Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
A inadimplência bancária no Brasil atingiu o maior patamar desde que o Banco Central começou a revisar essa estatística, em 2011. Em setembro, o índice de dívidas com mais de 90 dias de atraso ficou em 5%, somando pessoas físicas e empresas. Esse número importa para você porque reflete diretamente a saúde financeira dos seus clientes, fornecedores e até da sua própria linha de crédito empresarial.
Entre os consumidores, a inadimplência chegou a 6% pelo segundo mês seguido, também recorde. Já entre as empresas houve uma leve melhora: a taxa caiu de 3,4% para 3,3%. Ainda assim, o cenário geral é de famílias cada vez mais pressionadas financeiramente, o que tende a afetar o consumo e, por consequência, o faturamento de quem vende produtos ou serviços a prazo.
O que está por trás desse quadro
O aumento da inadimplência acompanha o crescimento do endividamento das famílias. Em agosto, esse indicador alcançou 50,1% da renda anual dos brasileiros, ultrapassando pela primeira vez a marca de 50% desde o início da série histórica, quando estava em 34,9%. Ou seja: as famílias estão comprometendo uma fatia cada vez maior da própria renda com dívidas, o que reduz a capacidade de pagamento e de consumo.
Para conter esse avanço, o governo ampliou o programa de renegociação de dívidas conhecido como Desenrola Brasil. A nova fase prevê renegociar R$ 150 bilhões em débitos com atraso entre dois e quatro anos e meio, incluindo dívidas de cartão de crédito e empréstimos pessoais sem desconto em folha, com valores de até R$ 10 mil por pessoa. A proposta é que a União compre essas carteiras de crédito dos bancos com desconto de 90%, desembolsando cerca de R$ 15 bilhões no total.
Na prática, esse tipo de programa pode ajudar a limpar o nome de clientes inadimplentes e devolver poder de compra a parte da população. Se você atua no varejo, serviços ou qualquer negócio que dependa do consumo das famílias, vale acompanhar como essa renegociação avança, já que ela pode impactar diretamente sua carteira de clientes inadimplentes ou em atraso.
Mudanças nas ofertas de crédito pelo Pix
O Banco Central também vem se movimentando para reduzir os riscos ligados ao crédito mais caro, que pesa bastante no endividamento das famílias. Uma das medidas é a regulamentação das ofertas de empréstimo feitas diretamente pelo Pix. A partir de 31 de março de 2027, os bancos só poderão oferecer crédito nesse ambiente com autorização prévia e específica do cliente, respeitando um prazo mínimo de 24 horas entre a liberação da função e o envio da primeira oferta.
Além disso, as instituições financeiras terão que oferecer uma forma simples para o cliente bloquear esse tipo de propaganda. Se sua empresa oferece crédito a clientes ou trabalha com meios de pagamento, fique atento: essa regulamentação sinaliza uma tendência de maior controle sobre ofertas de crédito, o que pode se refletir em novas exigências para quem opera no setor financeiro ou integra soluções de pagamento.
No fim das contas, o cenário atual pede atenção redobrada de quem concede prazo, crediário ou parcelamento aos clientes. Avalie o risco de inadimplência na sua carteira, reforce políticas de cobrança e análise de crédito, e acompanhe os desdobramentos do Desenrola 2.0, já que a renegociação de dívidas das famílias pode aliviar a pressão sobre o caixa de muitos negócios nos próximos meses.
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