Preço de contabilidade em SP: por que o honorário pode estar defasado
03/09/2026 10:484 min de leituraAtualizado há 56 minutos
Vale para: Lucro Real · MEI · Simples Nacional
Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Uma pesquisa inédita feita pelo Sescon-SP em parceria com a Omie escancarou um problema que afeta diretamente o bolso de quem contrata serviços contábeis em São Paulo: os preços cobrados pelos escritórios estão, em muitos casos, defasados e mal estruturados. Isso pode significar dois cenários para você, empresário: ou seu contador está prestes a reajustar os honorários para se equilibrar financeiramente, ou está entregando menos serviço do que deveria para manter o preço baixo. Entender esse movimento agora ajuda a evitar surpresas contratuais nos próximos meses.
O levantamento ouviu 314 profissionais contábeis em todo o estado e mostrou que metade deles aponta a concorrência por preços baixos como o principal obstáculo para cobrar um valor justo pelo serviço. Isso acontece em um mercado ainda muito parecido entre si: 67% dos escritórios não têm uma especialização definida, atuando de forma genérica para qualquer tipo de cliente. Essa falta de diferenciação tende a intensificar a disputa por preço, o que no fim das contas pode comprometer a qualidade do atendimento que você recebe.
O que muda para quem contrata contabilidade
Um dado chama atenção: 73% dos escritórios cobram uma mensalidade fixa e 63% incluem nela todas as obrigações acessórias, ou seja, tarefas extras que aparecem ao longo do ano sem cobrança separada. Na prática, isso significa que muitos contadores vêm absorvendo custos extras sem repassar esse valor ao cliente. Com a Reforma Tributária em andamento, que deve aumentar temporariamente a quantidade de trabalho de adaptação e ajustes fiscais, esse modelo tende a ficar insustentável, e é provável que você veja escritórios revisando contratos e criando cobranças específicas para serviços que antes vinham "de graça" dentro da mensalidade.
Por outro lado, a pesquisa mostra que os contadores já começaram a se movimentar: 61% dos entrevistados definiram uma estratégia de precificação voltada para a Reforma Tributária, e 34% enxergam esse momento como uma chance de aumentar preços, principalmente ao oferecer serviços de consultoria mais especializada. Isso é importante para você entender: não se trata apenas de reajuste, mas de uma oferta maior de serviços de valor agregado, como orientação estratégica sobre como a mudança tributária afeta o seu negócio.
Ainda assim, esse tipo de serviço mais avançado ainda é minoria no mercado. Praticamente todos os escritórios (98%) fazem o trabalho contábil e fiscal básico, mas apenas 55% oferecem consultoria específica sobre a Reforma Tributária, e 45% trabalham com BPO Financeiro, que é a terceirização da gestão financeira da empresa. Se o seu contador ainda não oferece esse tipo de suporte, vale perguntar se pretende passar a oferecer, já que a demanda por esse tipo de serviço tende a crescer.
Quanto se cobra hoje em São Paulo
O estudo também mapeou os valores mínimos praticados conforme o regime tributário da empresa cliente. Os números ajudam a entender se o valor que você paga está dentro da média do mercado paulista ou fora da curva.
| Perfil do cliente | Faixa de preço mais comum | Participação |
|---|---|---|
| MEI | R$ 151 a R$ 250 | 31% |
| Simples Nacional | R$ 301 a R$ 500 | 42% |
| Lucro Real/Presumido | R$ 1.001 a R$ 2.000 | 30% |
| Holdings | R$ 1.001 a R$ 2.000 | 27% |
O próprio estudo alerta que o valor cobrado das empresas do Simples Nacional pode estar abaixo do necessário diante da complexidade que a Reforma Tributária vai trazer para esse grupo. Se sua empresa está no Simples e paga dentro dessa faixa, é um bom momento para conversar com seu contador sobre o que está incluso no serviço e se ele será suficiente para acompanhar as mudanças que vêm pela frente.
Como se preparar
Para o presidente do Sescon-SP, Antonio Carlos Santos, o objetivo da pesquisa é justamente ajudar o setor a tomar decisões com base em dados, e não em intuição, ajustando preços e posicionamento de forma mais consciente. Já o economista da Omie, Felipe Beraldi, reforça que escritórios que investem em tecnologia e especialização conseguem cobrar mais e crescer de forma mais sustentável, o que também tende a se traduzir em um atendimento mais estratégico para o cliente final.
Na prática, o recado para você, empresário, é: fique atento a possíveis reajustes ou renegociações de contrato nos próximos meses, especialmente se sua empresa está no Simples Nacional. Aproveite também para perguntar ao seu contador se ele já tem um plano de adaptação para a Reforma Tributária e se oferece (ou pretende oferecer) serviços de consultoria mais completos. Entender o que está incluído na sua mensalidade hoje evita desgastes futuros e ajuda a negociar um contrato mais justo para os dois lados.
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