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Juros altos e Reforma Tributária: o que pesa nas decisões das PMEs

16/10/2026 16:053 min de leituraAtualizado há 50 minutos

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se o seu negócio está mais cauteloso nos últimos meses, você não está sozinho. Uma pesquisa recente com pequenas e médias empresas brasileiras mostra que os juros altos se tornaram o principal freio ao crescimento, superando até as incertezas da Reforma Tributária. E, para quem está no Simples Nacional, uma decisão importante ainda está em aberto para a maioria dos empresários: qual regime seguir depois da mudança no sistema de tributos.

De acordo com a Sondagem Omie das Pequenas e Médias Empresas, referente ao segundo semestre de 2026, 59% dos empresários apontam os juros elevados como a maior barreira ao crescimento do negócio. O número saltou em relação ao início do ano, quando 49% faziam essa queixa. Isso significa que, além da própria Reforma Tributária, o custo do crédito está pesando cada vez mais na hora de investir, contratar ou expandir.

Quem é afetado

O impacto não se limita ao crédito. Os custos com mão de obra aparecem como a segunda maior barreira, citados por 44% dos entrevistados, e a fraca demanda do mercado também cresceu, passando de 26% para 31%. Como reflexo direto dessa cautela, a intenção de abrir novas vagas caiu de 37% para 26%. Ou seja: menos confiança na economia tem levado empresários a segurar contratações e investimentos, mesmo mantendo a operação em funcionamento.

A visão sobre o futuro próximo também é de apreensão: mais da metade dos empresários (54%) espera impacto negativo no negócio nos próximos seis meses, enquanto apenas 14% acreditam em melhora. Esse cenário ajuda a explicar por que a Reforma Tributária, mesmo sendo uma mudança estrutural importante, não é hoje a principal preocupação isolada, mas soma-se a um conjunto de fatores que tornam a gestão do negócio mais desafiadora.

Prazos

Sobre a Reforma Tributária, o levantamento mostra que 63% dos empresários já planejam revisar sua política de preços por causa das mudanças. Outras ações citadas são a revisão da estrutura societária ou do regime tributário (32%) e a renegociação de contratos (31%). Ainda assim, 20% dizem não ter planos de fazer nenhuma alteração, e apenas 19% das empresas se consideram totalmente preparadas para a transição.

O ponto mais sensível está entre as empresas optantes pelo Simples Nacional: 8 em cada 10 ainda não decidiram qual caminho seguir, mesmo com o prazo prorrogado até 30 de outubro. Entre os que ainda não definiram, 32% afirmam não ter avaliado os impactos da escolha, e 31% preferem esperar mais clareza nas regras. Dos que já decidiram, 11% optaram pelo Simples Nacional Híbrido e 10% pelo modelo Tradicional.

O cenário das PMEs em números
59%apontam juros altos como maior barreiraalta em relação aos 49% do primeiro semestre.
8 em 10empresas do Simples ainda indecisasprazo para decidir vai até 30 de outubro.
19%se sentem preparadas para a Reformamaioria ainda ajusta preços e contratos.

Como se preparar

Diante desse cenário, o papel do contador aparece como peça central para destravar decisões. Segundo a pesquisa, 73% dos empresários acreditam que o contador terá uma atuação mais estratégica depois da transição do novo sistema de tributos. As expectativas mais citadas são orientação estratégica (71%) e simulação de impactos financeiros e tributários (66%), à frente até do cumprimento das obrigações fiscais tradicionais, citado por 47%.

Na prática, isso mostra que o empresário não busca apenas alguém para cuidar da parte burocrática, mas um parceiro capaz de ajudar a enxergar os números e tomar decisões com mais segurança. Se a sua empresa ainda não avaliou o impacto da Reforma Tributária no seu regime, nos preços ou nos contratos, o prazo prorrogado até 30 de outubro é uma oportunidade para fazer essa análise com calma, em vez de decidir sob pressão. Converse com seu contador para simular cenários antes de tomar a decisão, principalmente se sua empresa está no Simples Nacional e ainda não escolheu entre o modelo híbrido e o tradicional.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.