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Reforma tributária: como preparar seu sistema de gestão para as mudanças

10/08/2026 15:304 min de leituraAtualizado há 23 dias

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

A Reforma Tributária já é uma preocupação conhecida das áreas contábil e fiscal, mas há um setor que tem sentido o impacto de forma especialmente intensa: a tecnologia da informação. Isso porque a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) exige que os sistemas usados no dia a dia da empresa, sejam eles de gestão, emissão de notas fiscais ou controle de estoque, sejam ajustados para calcular e transmitir corretamente as novas informações tributárias. O problema é que essa adaptação está sendo feita ao mesmo tempo em que as próprias regras ainda estão sendo definidas, o que gera insegurança e retrabalho.

Na prática, isso significa que uma configuração feita hoje no seu sistema pode precisar ser refeita em poucas semanas, caso surja uma nova regulamentação ou um esclarecimento técnico sobre como aplicar o IBS e a CBS. Para o seu negócio, esse cenário representa custo extra, tempo de equipe dedicado a ajustes recorrentes e o risco real de erros na emissão de documentos fiscais, que podem gerar problemas com o Fisco.

O que muda na prática

A adaptação tecnológica exigida pela reforma vai muito além de simplesmente atualizar alíquotas nos sistemas. É preciso revisar o cadastro de produtos e serviços, a classificação fiscal usada pela empresa, as parametrizações internas dos softwares, os documentos fiscais eletrônicos emitidos e até os processos de integração com fornecedores e clientes. Um erro em qualquer um desses pontos pode se propagar para outras etapas do processo, comprometendo a qualidade das informações fiscais da empresa como um todo.

Esse é um dos motivos pelos quais a reforma tem sido descrita como um desafio de integração. Os departamentos de TI, fiscal e contábil, que muitas vezes trabalhavam de forma independente dentro das empresas, agora precisam atuar em conjunto. As regras tributárias dependem cada vez mais da capacidade dos sistemas de aplicar tratamentos específicos e transmitir dados no formato exigido pelo Fisco, o que torna a tecnologia parte central da conformidade fiscal, e não apenas uma ferramenta de suporte.

Quem é afetado

Todas as empresas que dependem de sistemas para emitir documentos fiscais, calcular tributos ou gerenciar operações comerciais estão no radar dessa mudança. Isso inclui negócios de diferentes portes e setores, já que o IBS e a CBS substituirão os principais tributos sobre o consumo hoje cobrados no país. Além disso, o impacto se estende à cadeia de fornecedores de sistemas e softwares de gestão, o que torna o processo ainda mais complexo: a adequação precisa acontecer em vários pontos simultaneamente, e não apenas dentro da sua empresa.

Prazos da transição

O cronograma da reforma é gradual e se estende até 2033, o que exige tratar a adaptação tecnológica como um processo contínuo, e não como uma mudança única. Em 2026, IBS e CBS entram em uma fase de teste, com alíquotas simbólicas: 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS. É o momento para as empresas ajustarem processos e sistemas sem o peso de uma cobrança efetiva. A partir de 2027, começam mudanças mais concretas na tributação sobre o consumo, com o novo modelo avançando progressivamente até sua implementação completa em 2033.

PeríodoO que acontece
2026Fase de teste, com alíquotas simbólicas de 0,1% (IBS) e 0,9% (CBS)
A partir de 2027Início de mudanças mais efetivas na tributação sobre o consumo
Até 2033Implementação gradual completa do novo modelo, substituindo os tributos atuais

Como se preparar

A recomendação para quem administra uma empresa é não esperar que todas as regras estejam totalmente consolidadas para começar a se movimentar. O período de transição, especialmente a fase de testes em 2026, é justamente a oportunidade de identificar inconsistências nos sistemas e corrigir problemas antes que as etapas mais relevantes da reforma entrem em vigor. Deixar essa adaptação para depois pode significar acumular ajustes urgentes justamente quando o impacto financeiro das mudanças for maior.

Na prática, isso passa por manter os sistemas atualizados, acompanhar de perto as normas técnicas que forem publicadas e, principalmente, criar uma rotina de comunicação constante entre a equipe de TI e as áreas responsáveis pela gestão tributária da empresa. Quanto mais rápido uma mudança na legislação for identificada e transformada em ajuste técnico, menor o risco de erros, retrabalho e problemas no cumprimento das obrigações fiscais.

No fim das contas, a Reforma Tributária deixou de ser apenas um assunto para o contador ou para o departamento fiscal. Ela também é, cada vez mais, uma questão estratégica de tecnologia. Empresas que tratarem essa adaptação como prioridade desde já, e não como algo para resolver na última hora, terão mais chances de atravessar a transição com menos dores de cabeça e menos riscos fiscais.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.