Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você tem um pet, provavelmente já pensou (mesmo sem querer) em como seria o momento de se despedir dele. Esse assunto, antes tratado de forma improvisada, virou um setor de serviços organizado, com empresas especializadas, protocolos de atendimento e até opções sustentáveis. Para você que é empresário ou pensa em empreender nesse ramo, entender como esse mercado está estruturado ajuda a enxergar oportunidades e também a avaliar fornecedores caso sua empresa precise oferecer algum benefício relacionado a pets para colaboradores.
O que mudou nesse mercado
Os pets deixaram de ser apenas animais de guarda ou companhia no quintal e passaram a ocupar um lugar central nas famílias. Essa mudança de comportamento criou demanda por serviços de despedida mais humanizados e, em muitos casos, conectados à natureza. É o caso do Ânimas Pet, em Itapecerica da Serra (SP), que funciona em uma reserva de Mata Atlântica de 110 mil m². Lá, as cinzas dos animais são colocadas em urnas ecológicas plantadas junto a mudas de árvores nativas, como juçara, cambucá e cedro-rosa. O tutor participa do plantio e pode, inclusive, visitar a árvore depois.
Outra empresa que aposta nesse modelo é a RIP Pet, com operações em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O espaço conta com mais de 100 mil m², lago de carpas, uma sala de velório montada como estufa de plantas e até uma capela para quem quiser fazer uma cerimônia religiosa. A empresa também oferece urnas biodegradáveis que se dissolvem na água, pensadas para quem quer espalhar as cinzas em rios ou praias.
Quem são os públicos atendidos
Esses serviços não se limitam a cães e gatos. No Ânimas, já passaram por cremação calopsitas e até raias. Já a RIP Pet atende animais de até 150 kg, o que inclui desde peixes de aquário até pequenos pôneis e animais exóticos com registro legal. Isso mostra que o mercado se profissionalizou para atender diferentes perfis de tutores, não apenas os donos de cães e gatos.
Um ponto importante para quem avalia contratar esse tipo de serviço é a estrutura de apoio emocional. A RIP Pet, por exemplo, estruturou todos os seus processos com suporte de psicólogos especializados em luto, que também treinam a equipe de mais de 70 colaboradores. Já o Ânimas conta com dois cães de apoio emocional que acompanham as famílias durante a despedida.
Além da cremação em si, existe um leque de serviços para quem quer transformar a lembrança do pet em algo físico. A RIP Pet encaminha cinzas para um laboratório no exterior que as transforma em diamantes. Já a suíça Lonité faz esse mesmo tipo de trabalho usando cinzas e pelos do animal. No Brasil, o Ânimas Pet oferece mini esculturas, peças de cerâmica, brincos, chaveiros e colares personalizados, vendidos separadamente do pacote de cremação.
Como avaliar esse tipo de contratação
Se você está pensando em contratar algum desses serviços, seja para uso pessoal, seja para oferecer como benefício a funcionários, vale observar alguns pontos antes de fechar negócio: a transparência nos valores, o tipo de acompanhamento oferecido durante o processo, a possibilidade de participar (ou não) da cremação, e se a empresa tem estrutura para atendimento emocional da família. Também é importante verificar se o local tem licenciamento ambiental, já que parte do apelo desses serviços está justamente na promessa de sustentabilidade.
Para quem empreende na área de serviços para animais, esse é um nicho que mostra crescimento consistente e aceita diferenciação: sustentabilidade, memorialização física e suporte psicológico são caminhos que já se mostraram viáveis e valorizados pelos clientes. Antes de investir, é recomendável buscar orientação contábil e jurídica especializada para entender a regulamentação local e os custos de estruturação desse tipo de negócio.
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