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IA na música: por que 8 em cada 10 profissionais já usam e o que isso ensina a empreendedores

04/08/2026 13:484 min de leituraAtualizado há 29 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você acha que inteligência artificial na música é assunto só para grandes gravadoras e artistas famosos, um dado recente pede atenção: 78% dos músicos profissionais, quase 8 em cada 10, já incorporaram IA no dia a dia de trabalho. O levantamento é da plataforma Moises em parceria com a consultoria Water & Music, e ganhou reforço simbólico em março deste ano, quando Charlie Puth, cantor com quatro indicações ao Grammy, assumiu o cargo de Chief Music Officer da empresa. Não se trata de um artista rendido à máquina, mas de alguém ajudando a moldar como ela vai funcionar.

Para você que empreende, o caso interessa menos pela música em si e mais pela lógica de negócio por trás dele. A Moises não apostou no público que a indústria sempre mirou, os profissionais de estúdio, os artistas com contrato e orçamento. Ela identificou um mercado que ninguém tinha nomeado direito: músico de igreja, produtor caseiro, professor de música, estudante. Gente para quem a música é essencial, mas não necessariamente uma fonte de renda. Esse reposicionamento de pergunta, trocar "quem é o profissional" por "quem precisa disso para viver a música", foi o que mudou o tamanho do negócio.

O que os números mostram

A plataforma já soma mais de 75 milhões de usuários registrados em praticamente todos os países, e o Brasil aparece como um dos maiores mercados, ao lado de Estados Unidos, México e Índia. Isso confirma uma tese simples, mas que muitos negócios ignoram: o talento e a demanda estão distribuídos de forma muito mais ampla do que o acesso às ferramentas necessárias para colocar esse talento em prática. Quem resolve esse gargalo de acesso, e não apenas quem vende para quem já tem recursos, encontra um mercado maior do que parecia existir.

IndicadorNúmero
Músicos profissionais que já usam IA no trabalho78%
Usuários registrados na plataformaMais de 75 milhões
Modelos de IA proprietários em operaçãoMais de 50
Principais mercadosBrasil, Estados Unidos, México e Índia

Construído para quem o acesso nunca alcançou

Um detalhe chama atenção para quem pensa em inovação a partir do Brasil: a empresa optou por desenvolver seus próprios modelos de inteligência artificial em vez de licenciar tecnologia pronta de terceiros. A decisão nasceu de uma exigência prática. Boa parte do talento musical brasileiro opera com celular e equipamentos simples, sem os recursos de estúdio profissional. Para atender esse público, era preciso construir tecnologia robusta o suficiente para funcionar bem mesmo em condições limitadas. Hoje a plataforma opera mais de 50 modelos de IA, que alimentam tanto o serviço voltado ao consumidor final quanto uma solução B2B para a indústria da música.

Essa escolha ilustra um ponto que vale para qualquer setor: entender a realidade concreta do seu cliente, e não apenas a média do mercado, pode exigir investimento maior no início, mas abre portas que a concorrência genérica não alcança. A funcionalidade mais simples da plataforma, separar faixas de áudio como vocal e instrumentos, virou a porta de entrada para um ecossistema mais amplo de estudo, ensaio e produção musical.

Lição para quem empreende

O fundador da empresa, Geraldo Ramos, resume o raciocínio de forma direta: mudar a pergunta sobre quem é o cliente mudou o tamanho do negócio. Esse tipo de virada de perspectiva é replicável em qualquer setor, inclusive fora da música. Muitas empresas concentram esforço no topo da pirâmide de clientes, os mais sofisticados ou os que já pagam mais, e deixam de enxergar uma base ampla de pessoas com necessidade real, mas sem acesso às soluções existentes. Identificar esse vácuo antes que ele vire consenso é o que separa negócios que crescem de forma expressiva dos que ficam competindo pelo mesmo pedaço de mercado.

Vale destacar também a postura em relação à tecnologia em si: a ideia de que a inteligência artificial que vence não é a que substitui o processo criativo, mas a que se torna quase invisível, ajudando a pessoa a fazer melhor o que já pretendia fazer. Para o seu negócio, isso serve como parâmetro na hora de adotar ferramentas de IA: elas devem remover obstáculos e reduzir custo de acesso, não tentar substituir o julgamento e a visão de quem está à frente do processo.

Se você gerencia uma empresa e observa a onda de inteligência artificial com desconfiança ou pressa, o caso mostra um caminho intermediário: usar a tecnologia para ampliar quem consegue acessar seu produto ou serviço, em vez de disputar apenas o topo do mercado já atendido. Antes de investir em IA, pergunte-se: existe um público que precisa do que você oferece, mas que hoje não tem acesso por causa de custo, complexidade técnica ou equipamento? Responder isso com honestidade pode revelar um mercado tão grande quanto o que a indústria da música só descobriu quando parou de fazer a pergunta errada.

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