IA agêntica nos pagamentos: o que isso muda para a sua empresa
01/09/2026 18:154 min de leituraAtualizado há 1 dia
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Uma nova geração de inteligência artificial está mudando a forma como pagamentos e decisões financeiras são executados. Em vez de apenas sugerir ações, os chamados agentes de IA já conseguem tomar decisões e executar transações por conta própria, sem que uma pessoa precise aprovar cada passo. Em março deste ano, Visa e Banco do Brasil realizaram, em ambiente controlado, a primeira transação desse tipo no país. Para você, empresário ou gestor, isso significa que sistemas automáticos de pagamento e gestão financeira devem se tornar cada vez mais comuns, e é hora de entender o que essa mudança exige da sua empresa.
O que muda na prática
Até agora, a automação em finanças funcionava como um assistente: sugeria, organizava informações, mas dependia de uma pessoa para decidir e confirmar. A IA agêntica muda esse papel. Ela passa a analisar o contexto, interpretar informações e agir sozinha, executando pagamentos, conciliando contas ou direcionando transações sem esperar aprovação humana a cada etapa. Especialistas ouvidos no material apontam que essa mudança já afeta áreas como leitura de documentos, conciliação financeira e roteamento de transações, tornando processos mais rápidos, mas também mais dependentes da qualidade dos dados que alimentam esses sistemas.
O ponto de atenção, segundo os especialistas, é que uma transação pode ser tecnicamente correta e ainda assim gerar um problema real para o negócio. Isso acontece quando existem divergências em informações como saldo disponível, limite de crédito, agenda de recebimentos ou autorização do cliente. Ou seja, a IA pode agir dentro das regras que recebeu, mas com base em dados desatualizados ou incompletos, o que pode causar prejuízo financeiro mesmo sem erro de sistema.
Quem precisa se preparar
O impacto não fica restrito a bancos e grandes instituições financeiras. Segundo Diogo Gretter, sócio na Triven, a IA agêntica já começa a redesenhar a rotina financeira também nas médias empresas, automatizando pagamentos, conciliação, análise de fluxo de caixa e gestão de riscos. Isso permite que as equipes financeiras deixem de gastar tempo com tarefas repetitivas e passem a atuar de forma mais analítica e estratégica dentro do negócio.
Mas essa vantagem tem uma condição: só funciona bem para empresas que já têm uma base organizacional sólida. Gretter alerta que empresas com dados dispersos, sistemas que não se conversam entre si e controles feitos manualmente correm mais risco ao automatizar processos financeiros sensíveis sem preparo adequado. Na prática, isso quer dizer que antes de adotar essas ferramentas, sua empresa precisa colocar a casa em ordem: dados atualizados, sistemas integrados e processos bem definidos.
Garanta que saldo, limites, agenda de recebíveis e autorizações estejam atualizados e integrados entre os sistemas usados pela empresa.
Toda operação automatizada deve poder ser rastreada: quem ou o que executou, com base em quais regras e limites.
Tenha formas claras de contestar ou reverter uma transação automatizada, caso algo saia errado.
Sistemas antigos guardam regras de negócio importantes e precisam ser incluídos na estratégia de automação, não deixados de lado.
Além da questão dos dados, há um debate sobre quem vai definir as regras de confiança nessa nova forma de operar. Alexandre Caramaschi, cofundador da Naia, resume que o desafio atual não é mais tecnológico, já que o Brasil já conta com ferramentas robustas como Pix, Open Finance e tokenização. A disputa agora é sobre quem vai estabelecer o padrão de identidade, autorização e responsabilidade que vai permitir que agentes de IA tomem decisões financeiras com segurança.
Gonzalo Parejo, CEO da Kamino, reforça que a base de tudo é a qualidade da informação disponível em tempo real. Sem dados estruturados e sistemas integrados, a IA pode aumentar riscos em vez de trazer eficiência para a operação. Ele observa ainda que muitas empresas, especialmente médias e grandes, ainda enfrentam limitações no acesso a informações financeiras completas e atualizadas, o que trava o avanço para operações mais autônomas.
Como se preparar
Para os próximos anos, a expectativa apontada pelos especialistas é de avanço da IA em frentes como prevenção de fraudes, atendimento automatizado, compliance e inteligência preditiva. Segundo Lucas Althoff, líder de inovação da Mirante Tecnologia, o diferencial competitivo não estará apenas em monitorar transações em tempo real, mas em automatizar todo o ciclo: detectar um problema, decidir o que fazer e agir imediatamente.
Na prática, o recado para o seu negócio é claro: a automação de pagamentos e processos financeiros vai continuar avançando, e as empresas mais preparadas para aproveitar essa evolução serão aquelas com dados organizados, processos bem documentados e mecanismos de controle definidos. Antes de adotar ferramentas de IA agêntica, vale revisar como estão seus sistemas internos, seus fluxos de aprovação e sua capacidade de rastrear e corrigir eventuais erros. Essa organização prévia será o que vai diferenciar quem ganha eficiência de quem apenas transfere riscos para dentro de um sistema automatizado.
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