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Mercado de cerveja cresce e liga alerta tributário para empresários do setor

07/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 27 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

O mercado mundial de cerveja está em plena expansão e isso interessa diretamente a quem trabalha com produção, distribuição, bares, restaurantes e varejo no Brasil. Segundo levantamentos de consultorias internacionais, a receita global do setor já está entre US$ 898 bilhões e US$ 916 bilhões, com projeções de superar US$ 1,2 trilhão até o início da próxima década. É um setor que continua crescendo mesmo em meio a mudanças no comportamento do consumidor, e que no Brasil segue sendo um dos pilares da indústria de alimentos e bebidas.

De acordo com o presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel, o mercado cervejeiro industrial brasileiro deve ter um crescimento mais moderado nos próximos anos, mas continua sendo uma indústria gigantesca: responde por cerca de 2% do PIB nacional e recolhe mais de R$ 50 bilhões em impostos por ano. Para quem empreende nessa cadeia, isso significa operar em um setor maduro, mas ainda relevante o suficiente para atrair atenção regulatória e concorrência.

Um setor que pesa na economia brasileira

O Brasil ocupa posição de destaque no ranking mundial de consumo e produção de cerveja. O país fez parte do crescimento de 1,6% no consumo registrado na América Central e do Sul em 2024, segundo o relatório Global Beer Consumption, da Kirin Holdings. Enquanto isso, a China lidera o consumo mundial há 22 anos consecutivos e a Ásia concentra cerca de um terço de todo o consumo global, com a República Tcheca mantendo a liderança em consumo per capita há 32 anos.

No mercado interno, o Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária, traz números que mostram a dimensão da cadeia produtiva no Brasil. Se você trabalha com fornecimento para cervejarias, distribuição ou varejo especializado, vale observar a concentração geográfica: São Paulo lidera em número de fábricas e o Sudeste reúne quase metade das cervejarias do país.

IndicadorNúmero em 2025
Cervejarias registradas no Brasil1.954, em 794 municípios
Produção nacional de cerveja15,68 bilhões de litros
Produtos registradosMais de 44 mil
Marcas comerciaisMais de 56 mil
Saldo da balança comercial de cervejaSuperávit recorde de US$ 195 milhões

Mudança no consumo abre espaço para novos produtos

Para quem pensa em lançar ou ampliar uma linha de produtos, os dados de diversificação chamam atenção. Segundo Maciel, o mercado não está perdendo consumidores, mas ganhando categorias: "a gente tem uma mudança de comportamento, mas não necessariamente é uma mudança de comportamento no sentido das pessoas pararem de beber. Elas têm mais categorias hoje em dia", afirma. As cervejas lager ainda dominam o mercado mundial, com cerca de 76% da receita global, mas o segmento artesanal já movimenta mais de US$ 94 bilhões por ano.

No Brasil, a categoria sem glúten teve a maior expansão do setor, com crescimento superior a 417% no volume produzido em apenas um ano. A cerveja zero, que chegou ao país em 2019, também se consolidou como sucesso de vendas e está presente em praticamente todos os pontos de venda, segundo o executivo do Sindicerv. Se você atua no varejo, na produção ou na distribuição, esse é um sinal claro de que vale a pena revisar o portfólio: produtos com menor teor alcoólico, sem glúten ou de nicho artesanal têm espaço crescente de mercado, mesmo dentro de um setor tradicionalmente dominado por poucas marcas de grande volume.

O que vem com a reforma tributária

Um ponto de atenção direto para o bolso de quem produz, distribui ou vende cerveja é a definição do futuro Imposto Seletivo, previsto na reforma tributária. O Sindicerv defende que a tributação siga o modelo adotado internacionalmente, com cobrança proporcional ao teor alcoólico da bebida. Segundo Maciel, hoje a carga tributária já representa 56% do preço final da cerveja para o consumidor brasileiro. A entidade não está pedindo redução, mas sim que essa carga não aumente com a regulamentação da reforma.

Para empresários do setor, esse é um tema para acompanhar de perto nos próximos meses. Qualquer definição sobre a forma de cobrança do Imposto Seletivo pode alterar diretamente a margem de produtos com diferentes teores alcoólicos, o que impacta desde grandes indústrias até pequenas cervejarias artesanais que vêm crescendo no país.

No comércio exterior, o setor brasileiro fechou 2025 com resultado positivo: superávit recorde de US$ 195 milhões na balança comercial de cerveja. O Paraguai continua sendo o principal destino das exportações nacionais, enquanto os Estados Unidos passaram a liderar o fornecimento de cerveja importada em volume para o Brasil. Esses dados são um bom termômetro para quem avalia oportunidades de exportação ou parcerias comerciais no setor.

Na prática, o cenário para quem trabalha com cerveja no Brasil combina três frentes de atenção: acompanhar a diversificação de produtos e adaptar o portfólio a novos hábitos de cons

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