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Robôs humanoides nas fábricas: por que a adoção em massa ainda não chegou

21/07/2026 05:024 min de leituraAtualizado há 44 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Você provavelmente já viu notícias sobre robôs humanoides fritando ovos, isolando fios ou trabalhando em linhas de produção. O volume de dinheiro investido nesse setor é enorme, algo em torno de 300 bilhões de dólares somando as principais empresas do ramo. Mas antes de imaginar um cenário de fábricas lotadas de robôs com duas pernas substituindo trabalhadores em massa, vale entender o que está de fato acontecendo e, mais importante, o que isso significa para quem toma decisões de investimento e gestão de pessoal no dia a dia.

Um dos nomes mais respeitados do setor de automação industrial, que acompanha o mercado de robótica há mais de quatro décadas, resume a situação de forma direta: o setor está vivendo um momento de exagero nas expectativas. Na prática, a maioria dos robôs humanoides em operação em fábricas ainda está em fase de teste, com resultados que ficam entre 20% e 50% de eficácia. Isso é muito pouco para justificar a substituição de processos já estabelecidos, já que empresas costumam exigir taxas de confiabilidade próximas de 100% antes de adotar qualquer tecnologia de forma definitiva.

O que muda para o seu negócio

Se você administra uma indústria ou lida com operações logísticas, o recado prático é: não é hora de apostar todas as fichas em humanoides. O que realmente importa para quem compra tecnologia de automação não é se o robô tem cara e pernas, mas se ele resolve um problema real de forma confiável e com custo acessível. Muitas empresas já usam robôs industriais tradicionais, aqueles braços fixos e rápidos, sem forma humana, que fazem o trabalho pesado há décadas com muito mais eficiência do que os humanoides conseguem hoje.

Outro ponto que merece atenção é a segurança. Ainda não existe um padrão de segurança definido para robôs humanoides, o que significa que a maioria opera isolada de pessoas, protegida por cercas ou portões. Até que essa questão seja resolvida, dificilmente veremos esses robôs circulando livremente ao lado de funcionários. Um único acidente grave, segundo especialistas do setor, pode paralisar todo o avanço do mercado, o que reforça a cautela na hora de planejar investimentos nessa área.

Robôs e empregos: o que os dados mostram

Existe um medo comum de que a automação acabe com postos de trabalho, e episódios como uma greve recente motivada por temor de robôs em uma fábrica automotiva alimentam essa preocupação. Mas dados acumulados por décadas no setor de automação industrial americano mostram um padrão diferente: quando as vendas de robôs sobem, o desemprego cai, e quando as vendas caem, o desemprego sobe. A explicação é simples: empresas que se automatizam ganham produtividade, conquistam mais clientes e, com isso, acabam contratando mais gente, não menos.

O verdadeiro risco para os empregos, segundo essa visão, não é o robô em si, mas a perda de competitividade da empresa que não se atualiza. Nos Estados Unidos, por exemplo, há hoje quase 500 mil vagas abertas na indústria, número que deve crescer significativamente na próxima década. O problema não é falta de trabalho, mas a dificuldade de encontrar pessoas dispostas a fazer tarefas repetitivas e desgastantes. Isso sugere que, para o gestor brasileiro, o caminho mais realista é pensar em automação como ferramenta de produtividade e retenção de talento, direcionando pessoas para funções de supervisão, instalação e manutenção dessas máquinas, em vez de temer um apagão de empregos.

Como se preparar

Para o empresário que avalia investir em automação, o momento pede planejamento e realismo. Antes de comprar qualquer solução robótica, seja ela humanoide ou não, avalie se o problema que você quer resolver realmente exige esse tipo de tecnologia ou se soluções mais simples e já testadas atendem melhor à sua operação. Considere também o cenário regulatório: normas de segurança ainda estão em construção, e isso deve ser levado em conta no planejamento de médio prazo, especialmente em setores com alta interação entre pessoas e máquinas.

Do ponto de vista estratégico, vale acompanhar como outros países estão se posicionando nesse mercado, já que a disputa geopolítica em torno da robótica industrial é intensa e pode influenciar preços, disponibilidade de tecnologia e cadeias de fornecimento no futuro. Para o gestor brasileiro, isso reforça a importância de manter a contabilidade e o planejamento financeiro alinhados a decisões de investimento em tecnologia, avaliando custo-benefício real antes de embarcar em modismos. A automação tem espaço garantido no futuro da indústria, mas o ritmo dessa transformação, pelo menos por enquanto, é mais lento e mais criterioso do que os grandes investimentos e as manchetes sugerem.

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