Proibição do THC de cânhamo nos EUA pode ser adiada até dezembro
03/08/2026 17:543 min de leituraAtualizado há 30 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um mercado que movimentou mais de US$ 28 bilhões só no último ano está em compasso de espera nos Estados Unidos. Líderes do Senado americano apresentaram um projeto que adia a entrada em vigor de uma proibição federal sobre produtos de cannabis com THC, que estava marcada para 12 de novembro. Se aprovado, o adiamento empurra o prazo para 11 de dezembro, ganhando quase um mês extra para que o setor tente negociar uma solução definitiva com o Congresso.
O caso interessa a você mesmo que seu negócio não tenha relação direta com cannabis. Ele mostra, na prática, como uma mudança regulatória pode nascer de uma brecha legal, crescer até virar uma indústria robusta, gerar empregos e arrecadação, e depois enfrentar risco de fechamento da noite para o dia por decisão do governo. É um retrato útil para qualquer empresário que opera em setores dependentes de regulamentação ainda instável, seja no Brasil, seja em operações internacionais.
O que está em jogo
A origem de tudo é uma lei agrícola americana de 2018, que liberou o cultivo de cânhamo industrial desde que o produto final tivesse no máximo 0,3% de THC delta-9, a substância psicoativa da planta. Empresas descobriram como fabricar comestíveis, bebidas e outros itens que respeitam esse limite técnico, mas ainda assim produzem efeito intoxicante. Foi assim que surgiu um mercado paralelo de produtos com THC vendidos até em estados onde a maconha recreativa continua proibida.
No ano passado, o Congresso aprovou o fechamento dessa brecha, mudando a forma de calcular o THC nos produtos e, na prática, inviabilizando a maior parte dessa indústria. É essa mudança que está prestes a entrar em vigor, e é justamente ela que o novo projeto de lei tenta adiar. A ideia dos defensores do setor não é bloquear a regra para sempre, mas ganhar tempo para negociar uma regulamentação que permita ao mercado continuar existindo, só que sob regras mais claras.
Quem sente o impacto
O tamanho do problema ajuda a entender por que o adiamento virou prioridade para parte do Senado. A indústria de cannabis intoxicante gerou cerca de 300 mil empregos e US$ 1,5 bilhão em receitas tributárias para os estados americanos. Fabricantes de gomas, bebidas e vaporizadores dependem diretamente dessa cadeia, assim como distribuidores e varejistas que surgiram nos últimos anos, inclusive em estados que nunca liberaram a maconha para uso recreativo.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Mercado nacional de cannabis intoxicante (EUA, ano passado) | US$ 28 bilhões |
| Empregos gerados pelo setor | 300 mil |
| Receita tributária estadual gerada | US$ 1,5 bilhão |
| Mercado estimado no Texas (antes da ação estadual) | US$ 8 bilhões ao ano |
| Mercado estimado na Carolina do Norte | US$ 1 bilhão |
| Perda projetada de receita no Texas (ano fiscal 2026) | US$ 28,6 milhões |
| Perda projetada de receita no Texas (ano fiscal 2027) | US$ 8,5 milhões |
Um efeito colateral curioso aparece no setor de bebidas: cervejarias artesanais e distribuidoras, que vinham enfrentando queda nas vendas de álcool, encontraram nas bebidas com THC uma forma de atrair um público mais jovem, que bebe menos do que gerações anteriores. Em algumas cervejarias americanas, esses produtos já representam mais de um quarto do faturamento. Se a proibição avançar sem uma alternativa regulatória, esse tipo de negócio perde uma fonte de receita que ajudava a compensar a retração no consumo de álcool.
Prazos que merecem atenção
Por enquanto, nada está definido. O Senado e a Câmara dos Deputados americanos ainda precisam aprovar o projeto de adiamento para que ele valha. Uma votação procedimental inicial já foi marcada, mas o texto atual trata apenas de estender o prazo até 11 de dezembro, junto com o financiamento geral de agências federais. Ou seja, mesmo que passe, a discussão sobre o futuro definitivo do setor continua em aberto, e entidades ligadas à indústria já anunciaram que vão intensificar a pressão pelo Congresso por uma regra permanente nas próxim
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