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IA vai substituir empregos? Por que ninguém tem essa resposta ainda

13/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 21 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Você já deve ter visto previsões contraditórias sobre o impacto da inteligência artificial nos empregos. De um lado, executivos do setor de tecnologia falam em eliminar metade das posições iniciais em profissões de escritório nos próximos anos. De outro, economistas renomados consideram esse cenário improvável e lembram que toda grande transformação tecnológica também abre espaço para atividades novas. A verdade incômoda é que, hoje, ninguém sabe com certeza qual dessas visões vai se confirmar, e isso muda a forma como você deveria planejar seu negócio.

Pesquisas recentes mostram um quadro misto: há sinais de pressão sobre profissionais jovens em algumas ocupações mais expostas à IA, mas ainda não há evidência de uma destruição generalizada de empregos. Ao mesmo tempo, outros estudos apontam ganhos de produtividade relevantes, especialmente entre trabalhadores menos experientes. Ou seja, os dados não sustentam nem o alarmismo total nem o otimismo tranquilo. Para quem gerencia uma empresa, isso significa que decisões baseadas em certezas absolutas sobre o futuro do trabalho podem sair caras.

Por que ninguém consegue prever com segurança

Existe uma diferença importante entre dois tipos de incerteza. Em situações de risco, você não sabe exatamente o que vai acontecer, mas consegue mapear os cenários possíveis e calcular probabilidades. Já na chamada incerteza radical, nem isso é possível: ainda não conhecemos todos os cenários relevantes que deveriam entrar na conta. A inteligência artificial se encaixa nesse segundo tipo. As previsões de hoje usam as capacidades atuais da tecnologia, os modelos de negócio atuais e as profissões como existem agora, mas todos esses elementos podem mudar no meio do caminho.

Isso não significa que você deva parar de planejar. Significa que precisa desconfiar de qualquer discurso, otimista ou pessimista, que trate uma tendência como se fosse um destino garantido. Um teste simples ajuda a filtrar esse tipo de certeza: pegue qualquer afirmação que comece com "a IA vai..." e pergunte o que precisaria continuar exatamente igual para que isso realmente acontecesse.

Aplicando esse teste às cargas de entrada, por exemplo, existe um ponto pouco discutido: essas funções mais simples também são o caminho pelo qual você forma profissionais experientes. Se sua empresa automatiza totalmente essas tarefas, pode ganhar produtividade agora e criar um problema de formação de talentos que só vai aparecer daqui a alguns anos, quando faltarem profissionais seniores para assumir posições de liderança.

O mesmo vale para a ideia de que dominar as ferramentas de IA de hoje garante empregabilidade no futuro. Usar essas ferramentas é importante, sim, mas construir uma carreira ou uma estratégia de treinamento inteira em cima de uma interface específica é arriscado: se a tecnologia evoluir para entender comandos com pouquíssima instrução, habilidades muito ligadas à ferramenta atual podem perder valor rápido. O que tende a durar mais são capacidades como formular bons problemas, avaliar respostas com criticidade e aprender novas ferramentas conforme elas aparecem.

O que isso muda na prática para sua empresa

Também vale desconfiar da ideia de que a IA vai automaticamente liberar as pessoas de tarefas repetitivas para atividades mais criativas. Isso pode acontecer, mas não é uma lei natural da tecnologia. A hora que sua equipe economiza automatizando uma tarefa pode virar espaço para análise e aprendizado, ou pode simplesmente virar mais uma entrega na lista. Quem decide isso é a forma como você organiza o trabalho, não a tecnologia em si.

Diante desse cenário, a pergunta mais útil não é tentar adivinhar quais funções vão existir daqui a dez anos. É perguntar quais decisões deixam sua empresa mais capaz de reagir rápido quando as mudanças reais aparecerem. Isso passa por criar canais para que quem está no dia a dia da operação, e não só a diretoria, possa apontar problemas e sugerir ajustes. Muitas vezes é o time operacional que percebe primeiro uma tarefa que perdeu sentido, um uso inesperado da ferramenta ou um problema que ainda não chegou aos relatórios de gestão.

Para os profissionais da sua equipe, a lógica é parecida: julgamento, criatividade e repertório continuam relevantes porque decisões vão continuar sendo tomadas com informação incompleta, e situações novas vão continuar exigindo respostas que ainda não foram sistematizadas em nenhum manual.

Não existe fórmula pronta para se blindar contra a incerteza. O que dá para fazer, e o que faz diferença real na gestão, é construir cenários, acompanhar dados do próprio setor, testar ferramentas de IA aos poucos, revisar processos com frequência e investir na formação da equipe. A parte mais difícil não é buscar mais informação, é desenvolver a capacidade de perceber quando a realidade começou a contradizer o plano original e ter agilidade para mudar de rumo antes que o atraso vire prejuízo.

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