alterar rapidamente as expectativas de oferta, algo que empresários que dependem de commodities agrícolas precisam monitorar de perto para ajustar estratégias de compra, venda e formação de estoque.
O que vem pela frente para 2026/27
A bolsa argentina também apresentou as primeiras projeções para a safra 2026/27, cujo plantio de milho começa em setembro e o de soja em outubro. Para o milho, a expectativa é de produção de 66 milhões de toneladas, com queda de 7,3% na área plantada em relação ao ciclo anterior, equivalente a uma redução de 600 mil hectares. Já a soja deve somar 48 milhões de toneladas na próxima safra.
A entidade citou ainda a atuação do fenômeno El Niño como fator que deve favorecer a disponibilidade de água durante o plantio e o desenvolvimento das lavouras no próximo ciclo, reduzindo o risco de estiagem que costuma prejudicar a produtividade agrícola na região.
Impacto prático para o seu negócio
Para empresas brasileiras que compram, vendem ou exportam milho, seja na produção rural, na indústria de rações, na pecuária ou no comércio de insumos, o aumento da oferta argentina é um sinal de atenção. Mais milho disponível no mercado internacional tende a pressionar os preços para baixo, o que pode ser positivo para quem compra o grão como insumo, mas representa desafio para quem depende da venda do produto.
Vale acompanhar como esse cenário evolui nos próximos meses, especialmente porque a safra argentina ainda está em fase final de colheita e as projeções para 2026/27 dependem diretamente das condições climáticas nos próximos meses. Gestores que atuam com contratos futuros, planejamento de custos ou negociação de preços com fornecedores e clientes devem considerar esse contexto internacional na tomada de decisão, ajustando margens e estratégias comerciais conforme a evolução do mercado de grãos.
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