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IA pode substituir terapia? Entenda os riscos e limites no uso emocional

24/08/2026 05:053 min de leituraAtualizado há 10 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Embora o tema pareça distante da rotina de uma empresa, ele já afeta diretamente a gestão de pessoas: o uso de inteligência artificial como substituto de terapia psicológica está crescendo no Brasil e pode impactar a saúde emocional de colaboradores, sócios e do próprio gestor. Uma estimativa da agência de estudos de comportamento Talk Inc. aponta que 12 milhões de pessoas no país já recorrem a ferramentas de IA para algum tipo de acompanhamento psicológico. Psicólogas ouvidas sobre o assunto alertam que essa prática tem limites importantes e pode até ser arriscada em alguns casos.

O que a IA pode (e não pode) fazer

Conversar com uma inteligência artificial pode gerar alívio imediato e a sensação de um espaço seguro para desabafar, ajudando a reduzir sintomas de ansiedade ou melhorar o bem-estar em situações pontuais. O problema, segundo as especialistas, é que existe uma diferença grande entre simplesmente expressar um sentimento e elaborá-lo de forma terapêutica. A terapia de verdade depende de uma relação clínica construída com escuta qualificada, vínculo humano e conhecimento da história de vida da pessoa, elementos que uma IA não reproduz.

A psicóloga Célia Horta, mestre e doutora pela USP, observa que muitas pessoas preferem manter uma imagem idealizada de si mesmas, e a IA facilita esse comportamento por não confrontar nem avaliar emocionalmente quem está falando. Diferente de um profissional humano, que percebe hesitações, silêncios e expressões durante uma conversa, a IA responde apenas ao que é dito, sem captar esses sinais que muitas vezes revelam o que realmente está acontecendo com a pessoa.

Outro ponto de atenção levantado pela psicóloga Ive Camanducci, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Sistêmica, é que a terapia não deve apenas validar o que a pessoa sente. Em muitos momentos, o papel do terapeuta é justamente o contrário: ajudar o paciente a questionar interpretações, reconhecer responsabilidades e desenvolver novas formas de lidar consigo mesmo e com os outros, algo que a IA, por tender a concordar e acolher, dificilmente proporciona.

Quando o uso pode ser arriscado

As especialistas chamam atenção para os casos de maior gravidade, como risco de suicídio, situações de violência, abuso ou desorganização psíquica. Nessas circunstâncias, apoiar-se exclusivamente em respostas de uma IA para tomar decisões sobre a própria saúde mental pode ser perigoso, já que a ferramenta não tem capacidade de avaliar riscos reais nem de acionar uma rede de apoio adequada.

Como usar a IA com segurança
01
Use para alívio pontual

Recorra à IA em momentos de tensão para organizar as ideias, sem tratá-la como solução definitiva.

02
Prepare-se para a terapia

Utilize as conversas para organizar pensamentos e levantar questões que serão discutidas com um profissional.

03
Não substitua o acompanhamento humano

Mantenha ou busque terapia com um profissional para tratar questões emocionais mais profundas.

04
Fique atento a sinais de gravidade

Em situações de risco, como ideação suicida ou violência, procure ajuda profissional imediata, não apenas a IA.

Apesar dos alertas, as psicólogas reconhecem que a tecnologia não precisa ser descartada por completo. Segundo Camanducci, o uso pode ser positivo quando ajuda no alívio emocional em momentos pontuais, na organização de pensamentos antes de uma consulta ou na preparação de perguntas para levar ao terapeuta. O que não pode acontecer é confundir esse alívio circunstancial com um processo terapêutico real, que exige tempo, vínculo e acompanhamento contínuo.

Para você que gerencia uma equipe, o alerta é útil para orientar políticas internas de bem-estar e saúde mental: incentivar o uso de IA como ferramenta de apoio pode ser válido, mas não substitui o acesso a psicólogos, seja por meio de benefícios corporativos, parcerias com clínicas ou programas de assistência ao colaborador. Reconhecer esse limite ajuda a evitar que problemas emocionais mais sérios, tanto entre funcionários quanto na liderança, sejam tratados de forma superficial.

Em resumo, a inteligência artificial pode funcionar como uma ponte de apoio emocional em momentos específicos, mas não deve ser vista como o destino final do cuidado psicológico. Como resume Camanducci, o trabalho terapêutico envolve a história, os padrões emocionais, os vínculos e o contexto de vida de cada pessoa, elementos que só um acompanhamento humano qualificado consegue captar e desenvolver ao longo do tempo.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.