Por que a fortuna de Larry Ellison caiu US$ 104 bi em dois meses
16/08/2026 11:354 min de leituraAtualizado há 17 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Nos últimos dois meses, o bilionário Larry Ellison, fundador da Oracle, viu seu patrimônio derreter US$ 104 bilhões. Ele chegou a ser o segundo homem mais rico do mundo e hoje ocupa a oitava posição no ranking global de bilionários. O motivo não foi um escândalo, mas uma combinação de dívidas, apostas arriscadas em inteligência artificial e desconfiança do mercado financeiro. Para quem administra um negócio, o caso é um exemplo didático de como planos de expansão ambiciosos, quando mal explicados ao mercado, podem gerar desconfiança e destruir valor rapidamente.
O que aconteceu com a Oracle
A queda no patrimônio de Ellison está diretamente ligada ao desempenho das ações da Oracle, empresa da qual ele é o principal acionista. Os papéis chegaram a cair cerca de 54% entre o início de junho e o fim de julho, embora tenham se recuperado parcialmente depois. O estopim foi o anúncio de que a Oracle pretende captar US$ 40 bilhões em dívida e emissão de ações para financiar uma expansão pesada em infraestrutura de inteligência artificial. A empresa projetou um salto de 162% nos investimentos, prevendo gastos que podem ultrapassar US$ 95 bilhões até 2027.
O problema, segundo analistas de mercado, não é o tamanho da aposta em si, mas a origem do dinheiro que sustenta esses planos. Grande parte da carteira de contratos da Oracle, que soma US$ 638 bilhões, estaria concentrada em um único cliente: a OpenAI. Isso significa que, se a OpenAI ou outra grande cliente como a Anthropic reduzir a demanda por capacidade computacional, boa parte da receita futura da Oracle pode não se concretizar. A agência de classificação de risco S&P Global chegou a rebaixar a nota de crédito da empresa, alertando que o negócio de infraestrutura de IA pode ser lucrativo no futuro, mas caro demais no presente.
Vale lembrar que esse movimento não é exclusividade da Oracle. Wall Street tem alertado que várias gigantes de tecnologia podem estar gastando além da conta para acompanhar a corrida pela inteligência artificial. A Amazon, por exemplo, planeja desembolsar mais de US$ 200 bilhões em investimentos semelhantes. A diferença é que, no caso da Oracle, a dependência de poucos clientes grandes e o nível de endividamento assumido levantaram um sinal de alerta mais forte entre investidores e analistas.
Outro capítulo: a disputa pela Warner Bros. Discovery
Além do turbulência com a Oracle, Ellison está envolvido em outra operação de grande porte. Ele se comprometeu a dar uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões para viabilizar a oferta de US$ 110 bilhões que a Paramount, comandada por seu filho David Ellison, fez pela Warner Bros. Discovery. O negócio, porém, foi suspenso depois que a Paramount aceitou adiar a aquisição para 2027, em meio a uma ação judicial movida por 12 estados americanos que alegam que a fusão resultaria em preços mais altos e menos qualidade de conteúdo para o público.
O episódio também tem um componente político. David Ellison publicou um artigo afirmando que o escrutínio sobre a operação não seria apenas sobre concorrência de mercado, mas sobre sua credibilidade pessoal para comandar veículos de imprensa como a CNN, que pertence à Warner. Larry Ellison apoiou publicamente a reeleição de Donald Trump em 2024 e mantém proximidade com o governo americano, inclusive em projetos de infraestrutura de inteligência artificial nos quais a Oracle é uma das protagonistas.
O que isso ensina para quem toca um negócio
Mesmo em uma escala completamente diferente da realidade da maioria das empresas brasileiras, o caso Ellison traz uma lição prática: concentrar receita futura em poucos clientes e financiar expansão com dívida pesada é uma combinação que preocupa investidores, sócios e credores. Quando o mercado não enxerga clareza sobre como os investimentos vão se pagar, a confiança cai, mesmo que o plano de crescimento pareça promissor no papel.
Para empresários e gestores, o episódio reforça a importância de equilibrar ambição com transparência financeira. Antes de assumir dívidas para crescer, é fundamental ter clareza sobre a diversificação da carteira de clientes, a capacidade real de honrar compromissos e a comunicação com quem financia o negócio, seja banco, investidor ou sócio. Grandes planos exigem grandes garantias de sustentabilidade, e isso vale tanto para uma multinacional de tecnologia quanto para uma empresa de médio porte no Brasil.
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