Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Sua empresa já usa ou pretende usar inteligência artificial no dia a dia? Antes de avançar, vale parar e responder uma pergunta simples: quem, na prática, tem poder para decidir como essas ferramentas são usadas e, se necessário, interrompê-las? Pesquisas recentes mostram que a maioria das organizações ainda não tem resposta clara para isso, e essa lacuna pode custar caro.
Um levantamento da SmartX, feito com 2.100 executivos, apontou que apenas 13% das organizações têm as bases mínimas de governança para adotar IA de forma segura. Outro dado chama atenção: só 29% possuem um plano estratégico concreto para o uso da tecnologia. Isso significa que a grande maioria das empresas está adotando ferramentas de inteligência artificial sem um direcionamento claro sobre como, por quem e com quais limites elas devem ser usadas.
O que está faltando nas empresas
Segundo a pesquisa, 32% das organizações não têm nenhuma estrutura básica de controle, como políticas internas sobre uso de IA, diretrizes de ética ou um grupo responsável por supervisionar essas decisões. Na prática, isso quer dizer que ferramentas de IA podem estar sendo usadas por diferentes áreas da empresa sem critério comum, sem checagem de segurança e sem ninguém definindo responsabilidades caso algo dê errado.
A especialista Maribel Lopez, da Lopez Research, reforça esse ponto ao destacar que a falta de definição de responsabilidades é hoje um dos pontos mais frágeis nas empresas que já usam IA intensamente. Segundo ela, mesmo que o dono do negócio não acompanhe de perto os detalhes técnicos, é fundamental ter, no mínimo, poder de veto sobre as decisões tomadas por sistemas automatizados.
Quem está decidindo sobre IA hoje
De acordo com a pesquisa, 59% das empresas deixam essas decisões nas mãos da liderança executiva, enquanto 31% repassam a responsabilidade para os líderes de tecnologia. O problema é que, muitas vezes, essas decisões acabam espalhadas entre áreas diferentes, como jurídico e recursos humanos, sem uma coordenação única. Isso cria um cenário confuso, em que ninguém assume de fato o papel de vigiar o comportamento dos sistemas de IA.
Outro agravante apontado pelos especialistas é a escassez de profissionais preparados para entender essa tecnologia e garantir que ela funcione dentro do esperado. Some-se a isso a velocidade com que a IA muda: segundo Lopez, a cada um ou dois meses surgem atualizações ou falhas relatadas pelos próprios fornecedores de sistemas, o que torna o monitoramento um trabalho constante, e não algo que se resolve uma única vez.
Como se preparar
Para empresários e gestores, a recomendação prática que emerge desse cenário é simples: definir, desde já, quem dentro da empresa tem autoridade para aprovar, revisar e, se preciso, suspender o uso de ferramentas de inteligência artificial. Lopez sugere ainda aproveitar sistemas que a empresa já utiliza e que possuem controles de identidade, segurança e permissões, estendendo essas regras também para os agentes de IA, em vez de criar tudo do zero.
Não é realista esperar que um humano acompanhe cada ação tomada por um sistema automatizado, dado o ritmo acelerado de adoção da tecnologia. Por isso, o planejamento precisa vir antes da implementação, com regras claras sobre limites, responsabilidades e pontos de verificação. Se sua empresa já usa ou está prestes a adotar ferramentas de IA, esse é o momento de organizar essas definições, antes que a ausência de controle vire um problema maior para o negócio.
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