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Mercado Livre: por que o lucro caiu mesmo com receita recorde no trimestre

05/08/2026 19:433 min de leituraAtualizado há 28 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

O Mercado Livre voltou a registrar queda no lucro líquido no segundo trimestre, a terceira consecutiva, mas os números ainda vieram melhores do que o mercado esperava. A empresa lucrou US$466 milhões no período, acima da projeção de analistas, que era de US$433 milhões, e faturou US$10,2 bilhões em receita líquida, um crescimento de 50% em relação ao ano anterior, o maior avanço em quatro anos.

Para você que empreende ou administra um negócio, esse resultado é um bom retrato de uma decisão estratégica comum: crescer investindo pesado, mesmo que isso reduza a lucratividade no curto prazo. O Mercado Livre optou por ampliar o frete grátis no Brasil e expandir a emissão de cartões de crédito, movimentos que custam caro agora, mas que a empresa aposta que vão gerar retorno maior no futuro.

O que explica a queda no lucro

Segundo Leandro Cuccioli, vice-presidente sênior de relações com investidores da companhia, a queda no lucro tem duas causas principais: o aumento dos investimentos em frete grátis desde o ano passado e as provisões financeiras ligadas à expansão dos cartões de crédito. Provisionar recursos para cobrir possíveis inadimplências é uma prática contábil comum quando uma empresa expande rapidamente sua carteira de crédito, e isso reduz o resultado no papel, mesmo que o negócio esteja crescendo de forma saudável.

O lucro antes de juros e impostos (EBIT) somou US$683 milhões, uma queda de cerca de 17% em relação ao ano anterior, mas ainda acima da estimativa dos analistas. A margem EBIT recuou de 12,2% para 6,7% no comparativo anual. Ou seja: a empresa está vendendo mais e faturando mais, mas ganhando proporcionalmente menos em cada venda, exatamente o efeito esperado de uma estratégia de investimento agressiva.

Crescimento de clientes e carteira de crédito

Um dos destaques do trimestre foi o salto no número de usuários que utilizam tanto a plataforma de comércio eletrônico quanto o Mercado Pago simultaneamente: esse grupo cresceu 37%, bem acima da faixa de 20% a 30% registrada um ano antes. Para Cuccioli, esse é o público mais valioso para a empresa, porque realiza mais transações e gera mais lucratividade do que quem usa apenas uma das frentes de negócio.

A carteira de crédito da companhia também avançou com força, chegando a cerca de US$16 bilhões, alta de 75% em dólares, puxada principalmente pelos cartões de crédito. A taxa de inadimplência entre 15 e 90 dias ficou em 7%, um pouco acima do que há um ano, mas menor do que no trimestre anterior, sinal de que o crescimento do crédito está sendo acompanhado de algum controle de risco. O volume processado no negócio de adquirência, ligado ao processamento de pagamentos para outros comerciantes, cresceu 42% em base neutra de câmbio.

O que isso significa para o seu negócio

O caso do Mercado Livre ilustra bem uma tensão que muitas empresas brasileiras enfrentam ao crescer: até que ponto vale a pena sacrificar margem hoje para ganhar mercado e fidelizar clientes no futuro? A resposta da empresa, reforçada pelo executivo, é que a estratégia está funcionando e não deve mudar no curto prazo, já que os investimentos em frete e crédito têm gerado alavancagem operacional e reinvestimento contínuo no próprio negócio.

Se você lidera uma empresa que também está expandindo linhas de crédito, ampliando benefícios logísticos ou investindo em fidelização, vale acompanhar de perto o equilíbrio entre crescimento de receita e margem de lucro. Provisões, inadimplência e investimentos estruturais aparecem primeiro no resultado contábil antes de se traduzirem em ganho real, e entender esse movimento ajuda a tomar decisões mais informadas sobre até onde investir e quando ajustar o ritmo.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.