Pular para o conteúdo
VoltarReforma tributária

Programa Confia é permanente: como aderir e o que isso muda na Reforma Tributária

04/08/2026 06:494 min de leituraAtualizado há 29 dias

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

A Receita Federal decidiu tornar permanente o Programa Confia, iniciativa que aproxima o Fisco de empresas com bom histórico de conformidade tributária. A novidade que mais interessa ao empresário é o novo papel que o programa passa a cumprir na Reforma Tributária: as companhias certificadas terão acesso direto a auditores para tirar dúvidas e resolver questões relacionadas à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo que entra em vigor em janeiro de 2027.

Até agora, 37 empresas conquistaram o chamado Selo Confia. Juntas, elas recolheram cerca de R$ 210 bilhões em tributos em 2025, valor que representa aproximadamente 7,5% de toda a arrecadação federal. Em 2024, essas mesmas companhias declararam receitas na casa de R$ 2,3 trilhões. São números que mostram o peso desse grupo na economia e ajudam a entender por que a Receita quer expandir o programa daqui para frente.

O que muda com a permanência do programa

Criado em 2021, o Confia nasceu para criar uma relação de cooperação entre Receita Federal e empresas com alto grau de conformidade fiscal. Depois de passar por fases de teste e por um piloto com 20 empresas, o programa concluiu seu primeiro ciclo de certificações e agora ganha caráter permanente. Na prática, cada empresa participante conta com um auditor da Receita como ponto de contato fixo, o que permite esclarecer dúvidas e corrigir possíveis inconsistências antes que elas virem autuações.

Segundo Flávio Vilela Campos, coordenador especial de Maiores Contribuintes da Receita Federal e chefe do Centro Confia, as empresas certificadas passam a ter prioridade em todos os serviços do órgão, incluindo pedidos de restituição de créditos, o que inclui os créditos relacionados à própria Reforma Tributária.

Como o Confia pode ajudar na transição da Reforma Tributária

Com a chegada da CBS e do IBS, as empresas vão precisar rever sistemas, processos fiscais e rotinas de apuração. A proposta do Confia é permitir que essa adaptação aconteça com mais segurança jurídica e menos surpresas, por meio de um diálogo permanente com o Fisco. Entre os temas já discutidos dentro do programa estão o aproveitamento de créditos de IBS e CBS sobre benefícios trabalhistas e despesas corporativas, o risco de bitributação na transição entre PIS/Cofins e CBS, o tratamento de contratos de longa duração, a compensação de incentivos fiscais estaduais, o funcionamento do split payment e as novas obrigações acessórias.

Ao todo, 234 temas fiscais compõem o plano de trabalho atual entre Receita e empresas participantes. Um dado chama atenção: segundo Flávio Campos, 60% dessas questões foram levantadas pelas próprias empresas, o que mostra um nível maior de confiança na relação entre contribuinte e Fisco.

Outro benefício prático é a possibilidade de autorregularização. Quando uma empresa participante identifica um problema fiscal, ela pode corrigi-lo antes de virar alvo de fiscalização, com chances de redução ou até isenção de multas, conforme as regras aplicáveis. Segundo a Receita, as dúvidas levantadas por uma empresa também servem para aperfeiçoar orientações que depois beneficiam todos os contribuintes.

Quem pode participar e como se preparar

O ingresso no Confia continua restrito a empresas que atendam critérios rigorosos de porte e governança. Na seleção mais recente, foram exigidos, entre outros pontos: receita bruta superior a R$ 2 bilhões, declaração de mais de R$ 100 milhões em tributos em 2025, endividamento inferior a 30% da receita e controles internos robustos de governança tributária. Dos 51 grupos inscritos nessa rodada, 43 tiveram a documentação validada, mas apenas 37 conseguiram o selo. A principal dificuldade das empresas eliminadas foi comprovar maturidade nos controles internos.

IndicadorSituação
Empresas com Selo Confia37
Grupos inscritos na última rodada51
Documentação validada43
Tributos recolhidos pelas certificadas em 2025Aproximadamente R$ 210 bilhões
Receita bruta mínima exigidaAcima de R$ 2 bilhões

Como parte dessa evolução, a Receita Federal também participou da criação da Norma Técnica ABNT NBR 17301, que estabelece diretrizes de governança tributária e deve servir de referência para empresas que pretendem entrar no programa futuramente. A ideia é padronizar boas práticas de gestão fiscal e fortalecer a cultura de conformidade dentro das organizações.

Mesmo que sua empresa ainda não atenda aos critérios de porte exigidos hoje, vale acompanhar de perto esse movimento. Com a Reforma Tributária avançando e temas como CBS, IBS, split payment e novas obrigações acessórias se tornando cada vez mais concretos, investir desde já em governança tributária e controles internos mais sólidos é o caminho recomendado por especialistas, tanto para quem mira uma futura certificação quanto para quem simplesmente quer atravessar a transição com menos riscos e menos dor de cabeça.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.