Regulação da IA no Brasil: o que já vale para sua empresa hoje
27/08/2026 14:004 min de leituraAtualizado há 6 dias
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se a sua empresa já usa alguma ferramenta de inteligência artificial, seja para atendimento ao cliente, análise de dados ou automação de processos, um debate recente envolvendo a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), bancos e o poder público pode afetar diretamente o seu negócio nos próximos meses. O tema central é claro: o Brasil ainda não tem uma lei específica para IA, mas já existem regras que se aplicam a esse uso, e novas normas estão sendo desenhadas.
O assunto veio à tona durante um painel do Febraban Tech 2026, evento sobre tecnologia no setor financeiro. Representantes da ANPD defenderam a criação de uma legislação própria para inteligência artificial, mesmo reconhecendo que a tecnologia já está sujeita a regras hoje, principalmente pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e por normas específicas de alguns setores. A visão da agência é que uma lei dedicada ao tema traria mais segurança jurídica tanto para quem desenvolve e usa IA quanto para as pessoas que têm seus dados tratados por essas ferramentas.
O que muda para quem usa IA no dia a dia
Um ponto importante do debate é que o risco de um sistema de inteligência artificial não deve ser tratado como algo fixo, igual para todas as situações. Segundo a ANPD, o contexto de uso é que define o nível de cuidado necessário: quem está usando a ferramenta, para qual finalidade e se o uso afeta diretamente consumidores ou apenas processos internos da empresa. Na prática, isso significa que uma IA usada para organizar planilhas internas tende a exigir menos controle do que uma IA que toma decisões sobre clientes, como aprovação de crédito ou triagem de currículos.
O setor privado, representado por um banco no painel, reforçou essa lógica de proporcionalidade. A avaliação apresentada foi de que os controles de segurança, transparência e auditoria devem ser proporcionais ao risco de cada aplicação, e não um modelo único para todas as situações. Também foi defendida a ideia de que a regulamentação deveria fixar princípios gerais, capazes de acompanhar a evolução da tecnologia, em vez de regras muito específicas que ficariam desatualizadas rapidamente.
ANPD defende norma própria além da LGPD, para dar mais segurança jurídica ao uso da tecnologia.
O nível de controle deve variar conforme quem usa a IA e qual é a finalidade da aplicação.
Setor privado defende controles de segurança e auditoria ajustados ao risco de cada sistema.
Poder público também está no centro da discussão
O uso de inteligência artificial pelo governo também apareceu como tema sensível. Uma representante do Ministério da Justiça destacou que os riscos precisam ser avaliados pelos efeitos concretos de um uso inadequado da tecnologia, e lembrou que as aplicações de IA na segurança pública vão muito além do reconhecimento facial, incluindo análise de informações, perícias e gestão. Um desafio apontado é que o Estado atua ao mesmo tempo como usuário da tecnologia e como responsável por criar as regras que vão limitá-la, o que exige atenção redobrada na hora de desenhar a futura legislação.
Apesar das diferenças de enfoque entre ANPD, setor privado e poder público, todos os participantes concordaram que segurança, proteção de direitos e avaliação de risco precisam estar no centro de qualquer regra sobre IA. A ANPD também citou o chamado sandbox regulatório, um ambiente controlado em que empresas e o órgão público acompanham juntos o desenvolvimento de soluções de IA antes de regras definitivas entrarem em vigor.
Como sua empresa deve se preparar
Para o empresário e o gestor, a mensagem prática é dupla: por um lado, ainda não existe uma lei específica de IA em vigor no Brasil, o que significa que não há uma nova obrigação imediata a cumprir; por outro, isso não quer dizer que o uso da tecnologia esteja livre de regras. A LGPD já se aplica sempre que uma ferramenta de IA trata dados pessoais de clientes, funcionários ou fornecedores, e normas específicas de determinados setores também podem alcançar o uso dessas ferramentas. Ignorar essas regras hoje pode gerar problemas mesmo antes de qualquer lei nova ser aprovada.
O recomendável é que empresas que já utilizam ou pretendem adotar sistemas de inteligência artificial comecem a mapear como essas ferramentas tratam dados e quais riscos envolvem, principalmente quando o uso afeta diretamente consumidores. Ter processos organizados de governança, ainda que simples, e acompanhar a evolução das discussões sobre regulamentação vai facilitar a adaptação quando novas regras específicas para IA forem, de fato, aprovadas.
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