Balanço do BB: lucro sobe, mas inadimplência preocupa empresas e agro
13/08/2026 13:584 min de leituraAtualizado há 20 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
O Banco do Brasil fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, resultado 3,3% maior do que no mesmo período do ano passado e 13,9% acima do primeiro trimestre deste ano. O número superou as projeções de analistas, que esperavam algo em torno de R$ 3,6 bilhões. Junto com o balanço, o banco anunciou a distribuição de R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio complementares. Apesar do lucro maior, o relatório trouxe um sinal de atenção: a inadimplência voltou a crescer em várias frentes, o que interessa diretamente a quem toma crédito ou negocia com o banco.
O que mostram os números de crédito
A carteira de crédito expandida do BB somou R$ 1,31 trilhão em junho, crescimento de 1,5% em 12 meses. Na pessoa física, a carteira chegou a R$ 357,6 bilhões, com alta de 4,4% no ano, mas leve recuo de 1,2% em relação ao trimestre anterior. É exatamente nesse público que o problema aparece com mais força: a inadimplência acima de 90 dias entre pessoas físicas foi de 8,41%, contra 6,82% três meses antes e 5,59% um ano atrás. O cartão de crédito foi um dos produtos que mais pioraram. Além disso, a formação de novos créditos em atraso entre pessoas físicas mais que dobrou no trimestre, saindo de R$ 5,66 bilhões para R$ 11,84 bilhões.
Entre as empresas, o cenário é mais equilibrado no geral, com inadimplência de 3,18%, mas esconde uma dificuldade real para negócios menores: entre micro, pequenas e médias empresas, o índice de atraso chegou a 9,73%. Para quem administra uma empresa desse porte, esse dado é um alerta de que bancos tendem a ficar mais seletivos e cautelosos na hora de conceder ou renovar crédito, o que pode significar taxas mais altas ou exigências maiores de garantia.
Agro dá sinal de desaceleração, mas ainda pesa
O agronegócio, que vinha sendo um dos principais responsáveis pela deterioração dos resultados do banco, encerrou junho com inadimplência de 6,27%, número praticamente igual ao do trimestre anterior (6,22%), mas bem acima dos 3,16% de um ano atrás. Há, porém, um indicador que trouxe algum alívio: a formação de novos créditos inadimplentes no setor caiu de R$ 7,18 bilhões para R$ 5,72 bilhões no trimestre, embora ainda esteja acima do valor registrado há um ano. O BB tem apertado os critérios para novos empréstimos rurais e ampliado as renegociações de dívidas do setor.
Para quem trabalha com o agronegócio ou depende dele na cadeia produtiva, vale acompanhar dois movimentos anunciados pelo banco: o pacote de R$ 210 bilhões para financiar a safra 2026/27 e a expectativa de que até R$ 100 bilhões da carteira do agro possam entrar em novas linhas de renegociação previstas pelo governo, segundo a presidente do banco, Tarciana Medeiros. Isso pode representar uma oportunidade para produtores endividados reorganizarem suas dívidas em condições melhores.
Custo do crédito e rentabilidade
No consolidado, o custo do crédito somou quase R$ 18,5 bilhões, alta de 16,1% em relação a um ano atrás, mas queda de 2,1% frente ao primeiro trimestre deste ano, um sinal de que o ritmo de deterioração pode estar perdendo força. A margem financeira bruta ficou em R$ 27,5 bilhões, impulsionada pela tesouraria e pelas operações com pessoas físicas. As receitas com prestação de serviços somaram R$ 9,1 bilhões, enquanto as despesas administrativas chegaram a R$ 10,1 bilhões.
Em termos de rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 8,3%, acima dos 7,3% do primeiro trimestre, mas ainda abaixo do resultado de um ano antes. O índice de eficiência, que mede o custo operacional em relação à receita, ficou em 28%, estável no trimestre. Já o índice de Basileia, que mostra a solidez financeira do banco, encerrou junho em 13,91%, um pouco menor do que os 14,23% do trimestre anterior.
Para o empresário, o retrato geral é de um banco que segue lucrando e mantendo suas projeções para 2026, mas que enfrenta um ambiente de crédito mais desafiador, especialmente para pessoas físicas, pequenas empresas e o agronegócio. Isso tende a se refletir em critérios mais rígidos para novas operações e maior atenção à saúde financeira de quem busca crédito. Se sua empresa depende de linhas do BB, vale antecipar negociações, manter a documentação em dia e acompanhar de perto eventuais programas de renegociação, especialmente se você atua no setor rural.
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