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Juros altos pesam mais que impostos para a construção civil, aponta pesquisa

24/08/2026 16:573 min de leituraAtualizado há 9 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você atua na construção civil, uma pesquisa recente ajuda a confirmar o que talvez você já sinta na prática: o custo do dinheiro está pesando mais no seu negócio do que os impostos ou a dificuldade de contratar mão de obra qualificada. Segundo a Sondagem da Indústria da Construção, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 36,2% dos empresários do setor apontaram a taxa de juros elevada como o problema mais crítico atualmente, à frente da carga tributária (33%) e da falta ou alto custo de trabalhador qualificado (28%).

O que muda na percepção dos empresários

Esse resultado não é um fato isolado: a preocupação com os juros já lidera o ranking pela segunda pesquisa trimestral seguida, com um aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. Na prática, isso mostra que o empresário da construção está cada vez mais atento ao custo do crédito, seja para financiar obras, capital de giro ou investimentos em equipamentos e insumos.

Segundo Felipe Mesquita, analista do BB Investimentos, esse movimento reflete uma mudança de expectativa: o mercado agora acredita que o corte da Selic vai ser mais lento do que se imaginava antes. Ou seja, não é apenas o nível atual dos juros que incomoda, mas também a perspectiva de que o alívio no custo do crédito vai demorar mais para chegar.

Matéria-prima sai do radar, mas com ressalva

Um dado que chama atenção é a queda da preocupação com falta ou alto custo de matéria-prima, que caiu da 6ª para a 11ª posição no ranking de problemas, com apenas 10,1% das citações, contra 16% no primeiro trimestre de 2026. O relatório associa essa melhora à variação do preço do petróleo. Ainda assim, o próprio analista do BB Investimentos alerta que esse tema pode voltar a pesar ao longo de 2026, já que as tensões geopolíticas que afetam essa commodity ainda não foram resolvidas.

Principais problemas apontados pela construção civil
36,2%taxas de juros elevadasprincipal problema citado, com alta de 1,3 p.p. no trimestre.
33%carga tributáriasegundo colocado no ranking de queixas do setor.
28%falta de mão de obra qualificadaterceiro fator mais citado pelos empresários.

Confiança sobe, mas expectativas recuam

Além da sondagem de problemas, o Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pelo FGV Ibre, também traz sinais mistos para quem está no setor. Em julho, o índice avançou a 92,3 pontos, alta de 0,7 ponto na comparação com o mês anterior, mas ainda 0,2 ponto abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. A melhora veio puxada pela avaliação mais positiva do segmento de edificações residenciais, que compensou uma desaceleração na percepção sobre infraestrutura.

Já o Nível de Expectativas, que mostra como os empresários enxergam o futuro próximo, recuou tanto na comparação mensal quanto na anual, chegando a 92,6 pontos, o patamar mais baixo de 2026 até agora. Para Felipe Mesquita, isso sinaliza que os empresários do setor esperam uma retração na atividade da construção civil nos próximos meses.

Outros indicadores reforçam esse cenário mais cauteloso: o Nível de Atividade caiu para 47,2 pontos, a Intenção de Investimentos recuou a 42,4 pontos (embora ainda acima do mesmo período de 2025) e o Nível de Utilização da Capacidade da Construção ficou em 76,1%, o menor patamar para um mês de julho desde 2020. Por outro lado, a Utilização da Capacidade Operacional, medida pela CNI, se manteve estável em 67%, o maior nível registrado em 2026.

Na prática, se você é empresário da construção civil, o recado desses números é claro: o custo do crédito segue sendo o principal obstáculo para planejar novos investimentos, financiar obras ou ampliar operações. Vale acompanhar de perto as sinalizações sobre a Selic e revisar o planejamento financeiro do seu negócio considerando um cenário de juros altos por mais tempo do que o previsto anteriormente. Se precisar de apoio para organizar as finanças da empresa nesse contexto, a GL Inteligência Contábil pode ajudar você a tomar decisões mais seguras.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.