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IA no trabalho: como o iFood cresce em vez de demitir com a tecnologia

05/08/2026 05:024 min de leituraAtualizado há 29 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A inteligência artificial virou sinônimo de insegurança para boa parte dos trabalhadores. No Brasil, quase metade da população teme perder o emprego por causa do avanço dessa tecnologia, segundo o Datafolha. Nos Estados Unidos, o cenário é parecido, especialmente depois que gigantes como Google, Amazon, Meta e Microsoft anunciaram cortes de pessoal em meio à corrida por IA. Mas o iFood decidiu seguir outro roteiro: cresceu em número de funcionários ao mesmo tempo em que multiplicou o uso de ferramentas de inteligência artificial dentro da empresa.

Os números contam essa história. Há seis anos, o iFood tinha 2 mil colaboradores, os chamados FoodLovers. No fim de 2024, esse quadro já havia saltado para 5 mil pessoas e, no ano passado, chegou a 8 mil. Paralelamente, a empresa passou a operar com 27 mil agentes de IA, criados conforme surgiam necessidades específicas nos processos internos. Para quem administra um negócio e vê a automação como ameaça ao time, o caso mostra que crescimento de pessoas e de tecnologia não precisam ser excludentes.

O que muda na prática

Segundo o VP de Pessoas do iFood, Raphael Bozza, a maior parte do uso de IA na empresa não gera nenhum efeito relevante na produtividade: mais de 85% das aplicações trazem apenas melhorias pontuais, como organizar informações. Outros 13% já causam impacto real nos times, tornando análises mais rápidas e padronizadas. E apenas 2% dos usos realmente mudam resultados de forma significativa. Esse tipo de reconhecimento é raro no mercado, onde a IA costuma ser apresentada como solução instantânea para tudo. Para o pequeno e médio empresário, a lição prática é clara: antes de investir pesado em automação, vale mapear onde a tecnologia de fato movimenta o ponteiro do negócio, em vez de aplicá-la de forma genérica.

Apesar do crescimento recente, o iFood já sinaliza que pretende manter o quadro de 8 mil funcionários estável por um período, enquanto amplia o uso de IA internamente. A ideia não é substituir pessoas, mas discutir o impacto gerado por elas com apoio da tecnologia. Bozza defende que medir uma empresa pelo número de colaboradores é um critério ultrapassado; o que importa, segundo ele, é o resultado que essas pessoas entregam com as ferramentas disponíveis.

Quem é afetado dentro e fora da empresa

No escritório, 92% dos funcionários já usam ferramentas baseadas em IA no dia a dia. Esse número não veio de forma espontânea: a empresa investiu em apresentações sobre os usos possíveis da tecnologia, seguidas de workshops e bootcamps práticos. A estratégia também incluiu a criação de um programa interno com 100 multiplicadores, funcionários que ajudam colegas a incorporar IA em suas rotinas. Para negócios de qualquer porte, esse é um ponto de atenção importante: adoção de tecnologia sem capacitação tende a gerar resistência e baixo aproveitamento.

A empresa também tem apostado em jovens talentos como parte da estratégia de IA. O programa de estágio voltado à área, batizado de GenAI, recebeu 20 mil candidaturas para apenas 10 vagas de tecnologia no último ano, e o número de aprovados acabou subindo para 31 pessoas que se encaixaram no perfil buscado. Além disso, o iFood já contrata profissionais 100% dedicados a IA, como analistas, cientistas e engenheiros de dados, e testa um modelo chamado "super IC", com sete profissionais seniores dedicados a problemas complexos específicos, sem estrutura fixa de equipe, mas com acesso a qualquer ferramenta de IA necessária.

O impacto da tecnologia não fica restrito ao ambiente corporativo. O iFood também busca levar melhorias, via aplicativo, para os 600 mil entregadores que atuam na plataforma. Segundo Bozza, a experiência acumulada pelos 8 mil colaboradores com IA deve servir de base para aprimorar a rotina desses parceiros, reforçando que qualquer investimento em tecnologia precisa, na visão da empresa, gerar resultado concreto para quem está na ponta.

Como se preparar

O caso do iFood serve de referência para empresários que estão avaliando como incorporar IA sem gerar insegurança nas equipes. Antes de cortar posições ou substituir processos, vale investir em treinamento, identificar onde a tecnologia realmente traz ganho de produtividade e comunicar com transparência os planos de crescimento do negócio. Reter talentos qualificados e formar multiplicadores internos pode ser mais estratégico, no médio prazo, do que simplesmente reduzir o quadro de funcionários em nome da automação.

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