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Reforma Tributária: por que revisar o ERP da empresa já agora

18/08/2026 07:073 min de leituraAtualizado há 15 dias

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Quando o assunto é Reforma Tributária, a conversa costuma girar em torno de alíquotas, créditos, IBS, CBS e Imposto Seletivo. Mas existe uma questão mais urgente para o dia a dia da sua empresa: os dados e sistemas que você usa estão preparados para aplicar as novas regras corretamente? O sistema só calcula bem aquilo que está bem cadastrado. E é exatamente aí que mora um dos maiores riscos da transição.

O que muda

Durante anos, muitas empresas conviveram com cadastros incompletos, classificações fiscais desatualizadas e erros corrigidos depois, já dentro do escritório de contabilidade. Esse jeito de trabalhar, corrigir depois que o problema aparece, tende a ficar cada vez mais arriscado com a Reforma Tributária. A qualidade do imposto calculado vai depender diretamente da qualidade da informação lançada na origem, ou seja, dentro do seu sistema de gestão (ERP), no momento em que a nota fiscal é emitida.

Isso significa que itens como cadastro de produtos, classificação fiscal, natureza das operações e regras de tributação deixam de ser apenas questões operacionais do dia a dia e passam a fazer parte da estratégia tributária da empresa. Uma assessoria contábil de qualidade não resolve o problema se o sistema estiver mal configurado por trás.

O cadastro de produtos merece atenção redobrada. Muitas empresas têm milhares de itens cadastrados há anos, sem revisão tributária, muitas vezes copiados diretamente do fornecedor, com produtos parecidos recebendo tratamentos fiscais diferentes dentro do mesmo sistema. Isso já é um risco hoje e deve pesar ainda mais em um ambiente tributário mais digital e integrado.

Quem é afetado

A mudança afeta especialmente empresas que vendem em marketplaces, têm várias unidades, trabalham com grande variedade de produtos ou usam vários sistemas ao mesmo tempo. Nesses casos, ERP, emissores de notas fiscais, plataformas de e-commerce, PDVs e sistemas financeiros precisam conversar entre si sem falhas, o que exige atenção conjunta de contabilidade, tecnologia e operação.

Também muda a forma como o contador atua junto ao cliente. Historicamente, o escritório entra depois que a nota já foi emitida: recebe os arquivos, confere a tributação e faz ajustes. O novo cenário exige que o contador participe antes, orientando parametrizações, revisando cadastros e validando cenários com antecedência, e não apenas corrigindo o que já foi feito errado.

Sinais de que seu cadastro precisa de revisão
01
Itens cadastrados sem revisão

Produtos incluídos no sistema há anos, sem checagem periódica da classificação fiscal.

02
Classificação copiada do fornecedor

Código fiscal replicado sem validação própria da empresa.

03
Produtos parecidos, tratamentos diferentes

Itens semelhantes com regras de tributação distintas no mesmo sistema.

04
Cadastro sem orientação tributária

Cadastros criados por pessoas que não receberam nenhuma orientação fiscal.

Outro movimento acontece ao mesmo tempo: a chegada da inteligência artificial aos escritórios de contabilidade. Ferramentas de IA podem ajudar a identificar inconsistências e revisar grandes volumes de documentos, mas não resolvem uma base de dados ruim por conta própria. Automatizar um processo errado só faz o erro se repetir mais rápido. Por isso, organizar dados e responsabilidades vem antes de escolher qualquer ferramenta.

Como se preparar

Essa transição também abre uma oportunidade para o escritório de contabilidade ampliar sua atuação junto às empresas. Revisão de cadastros, diagnóstico tributário, parametrização fiscal, auditoria de documentos e treinamento das equipes deixam de ser pequenos favores e passam a ser serviços estruturados, com valor claro para o cliente. Em vez de apenas informar quanto a empresa deve pagar de imposto, o contador passa a ajudar a construir uma operação que gera informação confiável desde a origem.

Não é preciso tentar prever todos os cenários futuros da regulamentação. O importante é construir agora uma base organizada, capaz de se adaptar rapidamente conforme as regras da Reforma Tributária forem avançando. Na prática, isso quer dizer: revise o cadastro de produtos, confira como o ERP está parametrizado e converse com seu contador antes de continuar emitindo notas fiscais no modelo atual. A pergunta não é quando começar a se preparar, mas por onde começar, e a resposta está dentro do sistema que sua empresa usa todos os dias.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.