Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O mercado de gestão de grandes patrimônios no Brasil está cada vez mais concorrido, e a XP decidiu acelerar o passo. A instituição vem integrando suas operações de private banking no Brasil e no exterior, com o objetivo de facilitar o acesso de clientes de alta renda a investimentos internacionais. A movimentação não é isolada: o BTG Pactual, um dos principais concorrentes nesse segmento, ampliou para cerca de R$ 130 bilhões o patrimônio sob gestão de sua área de multifamily office, impulsionado por aquisições recentes.
Para você que administra um negócio ou lida com planejamento patrimonial, essa disputa entre grandes instituições financeiras importa porque reflete uma mudança de comportamento que já chegou ao empresariado brasileiro: a proteção patrimonial deixou de ser apenas sobre comprar dólar em momentos de crise e passou a envolver uma diversificação internacional mais estruturada e permanente.
O viés doméstico ainda trava o investidor brasileiro
Apesar do apetite crescente por diversificação, a maioria dos brasileiros, inclusive os de alto patrimônio, ainda concentra seus recursos no país. Estimativas do setor apontam que mais de 95% do dinheiro investido por brasileiros permanece em ativos locais, um comportamento conhecido como "home bias". Mesmo quem já pensa em internacionalizar a carteira costuma preferir títulos de renda fixa brasileiros ou ações de empresas nacionais negociadas no exterior, evitando o mergulho direto em mercados globais.
Segundo Marcelo Coscarelli, head de Wealth Management da XP, o maior desafio não é técnico, mas de mentalidade: tratar o investimento no Brasil e o investimento global como blocos separados, quando deveriam ser pensados de forma integrada. Isso significa que, se você é gestor ou dono de negócio e ainda não avaliou uma exposição internacional, pode estar perdendo oportunidades de diluir riscos que dependem só da economia brasileira.
Outro ponto de atenção é que nem todo mercado internacional é igualmente acessível. Estados Unidos e Europa oferecem estruturas consolidadas para quem quer investir lá fora, mas outras regiões com peso econômico relevante, como a China, impõem restrições operacionais que exigem mais cuidado e seletividade na hora de alocar recursos.
Esperar o dólar cair pode custar mais caro do que parece
Uma das principais razões que levam empresários e investidores a adiar a remessa de dinheiro para o exterior é a expectativa de conseguir um câmbio mais favorável. Um estudo da equipe de Wealth Management Internacional da XP em Miami, com dados de janeiro de 2000 a junho de 2026, testou justamente essa lógica, comparando duas estratégias de investimento no índice americano S&P 500.
| Estratégia | Como funciona | Resultado acumulado |
|---|---|---|
| Aportes mensais (DCA) | Investe R$ 1.000 todo mês, convertendo para dólar no momento da aplicação | R$ 2.915.138 |
| Timing perfeito | Aguarda a cotação mais baixa do dólar no ano, mantendo o dinheiro aplicado no CDI enquanto espera | R$ 2.167.280 |
A diferença entre as duas estratégias passou de R$ 747 mil ao final do período, com vantagem de 34,5% para quem simplesmente investiu todo mês, sem tentar acertar o melhor momento do câmbio. E o resultado se repete em janelas de tempo menores: nos períodos de dez anos analisados, os aportes recorrentes superaram o timing perfeito em quase 80% dos casos, subindo para 84,2% nas janelas de 15 anos e para 93,7% nas de 20 anos. Na prática, isso mostra que ficar esperando o dólar cair para começar a diversificar pode sair mais caro do que simplesmente começar, mesmo que o câmbio esteja em um momento pior.
Sucessão continua sendo o principal motivo para procurar um gestor
Além da busca por diversificação, o crescimento do setor de gestão de fortunas também é puxado pelo planejamento sucessório das famílias com patrimônio relevante. Há um debate no mercado sobre se as novas gerações estariam mais focadas em aproveitar o dinheiro no presente do que em preservá-lo para o futuro, mas a avaliação da XP é de que a preocupação com proteção da família e continuidade do patrimônio segue tão forte quanto antes, mesmo com mais tecnologia e outro estilo de vida entrando na equação.
Para Coscarelli, é justamente o planejamento sucessório e familiar que fideliza o cliente, enquanto a escolha de produtos e investimentos específicos acaba sendo um detalhe de execução em torno desse pilar central. Se você tem uma empresa familiar ou um patrimônio para transmitir, vale entender que a conversa sobre sucessão não deveria ser tratada como um assunto à parte da gestão financeira, mas como o ponto de partida dela.
Na prática, o recado para quem administra negócios e patrimônio é claro: diversificação internacional e planejamento sucessório não são temas apenas para grandes fortunas ou para momentos de crise. Rever periodicamente sua exposição ao Brasil, entender as barreiras de acesso a cada mercado e não deixar decisões importantes reféns da cotação do dólar são passos que podem fazer diferença real na proteção do que você construiu.
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