Quem são os bilionários mais velhos do Brasil em 2026
28/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 6 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acompanha o mundo dos negócios, vale conhecer um dado curioso do último levantamento da Forbes: os bilionários mais velhos do Brasil em 2026 têm em comum décadas de história empresarial construída antes mesmo de muitos setores da economia atual existirem. No topo da lista estão João Jacob Vontobel, fundador da Vonpar, e Daniel Miguel Klabin, herdeiro do grupo Klabin, ambos com 97 anos. No outro extremo aparece Amelie Voigt Trejes, de 21 anos, ligada à WEG, uma diferença de 76 anos entre o mais velho e a mais jovem da lista.
Quem lidera o ranking por idade
João Jacob Vontobel construiu a Vonpar, empresa fundada em 1948 que se tornou uma das maiores engarrafadoras de refrigerante do país, atuando com a Coca-Cola desde os anos 1950 e, mais tarde, também com as cervejas Kaiser e Heineken. Em 2016, ele vendeu a operação de bebidas para a mexicana Femsa, mas a família manteve a divisão de alimentos, que inclui a Neugebauer, apontada como a primeira fábrica de chocolates do Brasil, além de marcas como MuMu e Wallerius. No ranking geral de bilionários, ele caiu da 133ª para a 136ª posição, mas seu patrimônio permaneceu estável em relação ao ano passado.
Já Daniel Klabin, carioca e engenheiro civil formado pela UFRJ, é um dos herdeiros remanescentes dos fundadores da Klabin, com participação na holding Klabin Irmãos, que controla a empresa. Ele subiu treze posições no ranking geral, saindo da 203ª para a 190ª colocação, mesmo com o patrimônio recuando de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,6 bilhão no período.
Mineiros dominam o grupo dos mais velhos
Entre os cinco bilionários mais velhos do país, três são de Minas Gerais: Consuelo Andrade de Araújo e sua família, ligados ao Banco Mercantil do Brasil; Ivan Müller Botelho, da Energisa; e Alair Martins do Nascimento, fundador do Grupo Martins. Minas reúne 20 bilionários na lista completa de 2026, ficando atrás de São Paulo, com 95 nomes, e do Rio de Janeiro, com 37.
Consuelo é matriarca da família que controla o Banco Mercantil do Brasil, instituição que historicamente atuou no financiamento de pequenas empresas e, mais recentemente, ampliou a atuação em empréstimos consignados. Esse movimento ajudou as ações do banco a mais do que dobrar de valor, o que levou a família a entrar na lista deste ano com força: ela avançou 90 posições, passando da 253ª para a 163ª colocação, com patrimônio saltando de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,2 bilhões.
Ivan Müller Botelho é presidente de honra da Energisa, um dos maiores grupos de energia do Brasil, controlado pela família por meio da Multisetor. A empresa nasceu da Cataguases-Leopoldina, fundada em 1905, pioneira na geração privada de energia e uma das primeiras companhias brasileiras a abrir capital em bolsa, já em 1907. Hoje o grupo tem 75 subsidiárias no país. Botelho subiu 24 posições no ranking geral, indo da 99ª para a 75ª colocação, com patrimônio passando de R$ 4 bilhões para R$ 5,1 bilhões.
Alair Martins, por sua vez, transformou um armazém de 110 metros quadrados em Uberlândia, aberto em 1953, no Grupo Martins, único atacadista que atende todos os municípios brasileiros, com mais de 20 mil itens à venda. O grupo também inclui a rede Smart Supermercados, o Tribanco, a Tribanco Seguros, o cartão Tricard e iniciativas educacionais próprias. Ele avançou 11 posições no ranking, da 101ª para a 90ª colocação, com patrimônio subindo de R$ 3,9 bilhões para R$ 4,3 bilhões.
Um dado chama atenção quando se compara os dois grupos: apesar de reunirem trajetórias construídas ao longo de décadas, os cinco bilionários mais velhos somam R$ 16,2 bilhões, enquanto os cinco mais jovens, cuja riqueza vem majoritariamente de herança, somam R$ 24,1 bilhões. Isso mostra que tempo de mercado e valor de patrimônio nem sempre caminham juntos, especialmente quando empresas de capital aberto passam por forte valorização em bolsa.
Para você que administra um negócio, o ranking reforça uma lição prática: empresas familiares bem estruturadas, com governança clara e capacidade de se reinventar, como aconteceu com o Mercantil do Brasil ao entrar em novos produtos financeiros, conseguem gerar valor mesmo décadas depois de fundadas. A lista também é um lembrete de que sucessão e planejamento patrimonial são temas que merecem atenção desde cedo, independentemente do porte da empresa, já que decisões tomadas hoje moldam o valor do negócio nas próximas gerações.
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