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Reforma Tributária em 2027: como ajustar o orçamento da empresa

28/10/2026 16:304 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se você já está montando o planejamento financeiro de 2027, há um fator novo que não pode ficar de fora das contas: a Reforma Tributária. A partir de janeiro daquele ano, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substitui o PIS e a Cofins, e essa troca não é apenas uma mudança de nome ou de alíquota. Ela altera a lógica de cálculo de receitas, custos e despesas, o que significa que o orçamento da sua empresa precisa ser revisado com atenção, e não apenas atualizado com novos números.

O que muda na prática

A principal novidade é um modelo mais amplo de aproveitamento de créditos. Hoje, muitas empresas enfrentam restrições para usar créditos de PIS e Cofins, especialmente em despesas cuja essencialidade para a atividade é discutível. Com a CBS, a regra de creditamento passa a ser mais abrangente, respeitadas algumas exceções previstas em lei, como gastos de uso ou consumo pessoal. Outra mudança importante é que a CBS será cobrada "por fora" do preço, ou seja, o tributo aparece destacado e não compõe sua própria base de cálculo, o que muda a forma como os preços são apresentados e calculados.

Vale reforçar que essa transição não acontece isoladamente: o ICMS e o ISS continuam valendo durante esse período, o que significa que sua empresa vai conviver, por um tempo, com regras antigas e novas ao mesmo tempo.

Quem sente mais o impacto

Os efeitos variam bastante conforme o tipo de negócio e o regime tributário. Empresas que já usam créditos de ICMS, PIS e Cofins, como indústrias e comércios, tendem a perceber mudanças menos intensas em várias operações, já que parte da lógica de creditamento já é familiar para elas. Já prestadoras de serviços e negócios que hoje têm pouco acesso a créditos podem sentir alterações mais relevantes na composição dos custos, já que passarão a poder aproveitar créditos sobre aquisições que antes não geravam esse benefício.

Um ponto de atenção: gastos com mão de obra própria não geram créditos de CBS da mesma forma que a compra de bens e serviços tributados. Isso significa que empresas com operação intensiva em pessoal precisam calcular com cuidado o efeito real da mudança sobre sua estrutura de custos.

O que revisar no orçamento de 2027
01
Reveja a composição dos preços

Como a CBS é cobrada por fora, é preciso ajustar como o tributo aparece no faturamento e nas projeções de receita.

02
Mapeie os novos créditos possíveis

Identifique quais aquisições de bens e serviços passam a gerar crédito de CBS que hoje não geram.

03
Avalie o custo efetivo das despesas

Analise despesas administrativas e operacionais para entender se o custo líquido muda com o novo creditamento.

04
Considere a transição com ICMS e ISS

Lembre-se de que esses tributos continuam ativos nesse período, então o orçamento precisa refletir as duas realidades.

05
Analise receita, custo e despesa em conjunto

Evite revisar cada item isoladamente: uma mudança em créditos pode afetar margem, preço e política comercial ao mesmo tempo.

É importante entender que essas mudanças não devem ser olhadas separadamente. Uma alteração no aproveitamento de créditos pode mudar o custo de uma operação, que por sua vez afeta a margem de contribuição, a política comercial e a forma como os preços são formados. Imagine uma prestadora de serviços que hoje tem pouca possibilidade de crédito sobre PIS e Cofins: com a CBS, algumas aquisições passam a gerar créditos que antes não existiam, o que pode reduzir o custo efetivo da operação. Mas isso não significa, necessariamente, que a carga tributária total vai cair. O resultado final depende da combinação entre alíquotas, créditos disponíveis e a estrutura de custos de cada negócio.

Por isso, analisar receitas, custos e despesas de forma isolada pode gerar um orçamento que não reflete a realidade da transição. O ideal é integrar essas análises ao planejamento financeiro e comercial da empresa, levando em conta tanto a substituição do PIS e da Cofins quanto a permanência de outros tributos durante esse período.

Na prática, o orçamento de 2027 precisa ir além de uma simples atualização de projeções tributárias. Mais do que recalcular valores, o desafio é entender como essas mudanças se conectam com o resultado do seu negócio especificamente. Incorporar os efeitos da Reforma Tributária ao planejamento agora ajuda a construir cenários mais realistas, manter a previsibilidade financeira e tomar decisões mais seguras ao longo da transição. Se você ainda não começou essa revisão, vale buscar orientação contábil especializada para mapear os impactos específicos da sua atividade antes que 2027 chegue.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.