Pular para o conteúdo
VoltarReforma tributária

Reforma tributária: por que o crédito de CBS pode travar seu caixa

28/10/2026 14:304 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Um levantamento recente acendeu um alerta para quem administra o caixa da empresa: com as novas regras da reforma tributária, o crédito da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) só poderá ser usado depois que o fornecedor efetivamente recolher o imposto. Na prática, isso significa que sua empresa pode comprar, pagar e só conseguir aproveitar o crédito tributário correspondente dias ou semanas depois, dependendo do comportamento fiscal de quem vendeu para você.

O estudo, feito pela Roit e divulgado no fim de outubro, mostra que essa diferença de ritmo entre o seu pagamento e o recolhimento do fornecedor pode atrasar o uso do crédito em até 33 dias em condições normais. Quando o fornecedor fica inadimplente com o Fisco, esse prazo pode chegar a 63 dias. A análise olhou para 65 grupos empresariais e 295 mil fornecedores, movimentando R$ 608,8 bilhões em compras por ano, e identificou R$ 16,35 bilhões em tributos que, nessas situações, correm o risco de não virar crédito ao longo de um ano. É importante destacar que esse valor é uma projeção baseada nos casos analisados, não uma perda já confirmada para todas as empresas.

O que muda na prática para o seu caixa

Hoje, muitas empresas conseguem planejar o fluxo de caixa sabendo que o crédito tributário de uma compra estará disponível em um prazo mais previsível. Com a nova regra, esse prazo passa a depender também da pontualidade do fornecedor em recolher o imposto. Se você paga a fatura antes de poder usar o crédito, precisa ter caixa de sobra para cobrir essa diferença temporal. Isso é especialmente delicado para negócios com margens apertadas ou que já demoram para receber dos próprios clientes: o descompasso entre pagar fornecedores, receber de clientes e recuperar créditos pode apertar ainda mais o caixa no dia a dia.

Vale lembrar que o impacto não será igual para todo mundo. Ele vai depender das condições comerciais que sua empresa negocia, dos prazos de pagamento praticados e, principalmente, de quão rigorosos seus fornecedores são no cumprimento das obrigações fiscais. Se os créditos não forem recuperados nas situações avaliadas pelo estudo, o efeito pode ir além do caixa: os custos dos insumos podem subir, e isso tende a pressionar os preços finais de produtos e serviços.

O que mostra o levantamento
Até 33 diasatraso em condições normaisDiferença entre o ciclo de pagamento e o recolhimento do fornecedor.
Até 63 diasatraso com inadimplênciaQuando o fornecedor não recolhe o tributo em dia.
R$ 16,35 bilhõesem risco de não virar créditoProjeção para os casos analisados ao longo de um ano.

Split payment: outra engrenagem que mexe no fluxo de caixa

Além da condição para o crédito, outro mecanismo da reforma que merece atenção é o split payment, sistema que separa e direciona automaticamente o valor dos tributos ao Fisco já no momento da transação financeira. Segundo análise do diretor-executivo e de Operações da Lumen IT, Régis Lima, publicada em maio pelo JOTA, essa antecipação do recolhimento reduz a margem de manobra que as empresas têm hoje para administrar entradas e saídas de dinheiro.

Isso fica mais claro em vendas a prazo: o imposto pode precisar ser recolhido antes mesmo de a empresa receber integralmente o valor da venda, criando um desencontro entre quando você paga tributo e quando o dinheiro realmente entra no caixa. Some-se a isso o fato de que o aproveitamento dos créditos pode acontecer em momentos diferentes dos pagamentos, e fica claro por que o período de transição entre os sistemas tributários vai exigir bem mais planejamento financeiro do que o habitual.

Prazos e como se preparar

O levantamento aponta 31 de dezembro de 2026 como data limite para as empresas ajustarem sistemas e processos internos antes da próxima fase da transição. A CBS passa a integrar o novo modelo em 2027, enquanto o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) segue seu próprio cronograma previsto em lei. Na prática, isso significa que o tempo para revisar contratos, prazos de pagamento e critérios de seleção de fornecedores já está correndo.

O que fazer
01
Mapeie seus fornecedores

Identifique quais costumam atrasar o recolhimento de tributos e avalie o risco para seus créditos.

02
Revise contratos e prazos

Ajuste condições comerciais para reduzir o descompasso entre pagamento e aproveitamento do crédito.

03
Reforce o controle de caixa

Simule cenários de atraso de até 63 dias para saber quanto capital de giro extra pode ser necessário.

04
Prepare sistemas até o prazo

Use o período até 31 de dezembro de 2026 para ajustar processos antes da próxima etapa da transição.

Apesar dos desafios que essa fase de transição traz para o fluxo de caixa, o objetivo da reforma tributária é simplificar o sistema de impostos sobre o consumo, reduzir a c

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.