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Lucro das empresas brasileiras deve cair em 2027: veja quem é afetado

29/09/2026 16:595 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

Se você espera que a queda dos juros traga alívio rápido para o caixa da sua empresa ou dos seus clientes e fornecedores, um novo relatório da Moody's Ratings pede cautela. A agência projeta que o lucro agregado das empresas brasileiras (medido pelo indicador Ebitda, que soma o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve cair 3,3% em 2027, chegando a US$ 144,5 bilhões. Em 2026, a expectativa é de US$ 149,4 bilhões. Na prática, isso significa que o ambiente de crédito caro, consumo mais fraco e custos pressionados deve continuar afetando a capacidade das empresas de gerar caixa e pagar dívidas, mesmo com o ciclo de corte de juros em curso.

Quem é afetado

O estudo abrange empresas não financeiras e de infraestrutura, e os sinais de piora já aparecem nos números da própria agência. Entre janeiro e setembro deste ano, a Moody's fez 20 ações negativas envolvendo empresas brasileiras, o que não significa necessariamente 20 rebaixamentos, mas indica revisões de avaliação de crédito para pior. Em 15 de setembro, cerca de 23% das empresas não financeiras avaliadas pela agência no país tinham perspectiva negativa, ou seja, quase uma em cada quatro empresas corre risco de ver sua nota de crédito piorar à frente. Isso importa para o seu negócio porque afeta diretamente o custo e a disponibilidade de crédito para essas companhias, com reflexos em toda a cadeia de fornecedores e parceiros.

Panorama da pressão sobre as empresas
23%empresas com perspectiva negativadas empresas não financeiras avaliadas pela Moody's em setembro.
3,3%queda projetada no lucro agregadoEbitda das empresas brasileiras deve cair em 2027.
1/3da dívida com juros flutuantesparcela da dívida corporativa com rating exposta a variações da taxa de juros.

Um dos fatores centrais dessa pressão é o endividamento atrelado a juros flutuantes: quase um terço da dívida corporativa com rating no Brasil está nessa condição, segundo a Moody's. Isso significa que, mesmo com a Selic caindo, dos atuais 13,75% ao ano para um consenso de mercado de 12% até o fim de 2027, o custo do dinheiro continuará pesando sobre empresas de setores como varejo, distribuição de combustíveis, agronegócio, locação de veículos, transporte, energia e saneamento. As mais vulneráveis são aquelas que entraram no ciclo de juros altos já endividadas e com muitas dívidas vencendo no curto prazo. A agência cita o caso da Cosan, que tinha cerca de R$ 28 bilhões em dívida indexada a taxas flutuantes em fevereiro, e que depende da venda de ativos para reduzir o endividamento e fortalecer sua estrutura de capital.

No setor de infraestrutura, o problema é outro: os planos de investimento continuam grandes mesmo com o financiamento caro. A Moody's cita compromissos de R$ 54 bilhões da Axia até 2030, R$ 44 bilhões da Cemig e R$ 31 bilhões da CPFL. Esses valores exigem acesso constante a recursos externos e podem manter o fluxo de caixa dessas empresas negativo por bastante tempo, ou seja, mesmo depois de investir, elas podem precisar de mais financiamento para fechar as contas. A Aegea, por exemplo, depende de financiamento externo, dividendos de subsidiárias e apoio de acionistas para se manter equilibrada.

Setores sob pressão específica

A indústria do aço enfrenta um problema adicional: a concorrência de produtos importados, principalmente da China. Dados do Instituto Aço Brasil citados no relatório mostram que as vendas domésticas de aço devem cair 1,7% em 2026, enquanto as importações já somaram 3,3 milhões de toneladas nos primeiros sete meses do ano, o equivalente a 22% do consumo aparente no país. A Moody's não vê espaço para reajustes de preços no mercado interno no próximo ano, o que afeta diretamente empresas como CSN, Usiminas e Gerdau. No minério de ferro, a expectativa é de preços entre US$ 90 e US$ 100 por tonelada até o fim de 2026, com a demanda mais fraca da China limitando a valorização, embora a Vale tenha liquidez e indicadores de crédito considerados sólidos. Já na celulose, os preços da fibra curta de eucalipto rondam US$ 600 por tonelada, abaixo do patamar considerado ideal, com a Suzano se sustentando por ter custos baixos e volumes de produção robustos.

Há ainda um risco que não depende de juros nem de mercado: o clima. Segundo o relatório, alimentos e energia elétrica residencial representam juntos cerca de 23% da cesta que compõe a inflação oficial (IPCA). Perdas agrícolas somadas a aumento no custo da eletricidade podem prolongar as pressões inflacionárias, e a intensidade do El Niño será decisiva para o tamanho desse impacto. Culturas como soja, milho, trigo, café e cana-de-açúcar estão entre as mais expostas, assim como a pecuária e o transporte de cargas. Uma safra menor de milho e soja eleva o custo da ração para produtores de proteína animal, afetando empresas como JBS e MBRF. No setor elétrico, reservatórios mais baixos podem forçar mais uso de usinas termelétricas, o que encarece o sistema como um todo.

Como isso pode afetar seu negócio

Se você é fornecedor, cliente ou parceiro de empresas desses setores, vale ficar atento: a Moody's também destaca que o setor de serviços, que vinha se beneficiando do mercado de trabalho aquecido e dos salários reais em alta, deve enfrentar consumidores mais cautelosos em 2027. Isso significa que repassar aumentos de custos para o preço final tende a ficar mais difícil, um alerta importante para quem vende produtos ou serviços que dependem do consumo das famílias.

Na prática, o cenário pede atenção redobrada ao planejamento financeiro nos próximos meses. Negociar prazos com fornecedores

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