Open Finance no Brasil: o que isso muda para sua empresa na prática
21/07/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 44 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Você provavelmente já usou o Open Finance sem perceber. Toda vez que um aplicativo bancário mostra o saldo de uma conta em outra instituição, sugere uma transferência para evitar o cheque especial ou permite pagar por aproximação com o celular, existe uma engrenagem funcionando nos bastidores. Segundo Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), essa infraestrutura já responde por algo entre 10 bilhões e 12 bilhões de trocas de informações por semana no país, um volume que, segundo ele, é prova concreta de que o sistema está sendo usado, mesmo que de forma invisível para quem está do outro lado da tela.
O Open Finance é o sistema, regulado pelo Banco Central, que permite que você autorize o compartilhamento dos seus dados financeiros entre bancos, fintechs e outras instituições, além de possibilitar o início de pagamentos sem precisar abrir o aplicativo do banco onde a conta está. A ideia por trás disso é simples: devolver ao cliente o controle sobre as próprias informações financeiras e, com isso, estimular mais concorrência e produtos mais personalizados no mercado.
Um sistema que já supera 100 milhões de conexões
Cinco anos depois do início da implementação no Brasil, o Open Finance atingiu uma escala que coloca o país à frente de referências internacionais. Vilain cita mais de 110 milhões de consentimentos únicos e cerca de 160 milhões quando somados todos os tipos de autorização dados por clientes. O Brasil não foi pioneiro: o modelo se inspirou no Reino Unido, que começou o projeto com sete instituições financeiras e uma base de cerca de 10 milhões de clientes. Hoje, no entanto, o cenário se inverteu.
| Mercado | Usuários conectados |
|---|---|
| Reino Unido (Open Banking) | cerca de 13 milhões |
| Brasil (Open Finance) | mais de 100 milhões |
Levantamentos internacionais confirmam essa liderança. O Global Open Finance Index, produzido pela Open Banking Excellence em parceria com a Universidade de Oxford e o Banco Mundial, já projetava o Brasil assumindo a ponta global até 2023 ou 2024. Estudos posteriores, como o Índice de Maturidade do Open Finance no Brasil, da Capgemini, reforçaram essa posição, apontando 77% de maturidade do ecossistema brasileiro em 2024, próximo de mercados como Reino Unido e Austrália. A edição de 2025 do mesmo estudo, com mais de 1.200 pessoas ouvidas, apontou o Brasil como líder global na agenda.
Por que isso importa para o seu negócio
Para quem administra uma empresa, o Open Finance não é só uma peça de infraestrutura bancária distante da rotina. Ele muda a forma como bancos e fintechs enxergam o seu histórico financeiro. Ao autorizar o compartilhamento de dados entre instituições, você abre caminho para análises de crédito mais rápidas e completas, já que o banco consultado não depende apenas do que você já movimenta ali, mas pode enxergar o retrato completo das suas contas, mesmo as mantidas em outras instituições. Isso tende a facilitar negociações de crédito, linhas de capital de giro e até condições mais competitivas em produtos financeiros.
Vilain usa a metáfora de um brinquedo de encaixe para explicar como isso funciona na prática: cada funcionalidade do Open Finance, como agregação de dados ou iniciação de pagamentos, é uma peça que bancos e fintechs combinam para montar novos serviços rapidamente. Um exemplo citado por ele é o de instituições que avisam o cliente quando uma conta em outro banco entra no cheque especial e já oferecem uma transferência para cobrir o saldo negativo. Para empresas com múltiplas contas bancárias, esse tipo de integração pode simplificar bastante a gestão financeira diária, reduzindo o retrabalho de acompanhar cada instituição separadamente.
O Pix teve papel central nesse avanço, segundo Vilain. Ele consolidou a digitalização dos pagamentos e mudou hábitos de forma tão profunda que algumas fintechs nem desenvolveram a função de TED, já que o pagamento instantâneo resolvia a necessidade de transferência. Para o seu negócio, isso significa menos dependência de processos burocráticos de recebimento e pagamento, com dinheiro entrando e saindo da conta de forma praticamente imediata, o que impacta diretamente o fluxo de caixa.
Como se preparar
Se a sua empresa ainda não usa os recursos do Open Finance de forma ativa, vale conversar com o seu banco ou fintech sobre as funcionalidades disponíveis para consolidar contas, agilizar análises de crédito e automatizar pagamentos. Como o sistema depende de consentimento, é importante entender exatamente o que está sendo autorizado e por quanto tempo, revisando periodicamente essas permissões junto às instituições financ
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
