Minerais críticos: por que a Europa aposta no Brasil e como isso afeta empresas do setor
20/07/2026 16:254 min de leituraAtualizado há 44 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O Brasil fechou 2025 com US$ 11,4 bilhões em vendas externas de minerais críticos e estratégicos, crescimento de 12,5% em relação ao ano anterior. Desse total, US$ 4,3 bilhões, ou 37,6%, foram para a União Europeia, bloco que depende quase inteiramente de outros países para abastecer sua indústria de baterias, energia eólica, semicondutores e defesa. Se você atua em mineração, siderurgia, logística ou serviços ligados a essas cadeias, esse movimento não é um dado distante: é um sinal de que a demanda por matéria-prima brasileira tende a crescer, e junto com ela, o volume de capital, contratos e oportunidades de fornecimento.
Cobre é o carro-chefe dessa relação comercial. O Brasil vendeu US$ 6,04 bilhões do metal ao mundo em 2025, alta de 19,5%, e mais da metade dessas exportações (52,3%) foi parar na Europa. Níquel segue padrão parecido, com 44,9% do volume exportado destinado ao bloco europeu, e o grafite aparece com 37%. Terras raras, apesar do peso ainda pequeno em valor absoluto, chamam atenção pelo ritmo: as exportações da cadeia saltaram 246,7% em um ano, para US$ 14,9 milhões. São números que mostram onde a demanda está aquecendo primeiro, e que podem orientar decisões de investimento ou de diversificação de fornecimento em empresas que dependem desses insumos.
Reservas gigantes, produção pequena
O ponto central do levantamento é uma distância enorme entre o que o Brasil tem no subsolo e o que efetivamente coloca no mercado. Em terras raras, o país detém 24,7% das reservas globais, mas responde por apenas 0,5% da produção mundial, a maior distância entre reserva e produção de toda a análise. Em grafite, são 23,9% das reservas contra 3,6% da produção. Em níquel, 11,4% das reservas e 1,8% da produção. O lítio é a exceção: com 1,5% das reservas globais, o Brasil já produz proporcionalmente mais, 4,1% da produção mundial, sinal de que a extração nesse mineral avança num ritmo diferente dos demais.
| Mineral | Reservas globais | Produção mundial |
|---|---|---|
| Terras raras | 24,7% | 0,5% |
| Grafite | 23,9% | 3,6% |
| Níquel | 11,4% | 1,8% |
| Lítio | 1,5% | 4,1% |
| Nióbio | 65,6% | 92,9% |
O nióbio é o único caso em que o Brasil já domina de ponta a ponta: 65,6% das reservas mundiais e 92,9% da produção global, usado em ligas de aço de alta resistência e componentes eletrônicos. É a posição mais forte do país em toda a cesta analisada, uma vantagem competitiva que nenhum concorrente deve alcançar no curto prazo. Para empresas que atuam nessa cadeia, isso significa estabilidade de mercado e menos risco de concorrência externa imediata, um cenário bem diferente do observado em terras raras, grafite e níquel, onde o país ainda precisa investir pesado para transformar potencial geológico em produção real.
De onde vem o dinheiro
Transformar reserva em produção exige capital, e aqui aparece outra assimetria relevante para quem planeja negócios no setor. O BNDES já bateu, em dezembro de 2025, a meta de R$ 300 bilhões destinados a projetos de transição energética e industrial, sendo R$ 271 bilhões em crédito, R$ 21 bilhões em recursos não reembolsáveis e R$ 8 bilhões em participação acionária. Em fevereiro de 2026, o banco anunciou mais R$ 70 bilhões para a Nova Indústria Brasil ainda neste ano, com R$ 12 bilhões reservados para o eixo voltado à indústria mais verde. Um exemplo prático desse fluxo de recursos é o financiamento de R$ 486,7 milhões concedido à Sigma Mineração para ampliar em 250 mil toneladas por ano sua produção de concentrado de lítio, mostrando que linhas de crédito público já estão sendo direcionadas para projetos concretos.
Do lado europeu, o volume potencial de capital é muito maior. Entre 2021 e 2024, a União Europeia mobilizou mais de € 306,8 bilhões em investimentos sustentáveis, dos quais € 31,5 bilhões foram para a América Latina e o Caribe, com expectativa de alavancar até € 232 bilhões adicionais. O programa Horizon Europe, voltado a pesquisa e inovação, tem orçamento de € 93,5 bilhões até 2027, com previsão de subir para € 175 bilhões no período seguinte. Ainda assim, o capital privado europeu efetivamente aplicado no Brasil é pequeno: numa base de 28 projetos greenfield mapeados, somando US$ 7,15 bilhões em Capex, Austrália e Canadá respondem por 48,6% e 37,3% do funding, enquanto a Europa aparece com apenas 4,9%, cerca de US$ 351 milhões. A exceção fica por conta do silício, onde investidores europeus concentram mais de 90% do valor dos projetos, embora em volume ainda modesto.
O que isso significa para o seu negócio
Na comparação regional, o Brasil concentra 16,9% dos projetos greenfield mapeados na América Latina, mas fica com apenas 7,1% do
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