Networking presencial ganha força como diferencial de negócios na era da IA
21/08/2026 05:033 min de leituraAtualizado há 13 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A inteligência artificial está tornando a comunicação entre empresas mais rápida e automática, mas isso não fez o contato pessoal perder importância. Pelo contrário: dados e depoimentos de empresários mostram que o encontro presencial voltou a ser tratado como ferramenta estratégica para fechar negócios, construir parcerias e ganhar a confiança de clientes. Para quem administra uma empresa, entender esse movimento pode ajudar a decidir onde investir tempo e recursos em relacionamento comercial.
O que muda
Uma pesquisa mostrou que 62% dos líderes empresariais consideram que a IA aumentou a necessidade de conversas e alinhamentos feitos por pessoas, não por máquinas. Esse percentual sobe para 82% quando o assunto são decisões importantes. Ou seja: quanto maior o peso da decisão, mais as empresas sentem falta do contato humano direto, mesmo tendo à disposição ferramentas digitais cada vez mais sofisticadas.
Outro levantamento, feito pela rede hoteleira Accor, reforça esse ponto: uma única reunião presencial teria o mesmo impacto de cerca de três reuniões virtuais. Além disso, 35% dos entrevistados afirmaram que vale a pena arcar com o custo e o tempo de uma viagem por causa do valor comercial gerado pelo encontro pessoal. Na prática, isso significa que o retorno do investimento em um encontro presencial pode compensar o gasto extra de logística.
Quem é afetado
O efeito aparece em setores bem diferentes. No ramo de manutenção residencial, o diretor de uma empresa de encanamento e ar-condicionado relatou que cerca de oito em cada dez parcerias de indicação de clientes nasceram de uma reunião presencial, e não de e-mails ou mensagens em redes profissionais. Um exemplo citado foi um contrato de gestão de 34 imóveis, fechado após uma conversa informal em um evento do setor, sem apresentação formal, e renovado todos os anos desde então.
No mercado de casamentos, um empresário com mais de duas décadas de atuação em marketing digital contou que um único contato feito em uma feira de negócios, em 2006, gerou indicações comerciais por mais de dez anos, superando o retorno de campanhas publicitárias pagas. Segundo ele, o digital garante volume de contatos, mas é o encontro presencial que garante relacionamentos duradouros.
Esse padrão também aparece em negócios que lidam com sustentabilidade e com comunidades voltadas a relacionamento. Empresas relatam que passaram a ser mais seletivas: usam ferramentas digitais para o trabalho do dia a dia e reservam viagens e encontros presenciais para os casos em que a confiança do outro lado é decisiva, como grandes clientes ou parcerias estratégicas.
Como se preparar
Para o gestor, a lição prática é que o digital continua sendo essencial para dar velocidade e alcance ao negócio, mas não substitui o momento em que a confiança precisa ser conquistada de fato. Isso é especialmente relevante quando o assunto envolve grandes contratos, parcerias de longo prazo ou situações em que o cliente ainda está decidindo se confia na empresa.
Vale também considerar o critério de sustentabilidade e custo: nem toda reunião precisa ser presencial. A recomendação que aparece nos relatos é usar o digital para manter o relacionamento e avançar tarefas de rotina, e reservar o presencial para os momentos em que a decisão é grande, a confiança é o fator central e o resultado da conversa pode mudar o rumo do negócio.
No fim, o cenário reforça que eficiência digital e profundidade no relacionamento presencial não são escolhas opostas, mas complementares. As empresas que têm se destacado, segundo os relatos, são justamente as que sabem quando usar cada uma.
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