Por que o Ibovespa caiu tanto e o dólar disparou após a eleição
26/10/2026 18:134 min de leituraAtualizado há 9 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você viu as notícias sobre a bolsa brasileira despencando e o dólar disparando na segunda-feira (26), não foi impressão sua: foi um dos dias mais turbulentos do mercado financeiro desde a pandemia. O Ibovespa, principal índice da bolsa, caiu 13,88%, a maior queda percentual desde março de 2020. O dólar, por sua vez, subiu 8,36%, a maior alta diária em 23 anos, fechando a R$ 5,4066. Para quem administra uma empresa, esse tipo de movimento pode parecer distante do dia a dia, mas tem efeitos diretos sobre custos, crédito e planejamento, especialmente se o seu negócio compra insumos importados, tem dívidas em dólar ou depende de juros para financiar operações.
O que explica a queda da bolsa e a alta do dólar
O movimento está ligado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciada no domingo. Até o primeiro turno, o mercado vinha precificando as ações e o câmbio apostando na vitória do senador Flávio Bolsonaro, que havia saído na frente com vantagem de 2,2 milhões de votos. Com isso, a bolsa chegou a bater recorde histórico, fechando em 206 mil pontos logo após o primeiro turno. Quando o resultado do segundo turno confirmou a vitória de Lula, essa expectativa precisou ser refeita às pressas, e o ajuste foi violento. Especialistas chamam isso de correção de preços: como o mercado já havia "comprado" a ideia de uma vitória de Bolsonaro, o risco de uma vitória de Lula simplesmente não estava refletido nos preços das ações e no câmbio.
Essa dinâmica é conhecida como "comprar no boato, vender no fato": investidores compram ativos antecipando um resultado e vendem quando ele se confirma (ou não se confirma), gerando movimentos bruscos de preço. É importante entender que parte dessa queda não reflete necessariamente um problema nas empresas brasileiras, mas sim uma correção de expectativas que estavam erradas.
A gravidade da queda foi tanta que a B3, a bolsa de valores brasileira, acionou o chamado "circuit breaker" logo na abertura do pregão, mecanismo que suspende as negociações por 30 minutos quando há risco de queda superior a 20%. Esse recurso não era usado desde março de 2020. No mercado de dólar futuro, a B3 também precisou ampliar os limites de oscilação diária, primeiro de 6% para 8,4%, depois para 12%, diante da forte pressão compradora pela moeda americana.
Quem sente mais o impacto
Bancos e empresas do setor financeiro foram os mais afetados, já que vinham sendo beneficiados pela expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro. Ações como Banco do Brasil, BTG Pactual, Bradesco e Itaú tiveram quedas superiores a 13%, algumas passando de 20%. Já empresas exportadoras, como Vale e Suzano, subiram, beneficiadas justamente pela alta do dólar, que torna suas exportações mais vantajosas em reais. Esse contraste é importante para você entender o próprio negócio: se sua empresa exporta, a alta do dólar pode até ajudar no curto prazo; se você importa insumos, equipamentos ou matéria-prima, o custo em reais aumenta imediatamente.
Setores sensíveis a juros, como varejo e construção civil, também sofreram bastante, com quedas expressivas em ações ligadas a imóveis e consumo. Isso reflete uma preocupação maior do mercado: incertezas sobre a política fiscal do novo governo, ou seja, como ele vai equilibrar gastos e receitas públicas nos próximos anos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai propor perseguir o centro da meta fiscal ao longo do ano, em vez do piso da margem de tolerância, mas o mercado ainda aguarda sinais mais claros sobre quem vai comandar a área econômica e qual será a estratégia para os próximos quatro anos.
Como se preparar
Instituições financeiras internacionais que acompanham o Brasil, como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Scotiabank, indicam cautela: esperam no máximo medidas modestas para conter gastos públicos, possível aumento de carga tributária e risco de novas quedas nas ações brasileiras antes do fim do ano, principalmente para empresas mais dependentes do mercado interno. Para o seu negócio, isso significa que a volatilidade pode continuar nas próximas semanas, até que o mercado tenha mais clareza sobre os rumos da política econômica.
Na prática, isso reforça a importância de revisar contratos com exposição ao dólar, renegociar prazos com fornecedores quando possível e evitar decisões financeiras precipitadas baseadas em um único dia de mercado. Como destacou a investidora Louise Barsi, momentos de instabilidade também podem gerar oportunidades, mas pedem cautela e análise criteriosa, não decisões no impulso. Se sua empresa tem dívidas atreladas ao dólar ou a juros, vale conversar com seu contador ou consultor financeiro para entender o impacto no fluxo de caixa e avaliar possíveis ajustes de precificação, especialmente se você depende de insumos importados ou de crédito bancário para capital de giro.
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