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Bem-estar animal na suinocultura: por que as metas de 2026 não serão cumpridas

27/10/2026 00:014 min de leituraAtualizado há 4 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.

Se o seu negócio compra, vende ou distribui carne suína, vale prestar atenção a um novo relatório que acabou de ganhar visibilidade no setor. A organização Alianima divulgou a sétima edição do Observatório Suíno, um levantamento anual que mede o quanto a indústria da carne suína está cumprindo promessas de bem-estar animal, especialmente a troca das celas individuais de gestação por sistemas coletivos. A conclusão principal: muitas empresas que prometeram terminar essa transição até 2026 estão longe de conseguir, e isso pode gerar consequências comerciais, reputacionais e até contratuais para quem está na cadeia produtiva.

O que está em jogo

O ponto central do relatório é a forma como as porcas matrizes são alojadas durante a gestação. No modelo tradicional, elas ficam em celas individuais, sem espaço para se movimentar. O modelo mais moderno, cobrado por consumidores, varejistas e redes de alimentação, usa baias coletivas, que permitem interação entre os animais. Essa mudança exige obras, reforma de instalações e novo planejamento de manejo, ou seja, investimento financeiro relevante para produtores rurais, cooperativas e frigoríficos.

Entre as empresas fornecedoras que participaram da pesquisa, 74,1% das matrizes já estão em sistema coletivo. Parece um número positivo, mas o próprio Observatório explica que esse percentual é mais alto justamente porque são as empresas mais avançadas que aceitaram responder ao levantamento. Quando se olha para o país como um todo, a estimativa é que apenas 45,1% do plantel nacional esteja no sistema coletivo, um avanço de apenas 0,2 ponto percentual em relação ao ano anterior. Ou seja, o setor como um todo caminha bem mais devagar do que a amostra sugere.

Quem está atrasado e quem avançou

O relatório traz exemplos concretos de empresas em estágios muito diferentes. Algumas já concluíram a transição, como JBS Brasil (Seara) e Ecofrigo, com 100% das matrizes em baias coletivas, e a Pamplona, com 97%. Outras, que tinham 2026 como prazo final, aparecem bem atrás: Aurora Coop está em 87%, Frimesa em 59% e MBRF em 57%. Para a Alianima, o ritmo de evolução dessas empresas nos últimos anos indica que cumprir o prazo dentro do previsto será difícil.

Um caso chama atenção pela direção contrária: a Pif Paf reduziu sua participação em baias coletivas em 11 pontos percentuais, foi para 48%, e retirou do site o compromisso de concluir a transição até 2029, adotando agora 2045 como novo prazo, amparada pela regra do Ministério da Agricultura que permite esse tipo de adequação gradual. A empresa também informou que 34% de suas matrizes ficam em celas individuais por mais de 35 dias, podendo chegar a 70 dias, situação que a Alianima não reconhece como alojamento coletivo.

O cenário da transição em números
74,1%das matrizes entre fornecedores participantesjá estão em sistema coletivo de gestação.
45,1%estimativa para todo o plantel brasileiroavanço de apenas 0,2 ponto percentual no ano.
80%das fornecedorasapontam dificuldade de financiamento como principal obstáculo.

Por que isso importa para o seu negócio

Se a sua empresa é fornecedora de carne suína, financiamento, precificação e planejamento de instalações são os três maiores obstáculos apontados pelo setor: 80% das fornecedoras citaram dificuldade de crédito, 70% mencionaram o preço final do produto como entrave e 60% falaram em dificuldades de planejamento das granjas. Isso significa que cumprir metas de bem-estar animal não é só uma questão de intenção, mas de caixa disponível e de acesso a linhas de crédito compatíveis.

Já se a sua empresa é compradora, como supermercado, rede de alimentação ou distribuidor, o relatório mostra um problema adicional: falta de transparência. Apenas 41% das companhias compradoras responderam ao levantamento, e 53% das que têm compromissos públicos nunca informaram em que estágio estão ou pararam de informar há pelo menos três edições. Isso é relevante porque consumidores, investidores e parceiros comerciais têm cobrado cada vez mais evidências concretas, não apenas promessas genéricas de bem-estar animal. Empresas como Carrefour, por exemplo, tiveram seu compromisso classificado como irregular pela Alianima, já que o percentual informado cobre apenas parte da linha de produtos, não toda a carne suína comercializada.

Como se preparar

Independentemente do tamanho do seu negócio, vale olhar para esse relatório como um termômetro de tendência de mercado, não apenas como uma pauta ambiental ou de imagem. Negociações comerciais, contratos de fornecimento e exigências de clientes institucionais tendem a incorporar cada vez mais esse tipo de critério. Avaliar com antecedência custos de adequação, linhas de financiamento disponíveis e prazos reais de transição pode evitar surpresas contratuais ou perda de competitividade frente a concorrentes que já avançaram nesse processo.

Se você atua na cadeia da suinocultura, seja como produtor, frigorífico, distribuidor ou comprador institucional, o momento é de mapear onde sua empresa está nesse processo e, principalmente, de documentar isso de forma transparente. O relatório mostra que falta de clareza nas informações já está sendo registrada publicamente, e isso pode pesar tanto na reputação quanto em futuras negociações comerciais com parceiros que exigem comprovação de práticas de bem-estar animal.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.