GoPro vira empresa de IA: o que o negócio de US$ 285 milhões significa
02/09/2026 17:053 min de leituraAtualizado há 20 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A GoPro, marca conhecida por suas câmeras de ação, anunciou que vai se fundir com a Starman Optical, fabricante de componentes usados em comunicações de alta velocidade, em um negócio avaliado em US$ 285 milhões (R$ 1,45 bilhão). Com isso, a empresa passa a mirar também tecnologia de inteligência artificial, defesa, contratos governamentais, robótica e setor aeroespacial. Para você, empresário ou gestor, o caso é um retrato de como o mercado tem premiado empresas que anunciam entrada no universo da IA, mesmo quando isso significa abandonar parte do negócio original.
O que muda
Pelo acordo, os acionistas da GoPro vão receber US$ 1,14 por ação (R$ 5,81) e ficarão com cerca de 10% da nova empresa combinada. A operação também vai quitar aproximadamente US$ 92 milhões (R$ 469,2 milhões) em dívidas da GoPro. Apesar da mudança de rumo, a empresa afirmou que vai continuar dando suporte total aos seus produtos de consumo, como as câmeras, e que permanecerá com ações negociadas em bolsa. Ou seja: não é o fim da marca GoPro como você a conhece, mas sim uma ampliação drástica do escopo do negócio, com o CEO Nicholas Woodman citando expressamente "câmeras, óptica e infraestrutura de IA" como frentes futuras.
O anúncio provocou reação imediata do mercado: as ações da GoPro dispararam mais de 40% depois de fecharem o pregão anterior pouco acima de US$ 1,25 (R$ 6,38). Antes disso, os papéis vinham de uma sequência de quedas: no ano, a GoPro acumulava baixa de mais de 55%, e na sexta-feira anterior a ação era negociada a apenas US$ 0,60 (R$ 3,06).
Quem é afetado
O movimento tem relação direta com um episódio recente: dois dias antes do anúncio da fusão, veio à público que Mark Fischbach, o criador de conteúdo conhecido como Markiplier, havia comprado 8,5% da GoPro, tornando-se o maior acionista individual da empresa. Fischbach declarou considerar as ações "subvalorizadas" e disse querer que a companhia tivesse sucesso. A repercussão dessa notícia já havia feito as ações subirem 46% em um único dia, antes de perderem parte do fôlego.
Esse tipo de reposicionamento não é exclusividade da GoPro. A CoreWeave, criada originalmente como empresa de mineração de criptomoedas, migrou para se tornar fornecedora de computação em nuvem e infraestrutura de IA, abriu capital em 2025 e gerou bilhões de dólares para seus fundadores. Já a fabricante de tênis Allbirds anunciou, em abril, que venderia seus ativos de calçados para se tornar uma empresa de infraestrutura de IA, adotando a marca "Smartbird" em junho. Nesse caso, porém, o entusiasmo inicial do mercado não se sustentou: as ações da Allbirds acumulam queda de cerca de 42% no ano.
Como se preparar
Para quem administra um negócio, o aprendizado prático aqui não é sobre virar uma empresa de tecnologia da noite para o dia, mas sobre entender que o mercado reage fortemente a narrativas ligadas à inteligência artificial, mesmo sem garantia de resultado sólido no longo prazo. O caso da Allbirds mostra que anunciar uma guinada para IA pode gerar euforia passageira, mas não substitui um plano de negócio consistente. Antes de associar sua marca a tendências como essa, avalie se existe capacidade real de execução, estrutura financeira para sustentar a mudança e clareza sobre o que será mantido do negócio original, como a GoPro fez ao garantir suporte contínuo aos seus produtos de consumo.
Se você lidera uma empresa e está pensando em expandir para novas áreas de tecnologia, aproveite o momento para revisar também a estrutura contábil e tributária do negócio. Mudanças de escopo, fusões e novas linhas de receita têm impacto direto em obrigações fiscais, enquadramento tributário e reporte financeiro, e contar com orientação contábil qualificada nesse processo evita surpresas e ajuda a sustentar o crescimento de forma organizada.
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