Reforma tributária no food service: o que bares e restaurantes já devem ajustar
28/09/2026 20:004 min de leituraAtualizado há 1 hora
Vale para: Lucro Presumido · Lucro Real · Simples Nacional
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você tem um bar, restaurante ou qualquer negócio de alimentação fora do lar, a Reforma Tributária já está mudando a forma como você emite notas fiscais, e isso vale desde já, não só lá na frente. O setor ganhou um benefício importante, a redução de 40% nas alíquotas dos novos tributos, mas esse desconto não é para tudo o que você vende. Errar na hora de classificar os itens na nota fiscal pode custar caro, e o prazo para se organizar está passando rápido.
O que muda para o seu negócio
A reforma criou dois novos tributos, a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal), que juntos formam o chamado IVA Dual. Eles vão substituir aos poucos PIS, Cofins, parte do IPI, o ICMS e o ISS. Para o food service, a boa notícia é a redução de 40% na alíquota desses tributos. A má notícia é que esse benefício não cobre tudo: bebidas alcoólicas e produtos comprados prontos de terceiros, sem preparo no seu estabelecimento, ficam de fora da redução. Na prática, isso significa que um mesmo estabelecimento pode ter, na mesma nota fiscal, itens com tributação reduzida e itens sem esse benefício, e essa diferença precisa aparecer corretamente em cada linha do documento.
Essa exigência de preenchimento correto já vale desde 1º de janeiro. Em agosto, o governo até adiou as regras que fariam o sistema rejeitar automaticamente notas fiscais com erro ou falta de informação sobre IBS e CBS, mas isso não significa que você pode deixar de prestar essas informações. A flexibilização apenas evita a rejeição automática, não elimina a obrigação.
Durante 2026, o governo concedeu um alívio: caso a fiscalização identifique falha no cumprimento das obrigações acessórias de IBS e CBS, você será notificado e terá 60 dias para corrigir a informação. Se a correção acontecer dentro desse prazo, a penalidade é cancelada. Isso não é uma licença para deixar para depois, é uma chance de ajustar o sistema sem sofrer punição imediata, desde que você corrija rápido quando for notificado.
Quem é afetado e o que vem em 2027
A regra de ajuste nas notas fiscais vale para empresas do Lucro Real e do Lucro Presumido desde já. Já quem está no Simples Nacional tem um prazo diferente: as mudanças nos documentos fiscais para esse regime só valem a partir de 2027. Mesmo assim, o acompanhamento deve começar agora, para não ser pego de surpresa quando a obrigação passar a valer.
A partir de 2027, bares e restaurantes também vão ter que lidar com o Imposto Seletivo, um novo tributo que incide sobre bebidas alcoólicas, tabaco e bebidas açucaradas. A diferença importante em relação ao IBS e à CBS é que o Imposto Seletivo não gera crédito para quem compra. Ou seja, ele encarece o produto sem possibilidade de abatimento depois, o que exige repensar preços e composição do cardápio com antecedência, e não na véspera da cobrança começar.
Como se preparar
O ponto central agora é o preenchimento correto dos documentos fiscais eletrônicos. É por meio deles que o governo vai fiscalizar as empresas de forma mais automatizada, o que reduz burocracia para quem está em dia, mas aumenta o risco para quem erra ou ignora a obrigação. Quem não preenche direito perde benefícios como a dispensa de recolhimento em certos casos e ainda pode ser cobrado de forma retroativa depois.
Usar desde já as alíquotas de teste que estão sendo aplicadas no sistema ajuda a enxergar como ficará o impacto tributário real do seu negócio, permitindo ajustar preços, renegociar com fornecedores e repensar o público que você atende. Quanto antes o seu sistema de gestão e os processos internos forem ajustados, menor o custo e o risco na hora em que as regras passarem a valer de forma plena.
O recado final é direto: 2026 não é um ano de folga, é o momento de rever preços e margens antes que o Imposto Seletivo comece a pesar em 2027. Fique atento também às normas que continuam sendo publicadas pelo governo, porque o novo sistema tributário já começou e não tem mais adiamento. Quem deixar para se adaptar depois vai sentir o custo tanto na fiscalização quanto na concorrência do mercado.
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