Roubo de bitcoin por falha em carteira: como proteger seus criptoativos
04/08/2026 17:343 min de leituraAtualizado há 29 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se a sua empresa ou você, pessoalmente, mantém bitcoin ou outras criptomoedas em carteira física, este é um alerta que merece atenção imediata. Uma falha de software identificada em dispositivos Coldcard, um dos modelos mais populares de hardware wallet (carteira física usada para guardar criptomoedas com mais segurança do que em corretoras ou aplicativos), resultou no roubo de mais de US$ 100 milhões em bitcoin. O problema afetou mais de 7.300 carteiras ao redor do mundo e os ataques, segundo a empresa de pesquisa Galaxy Research, ainda estão em andamento.
O que aconteceu
O erro está no firmware, ou seja, no software interno que faz o dispositivo funcionar. Desde março de 2021, a Coldcard vinha gerando as chamadas "seeds" (frases secretas de recuperação, compostas por uma sequência de palavras aleatórias) com um nível de aleatoriedade menor do que o prometido. Na prática, isso deixou essas frases mais fáceis de serem descobertas por hackers, que passaram a testar combinações de forma sistemática até acertar e esvaziar as carteiras.
A Coinkite, fabricante do dispositivo, confirmou o problema e já lançou uma correção para o firmware. Mas há um detalhe importante: atualizar o software não resolve o risco para quem já gerou uma seed comprometida antes da correção. Nesses casos, a orientação da própria fabricante é migrar todo o saldo para uma carteira nova, criada já com uma frase de recuperação gerada depois do reparo.
Quem foi afetado
Segundo o levantamento da Galaxy Research, foram identificados 1.596 bitcoins roubados em três ondas de ataques confirmadas, além de outros 14 incidentes menores. Ao considerar também casos ainda sob suspeita, o total pode chegar a 2.000 bitcoins, o equivalente a cerca de US$ 130 milhões. Um dado chama atenção: aproximadamente 600 dos endereços invadidos pertenciam a investigadores federais, empresas de conformidade regulatória e especialistas em crimes cibernéticos, ou seja, justamente quem deveria ter mais controle sobre segurança digital também foi vítima.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Bitcoins roubados (confirmados) | 1.596 BTC |
| Valor em dólares (confirmado) | US$ 102 milhões |
| Total possível, incluindo casos suspeitos | 2.000 BTC (~US$ 130 milhões) |
| Carteiras invadidas | Mais de 7.300 |
| Endereços de investigadores/empresas de compliance afetados | ~600 |
O episódio também coincide com um momento de volatilidade no mercado: o preço do bitcoin chegou a cair para cerca de US$ 62.700 na sexta-feira anterior, o menor patamar em três semanas, após a Strategy, maior detentora institucional de bitcoin do mundo, anunciar a venda de US$ 5 bilhões em criptomoeda para reforçar caixa. A cotação já recuperou parte da queda e voltou a superar US$ 64.000, mas o caso mostra como fatores de segurança e movimentos de grandes players podem afetar o valor do ativo em curto prazo.
Como se proteger se você guarda criptoativos
Para empresas que têm bitcoin ou outras criptomoedas no balanço, seja como reserva de valor, forma de pagamento internacional ou investimento, o caso reforça um ponto que muitas vezes é negligenciado: segurança de custódia é parte da gestão patrimonial, não um detalhe técnico. Se você usa dispositivos Coldcard ou qualquer outra carteira física, verifique se o firmware está atualizado e, principalmente, avalie se a seed atual foi gerada antes da correção. Em caso de dúvida, o mais seguro é seguir a recomendação da fabricante e migrar os recursos para uma carteira nova.
Vale lembrar também que criptoativos mantidos pela empresa ou por sócios precisam ser devidamente registrados na contabilidade e declarados ao Fisco, independentemente de estarem em corretora ou em carteira própria. Um evento como esse, que pode gerar perda patrimonial relevante, também tem implicações contábeis e tributárias que precisam ser tratadas com cuidado, especialmente na apuração de eventuais perdas. Se sua empresa lida com criptoativos, converse com o seu contador para entender como registrar corretamente essas movimentações e reduzir riscos, tanto de segurança quanto de conformidade fiscal.
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